quarta-feira, 13 de janeiro de 2010


NÓS VOS PEDIMOS COM INSISTÊNCIA:
NÃO DIGAM NUNCA: ISSO É NATURAL!
DIANTE DOS ACONTECIMENTOS DE CADA DIA,
NUMA ÉPOCA EM QUE REINA A CONFUSÃO.
EM QUE CORRE SANGUE,
EM QUE O ARBITRÁRIO TEM FORÇA DE LEI,
EM QUE A HUMANIDADE
SE DESUMANIZA,
NÃO DIGAM NUNCA: ISSO É NATURAL!
PARA QUE NADA PASSE A SER IMUTÁVEL!
Bertold Brecht

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010




"Se ficar o bicho pega;
se correr o bicho come;
se juntar o bicho foge".

Roberto Crema








..."Como sabemos,
o oposto da paz não
é o conflito;
é a estagnação".


Roberto Crema











"O maior naufrágio é não partir".

..."Nenhum vento é favorável
para aquele que não sabe
onde quer chegar".
Amyr Klink









sábado, 9 de janeiro de 2010


Meu maior medo
não é morrer sozinho, ainda que morrer sozinho, sem visitas em um hospital ou sem pássaros num asilo, é tão triste quanto uma pilha de discos de vinil para vender. Meu maior medo é viver sozinho e não me acompanhar. Meu maior medo é ter um dia de aniversário por ano para lembrar de que não nasci, de que estou "apenas olhando".
Meu maior medo é perder a curiosidade da solidão. Ficar com alguém para disfarçar a espera, esquecendo do egoísmo de prender esse alguém de uma nova chance. Meu maior medo é ser reconhecido por aquilo que poderia ser. Meu maior medo é dizer sim para desistir depois, dizer não para querer depois. Meu maior medo é não ser avisado pelo medo. Meu maior medo é fingir que estou bem e me contentar em afirmar "o problema não é você, sou eu" em cada fim de relacionamento. E não acreditar nisso, seguir sendo o problema dos outros para me livrar de meu problema.
Meu maior medo é viver sozinho e não ter fé para receber um mundo diferente e não ter paz para se despedir.

Meu maior medo é almoçar sozinho, jantar sozinho e me esforçar em me manter ocupado para não provocar compaixão dos garçons. Meu maior medo é ajudar as pessoas porque não sei me ajudar. Meu maior medo é desperdiçar espaço em uma cama de casal, sem acordar durante a chuva mais revolta, sem adormecer diante da chuva mais branda. Meu maior medo é a necessidade de ligar a tevê enquanto tomo banho. Meu maior medo é conversar com o rádio em engarrafamento. Meu maior medo é enfrentar um final de semana sozinho depois de ouvir os programas de meus colegas de trabalho.

Meu maior medo é a segunda-feira e me calar para não parecer estranho e anti-social. Meu maior medo é escavar a noite para encontrar um par e voltar mais solteiro do que antes. Meu maior medo é não conseguir acabar uma cerveja sozinho. Meu maior medo é a indecisão ao escolher um presente para mim. Meu maior medo é a expectativa de dar certo na família, que não me deixa ao menos dar errado. Meu maior medo é escutar uma música, entender a letra e faltar uma companhia para concordar comigo. Meu maior medo é que a metade do rosto que apanho com a mão seja convencida a partir com a metade do rosto que não alcanço. Meu maior medo é escrever para não pensar."(Fabrício Carpinejar - Pais e filhos, maridos e esposas II )

