sexta-feira, 12 de junho de 2009

Minha Pedagogia
Dom Hélder Câmara
Não ensines a teu filho que as estrelas não são do tamanho que parecem
ter: maiores do que a terra!
São lâmpadas que os anjos acendem todos os dias assim
que o sol começa a escurecer...
Não digas a teu filho que as asas dos anjos só existem na imaginação.
Já vi meu anjo em sonho e posso jurar que ele tem asas
claras que até parecem feitas de luz.
Não enchas a cabeça de teu filho ensinando-lhe hipóteses precárias que
amanhã de nada servirão.
Povoa de beleza o olhar inocente de teu filho.
Dá-lhe uma provisão de bondade que chegue para a marcha da vida.
Infunde-lhe na alma o amor de Deus e tudo o mais, por
acréscimo, ele terá."

quarta-feira, 10 de junho de 2009

O ENCONTRO
Amanhece...
A brisa é suave e fria, o céu de um azul intenso, o silêncio só é quebrado pelo canto dos passarinhos e um cheirinho de “junho” está no ar.
É o primeiro dia de um feriadão .Tempo para descansar, cuidar do jardim, estar com a família e com alguns amigos.
Respiro profundamente e agradeço a Deus por mais um dia , e baixinho digo:”Bom dia alegria”.
Por volta das dez horas saio de casa, pois quero estar com a minha mãe. Procuro fazer o mesmo caminho, mas tem várias ruas interditadas por causa da procissão de Corpus Cristhi.
Percebo uma pontinha de perturbação, um discreto incômodo por ter que ir mais longe para chegar ao meu destino.
Pouco tempo depois, estamos nós (eu e minha mãe), caminhando pela rua central observando as pessoas trabalhando no grande tapete, onde o Santíssimo Sacramento passará.
O tempo parece voltar. Aquela adolescente ajoelhada que vejo, sou eu colocando tampinha, espalhando serragem e pó de café até surgir um lindo desenho.
Tudo é maravilhoso. A rua central é uma enorme colcha de retalhos, sendo feita com muito amor e por muitas mãos.
A singularidade desse momento é marcada também pelo encontro com várias pessoas conhecidas e amigas. Sorrisos, uma palavra ligeira, um abraço apertado, um calor no coração. Não há carros, nem buzinas, não há auto-falante anunciando uma grande promoção. Não há pressa. Todos os olhares convergem para o mesmo ponto, tudo é vivido com muita intensidade.
Por volta das quinze horas aumenta o número de pessoas que a pé dirigem-se ao ginásio de esportes, local em que acontecerá a missa.
Só sinto a ausência do repicar dos sinos da Catedral!
Minha alma registra como que em flashes cada momento dessa experiência sublime.
Uma grande paz inunda todo o meu ser e tenho certeza que todos sentem o mesmo. Estamos vivendo o nosso melhor; estamos mais felizes, mais bondosos, em estado de graça.
Graça por poder perceber claramente a Presença real do Senhor, do Deus Vivo no meio de nós, e no centro da nossa cidade- vida.
Por algumas horas saímos da grande hipnose cultural a que estamos submetidos, acordamos e vivenciamos esse milagre.
Agora só desejo não esquecer essa verdade: as promessas de caminhos curtos, fáceis ou funcionais, capazes de retirar todos os obstáculos, não nos levam ao nosso destino, pois o destino tem mão única e se chama JESUS CRISTO: CAMINHO, VERDADE e VIDA.
Inspiração: Procissão de Corpus Cristhi em minha cidade em 08/06/07