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Lições na madrugada

“As coisas estão no mundo eu é que preciso aprender”
Paulinho da Viola

Há muito tempo eu não escutava um galo cantar de madrugada, até que uma noite dessas “re-vivi” essa experiência.
Acordei ou fui acordada, não sei bem, com o canto do galo, melhor dizendo, com o canto dos galos, pois um galo não canta sozinho. Há, sempre, um outro galo que lhe responde de longe. Olhei no relógio, eram quatro horas da manhã.
A primeira impressão, confesso, não foi muito boa. Senti uma discreta nostalgia e uma pequena chateação, pois talvez demorasse em pegar no sono novamente.
Mas lentamente fui embalada pela magia daquele canto longo e suave, e algumas lembranças rapidamente vieram ao meu encontro. Deixei-as de lado e voltei minha escuta para a característica melódica de suas notas, e, pela relação que se estabelecia entre os dois galos.
Quantas lições há em um canto de galos na madrugada.
A princípio,lembrei-me de ter lido que o galo simboliza a fé, pois ele canta na hora mais escura da noite, anunciando o amanhecer.A fé é a certeza que brota do nosso interior nos momentos em que tudo parece indicar o contrário. Mas naquele canto dos galos dei-me conta de tantas outras coisas, como a harmonia, candura e cumplicidade que existe nesta comunicação, e fiquei pensando se não é um bom exemplo do que pode ser um diálogo entre duas ou mais pessoas.
Falo do respeito que é escutar o outro até o final da sua comunicação, dar então uma pausa e só depois se manifestar. Não vi pressa nem interrupção de um galo enquanto o outro cantava, e sim o silêncio como um convite ao outro para que ele se manifestasse até o final.
Bem diferente do que geralmente acontece com muitos de nós, que sempre interrompemos o outro colocando a nossa opinião ou mesmo acreditando que já sabemos onde ele irá chegar com suas ideias.
Que bela lição a aprender quando escutei a harmonia existente no canto sem competição, sem necessidade de cantar um tom mais alto do que o outro; pelo contrário, pareceu-me que o desafio era cantar como o outro cantava.
Sei que são sentimentos meus que estou colocando nos galos, mas isso não diminui em nada a lição dessa madrugada que pretendo colocar em prática no meu amanhecer quando estiver junto às pessoas.
Quero viver o diálogo verdadeiro, pois a manifestação das ideias deve ser um belo canto que convide o outro a cantar sua alteridade com total maestria.

fonte: Crônica escrita por Eliete T. Cascaldi Sobreiro e publicada na revista Ranking Social no mês de dezembro/ 09




terça-feira, 5 de janeiro de 2010


Saúde e Plenitude




"Se alguém espirrar, nunca lhe deseje só saúde! isso é quase uma miséria. Deseje sanidade, santidade, terremotos, encontros, aventuras... A saúde é apenas a retomada de uma condição higiênica básica para que a pessoa se coloque no camino evolutivo ruma à plenitude".





..."Saúde não é ausência de sintomas. Ás vezes, ter saúde é ser capaz de chorar, de se agoniar, de se desesperar, ou seja, de sintomatizar".
..."Normose é quando o que prevalece é o desamor, quando o dominante é a falta de escuta, a falta de visão, a injustiça e a corrupção generalizada".
A caracteristica comum a todas as formas de normose é seu caráter automático e inconsciente. Podemos falar, no caso, do espírito de "cordeiro".
De um modo geral, os seres humanos, por preguiça e comodismo, seguem o exemplo da maioria. pertencer á minoria é tornar-se vulnerável, expor-se à crítica".

...É muito triste constatar que, na celebração do aniversário, o que desejamos uns aos outros seja "apenas" muitos anos de vida". Por que não desejamos muita vida nos anos? Não importa muito se vivieremos alguns anos a mais ou a menos. o que realmente importa é que, em nossos dias, haja vida, que a brisa da essência areje nossos passos.Aqui nos deparamos com os votos de um verdadeiro mestre:"Venho trazer vida, e vida em abundância..."
fonte: Livro: Normose:A patologia da normalidade de pierre Weill/Jean-Yves Leloup/ Roberto Crema.

Estou feliz pois este blog está completando um ano de existência e com 10.000 entradas. Obrigada à todos vocês que o visitam. E como gostaria de saber quem compartilha comigo este cantinho! Faço um convite à você que ainda não se manifestou: Deixe um comentário ou seja seguidor para que possamos tornar o "giro de ideias"mais rico de vida. Beijos, Eliete

domingo, 3 de janeiro de 2010

Canção grata

"Por tudo o que me deste
inquietação cuidado
um pouco de ternura
é certo mas tão pouca
Noites de insônia
Pelas ruas como louca
Obrigada, obrigada

Por aquela tão doce
e tão breve ilusão
Embora nunca mais
Depois de que a vi desfeita
Eu volte a ser quem fui
Sem ironia aceita
A minha gratidão

Que bem que me faz agora
o mal que me fizeste
Mais forte e mais serena
E livre e descuidada
Sem ironia amor, obrigada
Obrigada por tudo o que me deste
Por aquela tão doce
e tão breve ilusão
Embora nunca mais
Depois de que a vi desfeita
Eu volte a ser quem fui
Sem ironia aceita
A minha gratidão"

Quero começar o ano aprendendo a ser grata .