quinta-feira, 4 de junho de 2009

DOCES SONHOS
Às vezes quando sinto -me cansada, sem brilho e mecânica em minhas ações e pensamentos; quando percebo meus olhos secos e monótonos para as novidades da vida, vou correndo para aquele cantinho que só eu posso chegar, pois está dentro de mim.
È um cantinho arejado mesmo quando passo muito tempo sem visitá-lo. Está sempre vivo e esperando-me de portas abertas.
Não consigo perceber-me claramente, mas tudo que existe ali reluz. O castelo da Cinderela com ela descendo correndo os degraus para pegar a carruagem que poderá a qualquer momento transformar-se em abóbora,um carrossel girando bem devagar com seus cavalinhos brancos.Tem também a fada Sininho com o Peter Pan na janela prontos para voar à terra do Nunca, o coelho da Alice correndo com o seu relógio, o Papai Noel
descendo o chaminé da casinha, os três porquinhos dançando e minha boneca preferida.
Há um magnetismo e um dinamismo enorme nessas imagens. Tudo está acontecendo - lá é sempre “agora”- e quando volto sinto-me mais leve e mais forte .
É a fantasia com o seu poder de avivar a vida e de permitir o transcender a outras paragens.
A fantasia e os sonhos são ingredientes fundamentais para o nosso desenvolvimento psíquico, por isso foi e é objeto de estudo da psicanálise.
Mas nos dias atuais infelizmente damos pouco valor à essas questões, até nossos folhetins (novelas) estão cada vez mais realistas.
Tornamo-nos racionais, lógicos, regidos por verdades científicas, muito ocupados para perdemos tempo com essas “basbaquices”.
Pensamento também cada vez mais predominante junto às crianças, onde o brincar tem que ter sempre uma funcionalidade.
Quando orientamos nossos jovens na escolha de suas profissões, sempre utilizamos critérios baseados no mercado de trabalho. Essa profissão dá dinheiro, status, reconhecimento social?
Pouco nos atentamos em perguntar-lhes: como sonham seu futuro ,como esperam contribuir para o aperfeiçoamento do mundo com o seu trabalho .
Ficamos presos no chão, cautelosos, pragmáticos e como consequência vamos esterilizando sonhos, fantasias e criando um grande sertão.
Talvez seja essa uma das razões que levam nossos jovens ao delírio quando são convocados a “tirarem os pés do chão”, ou quando buscam nas drogas e bebidas a maior diversão.
A vida teria mais valor e nós seríamos mais felizes se entendêssemos o sentido maior das nossas existências, se conseguíssemos ultrapassar a epiderme e chegar ao mistério profundo do Ser.
Ah! Como seríamos mais interessados e engajados com os estudos se n
ossos mestres nos mostrassem a beleza e a sabedoria que estão nas poesias , nas músicas e na religião.
Que gratificante seria se todos nós fossemos estimulados em nossos sonhos e fantasias e ouvíssemos frequentemente coisas assim tão lindas ,como essas ditas por Ivan Lins.

Se teu sonho for maior que ti
Alonga tuas asas
Esgarça os teus medos
Amplia o teu mundo
Dimensiona o infinito
E parte em busca da estrela...
Voa alto!

Voa longe!
Voa livre!
Voa!
E esparrama pelo caminho
A solidão que te roubou
Tantas fantasias
Tantos carinhos
e tanta vida!



http://www.youtube.com/watch?v=PDHKAt5_1Mk









terça-feira, 2 de junho de 2009


A MÁSCARA DO MEU ROSTO

Nélida Pinõn
ESTOU PRESTES A SAIR DE CASA.Abro o armário.Urge escolher a máscara, das muitas que tenho, para ir á rua.Com ela enfrentarei os dissabores e as aventuras do meu cotidiano.Afinal, ela é a ponte que cruzo para alcançar os demais seres.Minhas máscaras acomodam-se na prateleira, em meio às bolsas.Todas parecidas, elas diferenciam-se entre si apenas em detalhes imperceptíveis aos olhos alheios.São raros aqueles que surpreendem a natureza da minha máscara.Reconhecem que rio, choro, ou encontro-me na iminência de velejar para um hemisfério longíquo,de onde, quem sabe, não regresso tão cedo. Enquanto muitos confessam, em consonância com triste adágio, que suas vidas são um livro aberto, nada tenho a esconder dos homens, sou justo o contrário, não sei viver sem as máscaras, que me protegem, são a salvaguarda da minha liberdade.E ainda que se provem elas em muitos momentos incapazes de me proteger, não importa. Afinal, a vida não permite previsões, lances antecipados.para enfrentar certos conflitos, seria necessário revestir-se da máscara de ferro, que traz consigo o sopro da morte.
Duvido que alguém prescinda do uso da máscara. Ande inadvertido pelo mundo, oferecendo o rosto cru dos seus sentimentos.Desajeitado e pobre, quando poderia dispor, a qualquer hora, de mais de mil máscaras, capazes todas de impulsionar o espetáculo humano, de corresponder a natureza secreta do seu dono, de encharcar de vinagre e esperança qualquer coração. As máscaras que levo pelas manhãs coladas à pele têm recursos múltiplos.Fogem ao meu controle.Fazem-se de gestos, do franzir da testa, das rugas em torno dos olhos, dos sulcos próximos à comissura dos lábios.Integram um sistema que esconde e revela ao mesmo tempo quem sou.Desgovernada, inescrupulosa, cheia de razão e de fúria, padecendo como os demais, da enfermidade dos sentimentos.E que embora esteja sob a guarda das máscaras, não está a salvo dos que nos observam com luneta.Donos de um olhar que semeia,a respeito de quem seja, uma versão contrária à que queríamos.As máscaras, sem dúvida, ajudam-me a viver. Levam-me às cerimônias solenes, onde confirmo a educação recebida.Acompanham-me nos momentos em que sangro, a despeito da minha aparente indiferença.E são elas ainda que me perguntam qual das máscaras usar em determinada festa. Acaso a máscara que engendrei ao longo dos anos, e que me serve como um chinelo velho? Aquela que é dissimulada, cujo desassombro asusta-me, pois revela aos vizinhos o que eu mantinha sob resguardo? Ou a outra, que aspira sobrepor-se à tirania das convenções, que rasgar o véu da hiprocrisia, emitir as palavras acomodadas no baú dos enigmas? Será a máscara que alardeia, arrogância, ansiosa por deixar consignada nas paredes do mundo uma única mensagem que justifique sua existência?Olho-me ao espelho.Estarei usando máscara mesmo quando estou sozinha?Acaso já não vivo sem ela, só respiro por meio de seus artifícios?È ela que me deixa ser alada e terrestre, me permite voar e contornar seres e objetos de cristal? É a máscara que pousa desajeitada no meu próprio rosto, onde há de ficar para sempre, até derreter um dia como se fora feita de cera?

Fonte:O Estado de São Paulo,suplemento feminino/1997

sábado, 30 de maio de 2009




QUADRAS AO GOSTO POPULAR

DE FERNANDO PESSOA


Livro:Fernando Pessoa:O amor bate à porta. Elias José










Não digas mal de ninguém,

Que é de ti que dizes mal,

Quando dizes mal de alguém

Tudo no mundo é igual.


Todas as coisas que dizes

Afinal não são verdade,

Mas, se nos fazem felizes,

isso é a felicidade.







Toma lá, minha menina,

O ramalhete que fiz.

Cada flor é pequenina,
Mas tudo junto é feliz.






Quando vieste da festa,

Vinhas cansada e contente,

A minha pergunta é esta;

Foi da festa ou foi da gente?











Ribeirinho, ribeirinho,

Que falas tão devagar,

Ensina-me o teu caminho
De passar sem desejar amar.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

FÉ E SATISFAÇÃO INSTANTÂNEA
Em nossos dias , a precariedade não é uma questão de escolha,é o destino.Ter fé significa ter confiança no significado da vida e esperar que aquilo que fazemos ou desistimos de fazer terá uma importância duradoura.
A fé vem fácil quando a experiência da vida confirma que esta confiança é bem fundamentada,mas em nossos dias são difícies para a fé, afirma o sociólogo polonês Zygmunt Bauman. Por causa da evidente transitoriedade e vulnerabilidade de tudo que conta na vida terrena, nosos tempos não são hospitaleiros para a confiança nem, em termos mais gerais; para objetivos e esforços de longo prazo.Flexibilidade é a ordem do dia. Ninguém pode sentir-se realmente insubstituível; mesmo a mais priviligiada posição pode se mostrar temporária e sujeita a "até novo aviso".

Na ausência da segurança de longo prazo a "satisfação instântanea parece uma estratégia sedutora razoável.O adiamento da satisfação perdeu sua facinação, pois é altamente incerta. Num mundo em que o futuro é cheio de perigos qualquer chance não aproveitada aqui e agora é uma chance perdida.
Assim a política de "precarização" leva ao desbotamento e o despedaçamento de laços, comunidades e parcerias.
Compromissos do tipo"até que a morte nos separe" se transformam em contratos "até que a satisfação diminua".
O vínculo humano não é algo a ser realizado por meio de um esforço, de sacrifício,mas, assim como todos os outros objetos de consumo, algo de que se espera satisfação imediata.Portanto, não faz muito sentido tentar salvar a relação.
Uma parte crucial de qualquer fé é o investimento de valor em alguma coisa mais durável; algo que dure e resista ao impacto corrosivo do tempo.
A fé pode ser uma questão espiritual, mas para manter-se firme é necessária uma ancoragem mundana: as amarras devem penetrar fundo na experiência da vida cotidiana e essa tem nos treinado a perceber o mundo como um contêner cheio de objetos descartáveis; o mundo inteiro inclusive outros seres humanos.


fonte: livro A sociedade individualizada/Zygmunt Bauman

Para encantar e cantar neste final de semana

http://www.youtube.com/watch?v=m_33QsBWrU4



sexta-feira, 22 de maio de 2009


É Proibido
É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer.
Ter medo de suas lembranças.
É proibido não rir dos problemas.
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,
Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor.
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos.
Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,
Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,
Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,
Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,
Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,
Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,
Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.
(autor desconhecido)

Para relaxar: http://www.youtube.com/watch?v=avZFwKVZo7s
Para admirar:
Recebi por e-mail,
O "Semeador de Estrelas" é uma estátua que está em Kaunas, Lituânia (ex-U.R.S.S.). Durante o dia pode até passar despercebida, como mostra a foto. Um bronze a mais, herança da época soviética.



Mas quando a noite chega, a estátua justifica seu título. Com a escuridão seu nome passa a fazer sentido. Vejam, então a foto tirada à noite:

O efeito de luz e sombra semeia as estrelas

domingo, 17 de maio de 2009


MAIS CONFIANÇA!
baseado nas idéias de Hilan Bensusan
Audre Lorde disse que os instrumentos do mestre não podem ser usados para desmantelar a casa do mestre.
Quais são os instrumentos do mestre?
Eis aqui o instrumento do mestre: Confiança
A confiança é subversiva em nossas sociedades desconfiadas.Agir com desconfiança é visto como cuidar da própria pele. A desconfiança estreita nosso campo de ação; constrói uma mentalidade defensiva. As cercas, são as cercas até onde chega alguma confiança.A desconfiança é uma atitude de cercamento, uma atitude de estabelecer fronteiras-quando desconfiamos das pessoas não podemos compartilhar propósitos; nos melhores casos toleramos propósitos distintos.
Como nos lembra o filósofo Mario Sergio Cortella, "tolerar" é suportar enquanto "acolher" significa receber o outro na qualidade que lhe é inerente e entrar em contato com ele.
A desconfiança é o avesso do acolhimento:é apostar que as outras pessoas são ameaças. A desconfiança produz uma mentalidade de rabo-preso:não posso desguarnecer minha propriedade; o que é meu, apenas eu posso defender- e é preciso que alguém defenda.
Os limites da confiança traçam o limite do que eu reconheço como parte de um âmbito em que eu faço parte. Os limites da minha confiança são, em algum sentido, os limites do âmbito em que eu me movo-do meu mundo.