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Oração de Recomeço

Obrigado, Senhor,
pelas semanas de verão,
pelas descobertas e encontros,
pela beleza contemplada,
pelo silêncio e a amizade,
pelo amor renovado e o descanso!
Obrigado por este tesouro:
guardo-o no meu corpo
e no meu coração.
Agora,
é tempo de recomeçar a vida normal.
Mas não voltarei
às minhas práticas do passado.
Não retomarei hábitos antigos.
Vou retomar a luta,
vou mergulhar no amor,
vou ser manso,
vou ser misericordioso e sorrir,
vou entrar na luz,
vou recomeçar com coragem,
Vou, uma vez mais, retomar o Evangelho!
É o meu recomeço:
vem comigo, Senhor!
Charles Singer

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Alvíssaras
Frei Betto *

No próximo ano, fecharei a minha caixa de Pandora e farei passarinhar todos os bons propósitos que desafiam a minha fé. Recolherei num jardim de tulipas essa tristeza d’alma que definha o meu ego arrastada pela vaidade.No próximo ano, soterrarei de perdões o meu mal-querer e de afagos essa sórdida tendência de apostar na desgraça alheia. Erguerei a minha taça à vitória do outro e brindarei de louvores as conquistas dos que invadem a minha reserva de caça. Serei dom e não dor.No próximo ano, fecharei as asas da ambição e, vazio de desejos, cavarei túneis no mais profundo de mim mesmo para deixar fluir as águas da plenitude.

No próximo ano, desviarei o olhar da lascívia que esgarça o meu espírito e os ouvidos aos tambores que me impedem dançar na contramão. Não buscarei senão os odores suaves da brisa matinal e darei ao meu paladar o que amarga a língua e adoça o espírito.No próximo ano, porei em prática sábias lições de vida: pão que se guarda endurece o coração; a cabeça pensa onde os pés pisam; o contrário do medo não é a coragem, é a fé. Sairei à rua repleto de silêncio, grávido do ser que me transfigura em morada divina.No próximo ano, segredarei aos peregrinos os três aforismos de meu bem-viver: Deus tem sabor de justiça; a vida trafega a bordo do paradoxo; a morte é verbo e não se conjuga no presente, é sempre pretérito ou futuro.

No próximo ano, espalharei em meu peito sementes de girassol e cobrirei a cabeça com ervas aromáticas, para que a minha pele transpire luz e a minha boca profira perfumes. Não me privarei de suculentas alegrias e nem darei a meu corpo o que não empanturra o espírito.No próximo ano, cultivarei cada um de meus cabelos brancos, modelarei de gorduras a flacidez de minhas carnes e preservarei cioso as rugas que maquiam de sabedoria o meu rosto. Serei belo como o tronco nodoso de uma velha castanheira que, retorcida de braços, abraça o Sol para em seus pés irradiar sombras.
No próximo ano, tratarei o semelhante com a reverência dos anjos e lavarei as portas de minha cidade para acolher em festa os que trazem boas-novas. No contorno dos dias, amarrarei fitas brancas e escovarei a boca da noite até limpar a garganta de sonâmbulas aflições.No próximo ano, não permitirei à língua servir de passarela ao mal-dizer, nem darei ouvidos a quem insiste em violar meu silêncio. Voarei sereno como os albatrozes que, todas as manhãs, impedem que o fragor das ondas fira a pele porosa das praias.No próximo ano, não me deixarei iludir pelos profetas da desgraça, nem me hipnotizar pelos que pincelam de cores vivas os cemitérios. Ficarei atento ao olhar perplexo cravado no rosto encardido dos que suplicam uma côdea de pão e um gole de paz.
No próximo ano, trocarei minhas horas preciosas por horas ociosas e, recostado num banco de parque, darei milho aos pombos e cantarei laudes com os mendigos que, deitados na grama, escarnecem da agonia do tempo. Banharei a minha pele na lagoa pontilhada de moedas faiscantes de prata e, boca aberta sob o chafariz, beberei até embriagar-me de insensatez.No próximo ano, violarei todas as regras da civilidade torpe que me engravata de cabrestos e rasgarei as etiquetas que me fazem perder horas em cuidados supérfluos. Arrancarei do pulso as algemas do relógio que me escravizam ao ritmo implacável de minutos e segundos.No próximo ano, serei irresponsavelmente feliz, liberto dessa onipotência que recobre de fúria a minha excessiva fragilidade. Confessarei a mim mesmo os meus pecados e, crucificado numa roda-gigante, ressuscitarei com a inocência das crianças que sorriem prenhes de vertigens.