Confiar é conhecer;eu confio no que eu conheço-na medida em que eu conheço-mas conhecer é, também ser capaz de confiar.
Naquilo que eu conheço eu me fio,naquilo que eu não conheço eu apenas me projeto.
A confiança também é nossa expectativa com respeito ao que ignoramos.
A cultura da desconfinça se nutre da cultura do medo.Pontes não podem ser erguidas se tememos que só há areia movediça na ilha que queremos alcançar.

Os mecanismos de poder germinam em um ambiente em que a confiança é escassa.
fonte:www.urb.br/ih/fil/hilano/papers/confian.pdf

terça-feira, 12 de maio de 2009


A AFETIVIDADE E A SEXUALIDADE NA VIDA DO CASAL
O casamento tem servido à cultura e à sociedade como uma instituição ou como um rito de passagem.
Cada pessoa busca nele um significado diferente: proteção, segurança, realização amorosa,intimidade , sentimento de pertencer, de fugir da solidão,etc.
Muitos sentimentos estão presentes nessa relação: atração, sexualidade, ternura, comprometimento, amizade, admiração, comunicação e todos eles vão ajudar a construir essa relação , ou podem levar a um progressivo afastamento, à sensação de solidão, à agressividade, sentimentos de frustração e quando se tornam insuportáveis à separação do casal.
O casamento é um espaço para experiências de intimidade, respeito, responsabilidade e nutrição assim como deve haver a possibilidade da
expansão da individualidade de cada um e ao mesmo tempo o cultivo de um nós terno e forte.
Algumas correntes de pensamento acreditam que na maioria das vezes não é o tipo de relacionamento a causa de problemas, mas sim a natureza e a inteligência para lidar com as emoções que cada membro do casal tem que mais influencia na harmonia e na possibilidade de uma relação afetiva ser satisfatória.
Se o casamento é por um lado a concretização dos sonhos e dos desejos românticos, é também um período de luto, no qual abandonamos muitos sonhos como o da felicidade total.
O casamento tem final realista de certa forma, representa a morte, pois é preciso renunciar, abandonar a preocupação individual e incluir o outro na sua vida.
A sexualidade também é parte importante da relação conjugal e para que ela exista e se mantenha dois fatores são extremamente importantes:
O comprometimento e a ternura, e para que esses ingredientes possam surgir é necessário a tolerância á ambivalência(amor/ódio).

As diferenças entre os cônjuges:
A comunicação é um dos pontos de grande importância no relacionamento, pois muitas vezes aquilo que precisa ser expresso para possibilitar o crescimento e o desenvolvimento do casal , dependendo do modo como é feito, pode colocar em risco a relação.
A partilha de sentimentos profundos é extremamente importante e é uma experiência difícil e geralmente rara, devido às características de ambos os sexos, tanto na forma quanto na necessidade de se comunicar.
Por exêmplo quando os homens sentem que algo os está incomodando, procuram o afastamento para pensar silenciosamente, diferentemente das mulheres que desejam conversar.
Essas diferenças e muitas outras entre os sexos podem ser pedras que dificultam as relações.
As mulheres conseguem ter mais intimidade em suas relações e sua tendência é manter o foco na interação/vínculo, enquanto os homens voltam-se para a tarefa.
Além da dificuldade de comunicação que no meu ponto de vista atualmente ainda é a mais difícil- há outras dificuldades na relação conjugal que impedem o desenvolvimento de uma maturidade afetiva e de uma sexualidade prazerosa.
Cada um vem para o casamento com expectativas a respeito do agir do outro, sempre baseadas no próprio modo de agir, ou no modo de agir da família de origem.
Estas expectativas levam a constantes conflitos e desentendimentos, decepções, desgastando a relação.
Apesar das muitas diferenças , ambos tem a mesma necessidade de amor e a mesma busca de suprimir anseios e carências, o que os movimenta um em busca do outro.
Solidão a dois:
Quando uma pessoa se liga afetivamente a outro, a tendência natural é se mostrar mais nas fraquezas, sempre buscando maior intimidade, entrega e pertença.
O resultado disto, caso o parceiro não corresponda a estas expectativas é a sensação de solidão apesar de estar acompanhado.
Os autores apontam a falta de comunicação, ou as dificuldades a ela relacionadas, como um grande problema na relação conjugal e vê na recusa em conversar um ato de hostilidade implícita.
A comunicação em relação à sexualidade também, pois uma ofensa pode não ser física ou oral, mas um toque de forma fria, desatenta, egoísta acerca das necessidades sexuais do parceiro pode resultar em sentimento de abuso e/ou de solidão.Quando se está afetivamente envolvido com o outro, o que se quer é ser desajado pelo parceiro.
Outros fatores são responsáveis pela solidão à dois: constantes críticas, acusações, intransigência em relação ás mudanças que se fazem necessárias para que a relação melhore, negligência, esperar que o outro mude primeiro etc.
Frustração: é o elemento que desencadeia a agressividade ou a hostilidade entre pessoas que se amam.É importante lembrar que dificilmente um relacionamento é fonte constante de satisfação, pois é impossível um satisfazer ao outro em tudo(desejos/necessidades).
A vida afetiva do casal é portanto um constante aprendizado em busca de um amor cooperativo, baseado na comunicação, respeito e numa convivência enriquecedora de troca e de capacidade de suportar a ambivalência amor/ódio.
Outros fatores que afastam afetivamente o casal e consequentemente sexualmente são:
Poucos objetivos em comum
O não dito ou o dito que tem como resultado o rancor
O egoísmo do parceiro em não colaborar com os projetos pessoais do outro.
Para que o relacionamento seja construtivo è preciso que os sentimentos positivos prevaleçam em relação aos sentimentos negativos.
O compartilhar e o interesse sincero na realização do outro são itens importantes para um casamento harmonioso.
É importante também não negar que problemas existem na relação conjugal e que isso não é sinal “ de que não dá mais” e sim sinal de que é preciso olhar e falar sobre as dificuldades.
Viver a relação conjugal pode e deve ser uma escola para os parceiros e para seus filhos onde se aprende a tolerância, o amor e o respeito à diversidade .






sábado, 9 de maio de 2009

MÃE
A mulher segura sua filha no colo e a olha com ternura. A criança deve ter uns dois anos e dorme tranquilamente. Sua face expressa entrega e serenidade.
Lembro-me do personagem do livro "Terra dos Homens "de Saint-Exupéry que ao
ver uma criança dormindo no colo da mãe, inclina-se e diz: “eis a face de um músico, eis Mozart criança, eis uma bela promessa de vida.”
Agora me recordo de ter visto nos noticiários, muitas mães com seus filhos no colo, nas filas dos prontos-socorros esperando receber cuidados médicos, ou correndo atrás de um caminhão que fará entrega de alimentos, e outras tantas enterrando os filhos mortos por balas perdidas.
Vejo mulheres guerreiras tão maltratadas e que mesmo assim não desistem de viver.
Novamente a fala do personagem do livro me vem à mente:
“as sopas populares não remedeiam. O que me atormenta não são faces escavadas nem essas feiuras. É Mozart assassinado, um pouco, em cada um desses homens”.
Hoje, o número de mulheres que encabeçam as famílias brasileiras com os seus salários é cada vez maior, assim como as exigências feitas não param de crescer: ser dinâmica, inteligente, bela, sensual, companheira do marido, mãe dos filhos, mãe dos pais e tantas outras tarefas.
A mulher afasta-se assim cada vez mais da sua essência, e, consequentemente passa a apresentar mais problemas na sua saúde física e emocional. A humanidade também se faz cada vez mais deserto e sem sombra-colo para despertar no rebento uma bela promessa da vida.
No dia dedicado às mães, deveríamos não só sair às compras e sim refletir como mudar tudo isso, de tal forma que as mães possam gerar seus “ Mozart “, e serem mais valorizadas pela função maternal , que é a maior e mais sublime tarefa da vida.
escrito em maio/2008

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quarta-feira, 6 de maio de 2009

Ecologia Emocional
Existe uma ecologia das idéias danosas,
assim como existe uma ecologia das ervas daninhas".
Gregory Bateson

"... assim como algas mutantes invadem as àguas de Veneza, assim também uma outra espécie de alga, desta vez relativa á ecologia social, consiste nessa liberdade de proliferação que é consentida a homens como Donald Trump que se apodera de bairros inteiros de Nova Iorque, de Atlantic City para renová-los, aumentando os aluguéis e ao mesmo tempo rechaçando dezenas de milhares de famílias pobres cuja maior parte é condenada a se tornar "homeless"( sem lar)- o equivalente dos peixes mortos da ecologia ambiental." Leonardo Boff
Outro desastre ecológico (social) é o trabalho infantil, onde as organizações internacionais tem muito pouco controle desses fenomênos que exigem uma mudança fundamental de mentalidade.
Devemos lembrar também que não só as espécies desaparecem, mas também as palavras, as frases, os gestos de solidariedade humana, o toque, o amor,a confiança.