No próximo ano, nomearei para o governo da cidade um cavaleiro que chegue montado num burrico e tenha as mãos calosas como quem cavou as entranhas da terra. Não darei lugar aos príncipes revestidos de palavras vãs, nem porei a minha confiança nos arautos surdos ao clamor dos desvalidos.
No próximo ano, farei de Deus o meu pai e o meu pão, e abrirei em laços o meu abraço, até transmutar solitários em solidários. Amarei sobre todas as coisas, para que a minha riqueza, despojada de bens, seja farta em afetos. Fecharei os olhos para ver melhor e, ao crepúsculo, serei consumido e consumado pelas chamas que ardem no lado avesso do meu ser.
• Frei Betto é escritor, autor de “Entre todos os homens” (Ática), entre outros livros.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Você sabe reconhecer a verdade quando ocorre?














Você é capaz de honrar sua palavra, por mais banal que tenha sido a sua promessa?
Você sabe falar a verdade acerca de si mesmo?
Quantos de nós baseamos a nossa auto-imagem em mentiras contadas por nós mesmos? Se aceitamos as mentiras como verdades, as atitudes negativas crescerão como um fungo no nosso coração.
Reconhecer a verdade em si mesmo pode ajudar a evitar pensamentos e comportamentos autodestrutivos. Para praticar corretamente o princípio ético da veracidade precisamos aprender a reconhecer a verdade acerca de nós mesmos.
O que estou fazendo? O que estou dizendo?
Estou porventura dizendo o que realmente sinto? Vivo o que digo?





PROCURE DESCOBRIR
QUEM VOCÊ REALMENTE É.





MENTIR: é uma habilidade que brota quase que espontaneamente e muitas vezes usamos sem cerimônia . Por que mentimos com tanta facilidade? A resposta mais comum é “porque funciona”. Embora arriscado manter o tempo todo (lembre-se do destino do menino que gritou “lobo”) o ser humano continua a utilizar desse artifício com muita freqüência.
AUTO –ENGANO: enganando a nós mesmos
Ironicamente a principal razão de sermos tão bons para mentir aos outros é que somos bons para mentir a nós mesmos.Embora estejamos sempre prontos para acusar os outros de nos enganar, somos incrívelmente distraídos com nossa própria mentira. O estranho fenômeno do auto- engano é objeto de perplexidade. A idéia de que uma pessoa possa iludir a si mesmo parece tão sem sentido quanto trapacear no jogo de paciência. A vantagem do auto-engano é que nos ajuda a mentir aos outros de maneira mais convincente.

Ocultar a verdade de nós mesmos a oculta dos outros.
Mentirosos que se sentem desconfortáveis e tensos não mente bem. Como pinóquio, eles se traem por comportamentos involuntários, não –verbais. Freud comentou certa vez:”Nenhum mortal consegue guardar segredo. Ainda que seus lábios estejam silentes, as pontas de seus dedos falam:todos os seus poros o traem”.
A seleção natural parece ter liquidado o problema do pinóquio ao nos favorecer com a habilidade de mentir para nós mesmos. Enganar a nós mesmos permite-nos manipular egoísticamente os que nos cercam e permanecer convicentemente inocentes perante os próprios olhos.
PONTO CEGO DE CADA UM: Onde não se enxerga o essencial
Um moralista que reprova nos outros o que está reservado para si mesmo como um gozo secreto.
Todo ponto cego tem sua extensão: há o ponto surdo.O cotidiano das relações humanas demonstra-nos que é possível olhar sem ver e ouvir sem escutar. È a vivência da alienação psíquica.È próprio do ser humano resistir em encontrar significação no que lhe é transmitido por outrem.
O conhecimento dos pontos cegos vem com a análise verdadeira de seu Eu.

sábado, 26 de dezembro de 2009


ATO DE CONTRIÇÃO
Artur da Távola

Ah Como somos comedidos!
Acomodamo-nos, vãos,nos limites do concebido.
Somos bem educados, cultos,
e ruge tanta fome
nos apetites fora do concedido.
Ah como somos sob medida!
Sub metidos, hirtos, bem vestidos
robôs impecáveis, ilusão de vida.
Ah , somos como os subvertidos,
introvertida soma de extrovertidos,
por pompa, tinta, arroto ou brilhantina.
Filhos do instante, do entanto e do porém,
somos através, como vidros,
mas opacos e pervertidos, sempre aquém.
Traçamos sinas e abstrações
terçamos ódios finos, dissuadidos,
lãs de olvido e alucinações.
Sovamos os sidos, os vividos,
Somos eiva, disfarce, diluição.
Somos somas e subtrações.