Reconhece -se que uma mente ou um coração pode tornar-se depósito de elementos poluentes que não desaparecem com o tempo- não são degradáveis.
Tanto o coração como a mente podem acumular suficiente dejetos de experiências de não amor, frustração, violência, traição ou falsidade, de forma a criar condições que não possibilitem o nosso sistema vital processá-los.
Surgem assim os conflitos que não são transformados, que permanecem em seu estado original sem permitir reciclagens.
Podemos perguntar como faz Nilton Bonder:
Que tamanho e que efeitos estaria o "buraco negro das mentes humanas?

Reclama-se das queimadas indiscriminadas mas ninguem procura apagar a fogueira das vaidades que tanto bloqueiam e distanciam o homem do verdadeiro ideal.
Fala-se de poluição sonora mas e a agressividade verbalizada no cotidiano de nossas vidas?
fala-se do desgaste dos recursos naturais mas não nos preocupamos com o do corpo físico.(consumo exagerado de drogas, bebidas, trabalho excessivo, sexo).
Ou realizamos limpezas estruturais, permitindo-nos crises ou sacudidas, ou nossas mentes vão produzir "solo fértil "para pensamento e sentimento poluentes.
Devemos pois ser muito cuidadosos com o que penetra em nossos corações para que estes não sejam poluentes.
AGENTES TÓXICOS QUE AJUDAM A ESGOTAR AS NOSSAS ENERGIAS:
FALTA DE CUIDADO COM O CORPO E HÁBITOS ERRADOS
PENSAMENTOS OBSESSIVOS
SENTIMENTOS TÓXICOS ( RAIVA- INVEJA/CÍUMES)
FUGIR DO PRESENTE
FALTA DE PERDÃO
MENTIRA PESSOAL
VIVER A VIDA DO OUTRO
BAGUNÇA E PROJETOS INACABADOS
AFASTAMENTO DA NATUREZA

Fonte: A cabala da inveja/Nilton Bonder
Ètica da vida/Leonardo Boff
O retorno do sagrado/Raíssa Cavalcanti




















domingo, 3 de maio de 2009

Aprendizes das Estrelas
O caminho da vida humana geralmente é dividido em fases: infância, adolescência,maturidade e velhice.
Assim compreendido pode nos dar a impressão que a vida consiste numa série de fases, perfeitamente distintas e independentes, que se movem em direção a um final- a morte.
Mas se apurarmos um pouco mais a nossa percepção, vemos que cada vida é um deslizar gradual e imperceptível de condição para condição, assim como a transição do dia para a noite.
Mesmo acompanhando minuto por minuto, não somos capazes de determinar o momento exato que o dia termina e a noite começa.
Apesar disso, chega um momento em que está completamente escuro, e então sabemos que é noite e aí é possível contrastá-la com o dia.
Assim acontece com as pessoas.
Chega um momento que o indivíduo já adquiriu tantas características da maturidade que a juventude faz parte de suas lembranças;podemos então dizer que essa pessoa atingiu a maturidade.
E como deve ser vivido esse percurso?
Goethe dizia que “ Nós viajamos não apenas para chegar , mas para viver enquanto viajamos”.
Assim deve ser nossa postura diante da vida.
Olhar cada período do nosso viver como tendo os seus encantamentos evitando, assim, cair no senso comum de acreditar que a aurora é mais fértil que o entardecer.
São momentos diferentes, sim, mas cabe a cada um de nós descobrir e aceitar o propósito de cada momento. Entardecer em nossas vidas pode assim ser visto como uma etapa que não prenuncia a escuridão total cheia de medos, mas a beleza das estrelas.
Aprendizes das estrelas traz metafóricamente uma visão de como olhar e aprender com a velhice e os idosos.
Como estrelas que pontuam a nossa existência e que muitas vezes nem olhamos.
Estrelas que tiveram sempre a função de orientar os seres humanos em suas viagens.
Que tem luz própria, indicando o percurso de uma vida, e que ao contemplá-las estamos também contemplando o seu passado.
Velhos-estrelas: vê-los, ouvi-los, amá-los, deixar-nos envolver pela sua luz, pelo seu passado, pela sua biografia, pelo seu presente, só nos enriquece, pois nos indica a direção que devemos tomar e... o que não devemos repetir.
(1998)

à uma estrela inesquecível :Alice (minha avó)

quinta-feira, 30 de abril de 2009



Sobre Fotografia

Susan Sontag









"Tirar uma foto é ter um interesse pelas coisas como elas são, pela permanência do status quo(pelo menos enquanto for necessário para tirar uma boa foto), é estar em cumplicidade como que quer que torne um tema interessante e digno de se fotografar-até mesmo, quando for esse o foco de interesse, com a dor e a desgraça de outra pessoa".

"Fotos fornecem um testemunho".
"Uma foto equivale a uma prova incontestável de que determinada coisa aconteceu".

O resultado mais extraordinário da atividade fotográfica é nos dar a sensação de que podemos reter o mundo inteiro em nossa cabeça-como uma antologia de imagens.

COLECIONAR FOTOS É COLECIONAR O MUNDO

segunda-feira, 27 de abril de 2009


SERTÃO DA ALMA
Convidada por um amigo a conhecer o sertão de Carlinhos Brown e Marisa Monte- Segue o Seco, mais do que depressa tomei minhas precauções; do lado direito do peito tenho Riobaldo que vai logo me explicando: “o sertão está em toda a parte” e do lado esquerdo , Bernardo Soares,o instigante guardador de livros que me sussurra:“a paisagem é um estado da alma”.
Corajosa ou medrosamente ouso contrariar o grande mestre Guimarães Rosa que já alertava :“o deserto é uma experiência avessa à convivência”.
Mas iniciemos a travessia...


A boiada seca
Na enxurrada seca
A trovoada seca
Na enxada seca
Segue o seco sem sacar que o caminho é seco
Sem sacar que o espinho é seco
Sem sacar que seco é o Ser Sol
Sem sacar que algum espinho seco secará
E a água que sacar será um tiro seco
E secará o seu destino secará
Ô chuva, vem me dizer
Se posso ir lá em cima prá derramar você
Ô chuva, preste atenção
Se o povo lá de cima vive na solidão
Se acabar não acostumando
Se acabar parado calado
Se acabar baixinho chorando
Se acabar meio abandonado
Pode ser lágrimas de São Pedro
Ou talvez um grande amor chorando
Pode ser o desabotoado céu
Pode ser coco derramando

Ufa! A experiência do sertão é a experiência de um NÃO, de uma negação à continuidade da vida. É a carência de tudo que é básico .
O sertão está na terra, na natureza, na vida, nos sentimentos, está em toda a parte.” O sertão está no mundo”.O sertão está dentro do homem. O sertão está dentro de mim e de você.
E estamos cada vez mais nos embrenhando no grande sertão! Vidas povoadas de vazios e de medo.Veredas ambíguas que mais confundem do que clareiam os caminhos.
Instaura-se a insegurança na ausência da força de uma ação e de uma fé firme, e o NÃO é cada vez mais seco.
É a vida vibrando na frequência mais baixa, frequência da escassez de sentimentos, sem sacar que a falta de carinho, de amor, de encontro, seca o caminho e esteriliza o destino.É o sertão avesso à convivência,é a vida seca e sem mistério.
Parados,calados ou chorando baixinho, seremos sertanejos de emoções seguindo o seco.
Coração não pulsa, as cores desbotam , tudo se arrasta perdendo o viço.A alma se esvai e fica só a boiada seca.
O sertão da alma? É esse que Rosa nos diz: “No sertão, o homem é o eu que ainda não encontrou um tu; por ali os anjos e o diabo ainda manuseiam a língua”.
Mas ainda há tempo, chama-nos o mestre. “Perto de muita água, tudo é feliz”.
A chuva é a água que se doa, aquela que renova a vida; a esperança dos sertanejos que ficam à espera dela, pois através dela, haverá o que comer.
A chuva, é o amor -lugar transformador, a terra pródiga que deve ser desbravada em nossos sertões particulares diáriamente, incessantemente e incansávelmente .






sexta-feira, 24 de abril de 2009

Em estado de graça!!!!!
pois estou lendo "Grande Sertão:Veredas" de João Guimarães Rosa, e quero compartilhar com vocês...
"A linguagem e a vida são uma coisa só.Quem não fizer do idioma o espelho de sua personalidade não vive." João Guimarães Rosa

"Como não ter Deus?! Com Deus existindo, tudo dá esperança:sempre um milagre é possível, o mundo se resolve.Mas, se não tem Deus, há de a gente perdidos no vai e vem , e a vida é burra.É o aberto perigo das grandes e pequenas horas,não se podendo facilitar-é todos contra os acasos.Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois, no fim dá certo.Mas, se não tem Deus, então, a gente não tem licença de coisa nenhuma! porque existe dor.E a vida do homem está presa encantoada-erra rumo, dá em aleijões como esses, dos meninos sem pernas e braços."

"Que isso foi o que sempre me invocou, o senhor sabe: eu careço de que o bom seja bom e o ruím ruim, que dum lado esteja o preto e do outro o branco, que o feio fique bem apartado do bonito e a alegria longe da tristeza! Quero os todos pastos demarcados...
Como é que eu posso com este mundo? A vida é ingrata no macio de si; mas transtraz a esperança no meio do fel do desespero.Ao que, este mundo é muito misturado..."



Ler Guimarães Rosa, segundo as palavras de Gilberto Safra nos coloca numa situação de limpeza de ouvido que nos abriga a receber o novo.
"Tudo é novo, é estranho, enigmático e nós temos que para progredir, consentir que o texto nos afete e nos carregue".



quarta-feira, 22 de abril de 2009

FELICIDADE
Fui assistir,"Quem Quer Ser um Milionário?" de Danny Boyle , e lembrei-me de uma matéria de Contardo Calligaris publicada na Folha de São Paulo em maio de 2008, intitulada "Projeto de felicidade".
Para Calligaris o ganhador é quem teve uma alta qualidade de experiência, seja qual for, que tenha sido intensamente ,e ,o verdadeiro perdedor é aquele que, na última hora, olhando para trás, vai ter a impressão de que desperdiçou a sua corrida. Contardo ao ser sabatinado pela Folha nessa ocasião afirmou não acreditar em projeto de felicidade,pois é concebido para nos manter na insatisfação, o que é absolutamente necessário numa sociedade de consumo.
Assim entendi o filme, o personagem Jamal um indiano pobre "materialmente" mas com uma alta qualidade de experiências acaba ganhando o jogo e torna-se milionário.Não só ganha o prêmio mas consegue o grande amor da sua vida. Por lutar desde pequeno pelo que queria, por perseguir e viver dentro da verdade e honestidade, ele é o grande campeão. Isso é felicidade.

sábado, 18 de abril de 2009

CURTO-CIRCUITO DAS LEMBRANÇAS
O site da SBPC (http://www.jornaldaciência.org.br/) traz uma matéria que também foi tema de reflexão da neurocientista Suzana Herculano -Houzel na Folha Equilíbrio (Folha de São Paulo-16/04/09) sobre substâncias que poderiam supostamente apagar memórias ,mesmo as antigas e que em teoria estariam "consolidadas" no cérebro.
Um tipo de droga seria o dos betabloqueadores, normalmente usados para o controle da pressão alta. O ZIP substância estudada pelo neurocientista Yadin Dudai, bloqueia uma enzima implicada nas mudanças celulares que possibilitam a formação de memórias.
Assim se você deseja esquecer um trauma de infância,ou o enjoo da gravidez ou um ex-namorado,zip nelas.
— A possibilidade de alterar e editar a memória abre uma série enorme de possibilidades e levanta sérias questões éticas — alerta Steven E. Hyman, um neurobiologista da Universidade de Harvard.Ele adverte que se memórias traumáticas podem ser torturantes, lembrar que coisas ruins existem é essencial para a formação da consciência moral.

A neurocientista Suzana Herculano-Houzel cita em seu artigo uma palestra com Thomas Murray , especialista em ética, onde ele relatou uma experiência pessoal e muito dolorosa que foi a morte de sua filha de 16 anos, assassinada pelo namorado sociopata.
Na época já se falava dessa possiblidade do ZIP e ao ser indagado se usaria uma substância como essa,para apagar as memórias dolorosas associadas à filha, ele respondeu que não.
"A dor de perdê-la era uma parte integral do que lhe restava da filha: a memória.Esquecer essa dor seria uma desonra à vida breve da filha e às marcas que ela deixou nele".
Concordo integralmente com a opinião da neurocientista quando finaliza sua matéria dizendo :"(...)Talvez algumas dores devam de fato ser deixadas para trás-objetivo, aliás, de tantas terapias:ressignificar as dores."
Recorrer ao ZIP seria apagar a nossa essência, a nossa identidade.Isso no meu ponto de vista já é demais!


Contardo Calligaris, psicanalista, comentando este estudo diz o seguinte:
"Trauma não é uma lembrança muito forte.É um evento lembrado de forma insuficiente".
(...) "A solução do trauma não consiste em apága-lo, mas ao contrário, em lembrá-lo melhor".

terça-feira, 14 de abril de 2009

QUER BRINCAR COMIGO?
O compositor e cantor Renato Teixeira na música “Amora” diz o seguinte:”Depois da curva da estrada tem um pé de araçá”.
A proposta é que você interrompa por alguns minutos esta leitura, e brinque com sua criatividade, com certeza você se surpreenderá. E depois mande para este blog, vamos compartilhar nossos tesouros.
Depois da curva da estrada o que você espera encontrar?

Vou fazer o meu exercício:
Depois da curva da estrada tem...
uma mão envelhecida, de dedos longos e finos. Ela se oferece todinha à mim e eu a agarro como uma criança sedenta.È a Generosidade. Depois da curva da estrada tem...
uma casinha toda pintada de rosa choque, com cortina rendada na janela, um quintal bem grande e nele um varal com roupas coloridas bailando com o vento.
Depois da curva da estrada tem...
uma feirinha com magias mil. Tem redes bordadas de afagos para descansar.Tem barraquinha (com uma fila imensa) que troca nossos pecados pelas melhores virtudes;tem até artigos de luxo oferecidos a preços bem convidativos: chá de paciência, vitaminas de confiança, redutores de medo, amaciante de afetos, e outras coisinhas mais.
Depois da curva da estrada tem...
uma pista de dança e a Vida toda exuberante tira-me para dançar, e com seus passos imprevisíveis diz bem baixinho em meu ouvido:”Entregue-se, não tenha medo de mim”.
Depois da curva da estrada tem...
um túnel bem longo onde fica cada vez mais escuro .












































Apontadora de Idéias

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"A senhora me desculpe, mas no momento não tenho muita certeza. Quer dizer, eu sei quem eu era quando acordei hoje de manhã, mas já mudei uma porção de vezes desde que isso aconteceu. (...) Receio que não possa me explicar, Dona Lagarta, porque é justamente aí que está o problema. Posso explicar uma porção de coisas... Mas não posso explicar a mim mesma." (Lewis Carroll)

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