Podemos ser muito melhores do que somos, é só desejar e agir. Façamos 2010 diferente.

Despedindo-se de Papai Noel


Dezembro de 2009 está indo embora...

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

O AMOR PODE NASCER EM SEU CORAÇÃO.
PREPARE -SE PARA O NASCIMENTO DO MENINO JESUS



DESEJO A TODOS QUE ACOMPANHAM ESTE BLOG UM FELIZ NATAL.


Tu que dormes a noite na calçada de relento

Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento

Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento

És meu irmão amigo

És meu irmão

E tu que dormes só no pesadelo do ciúme

Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume

E sofres o Natal da solidão sem um queixume

És meu irmão amigo

És meu irmão

Natal é em Dezembro

Mas em Maio pode ser

Natal é em Setembro

É quando um homem quiser

Natal é quando nasce uma vida a amanhecer

Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher

Tu que inventas ternura e brinquedos para dar

Tu que inventas bonecas e combóios de luar

E mentes ao teu filho por não os poderes comprar

És meu irmão amigo

És meu irmão

E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei

Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei

Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei

És meu irmão amigo

És meu irmão

Natal é em Dezembro

Mas em Maio pode ser

Natal é em Setembro

É quando um Homem quiser

Natal é quando nasce uma vida a amanhecer

Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher

José Carlos Ary dos Santos

fonte: http://poesiadiversidade.blogspot.com/

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Escolha o Seu Sonho
Devíamos poder preparar nossos sonhos como os artistas, as suas composições. Com a matéria sutil da noite e da nossa alma, devíamos poder construir essas pequenas obras-primas incomunicáveis, que, ainda menos que a rosa, duram apenas o instante em que vão sendo sonhadas, e logo se apagam sem outro vestígio que a nossa memória.

Como quem resolve uma viagem, devíamos poder escolher essas explicações sem veículos nem companhia – por mares, grutas, neves, montanhas, e até pelos astros, onde moram desde sempre heróis e deuses de todas as mitologias, e os fabulosos animais do Zodíaco. Devíamos, à vontade, passear pelas margens do Paraíba, lá onde suas espumas crespas correm com o luar por entre as pedras, ao mesmo tempo cantando e chorando. – Ou habitar uma tarde prateada de Florença, e ir sorrindo para cada estátua dos palácios e das ruas, como quem saúda muitas famílias de mármore... – Ou contemplar nos Açores hortênsias da altura de uma casa, lagos de duas cores e cestos de vime nascendo entre fontes, com águas frias de um lado e, do outro, quentes... – Ou chegar a Ouro Preto e continuar a ouvir aquela menina que estuda piano há duzentos anos, hesitante e invisível – enquanto o cavalo branco escolhe, de olhos baixos, o trevo de quatro folhas que vai comer...

Quantos lugares, meu Deus, para essas excursões! Lugares recordados ou apenas imaginados. Campos orientais atravessados por nuvens de pavões. Ruas amarelas de pó, amarelas de sol, onde os camelos de perfil de gôndola estacionam, com seus carros. Avenidas cor-de-rosa, por onde cavalinhos emplumados, de rosa na testa e colar ao pescoço, conduzem leves e elegantes coches policromos...
... E lugares inventados, feitos ao nosso gosto; jardins no meio do mar; pianos brancos que tocam sozinhos; livros que se desarmam, transformados em música.

Oh! os sonhos do "Poronominare"!... Lembram-se? Sonhos dos nossos índios: rios que vão subindo por cima das ilhas: ...meninos transparentes, que deixam ver a luz do sol do outro lado do corpo... gente com cabeça de pássaros... flechas voando atrás de sombras velozes... moscas que se transformam em guaribas... canoas... serras... bandos de beija-flores e borboletas que trazem mel para a criança que tem fome e a levantam em suas asas...
Devíamos poder sonhar com as criaturas que nunca vimos e gostaríamos de ter visto: Alexandre, o Grande; São João Batista; o Rei David, a cantar; o Príncipe Gautama...
E sonhar com os que amamos e conhecemos, e estão perto ou longe, vivos ou mortos... Sonhar com eles no seu melhor momento, quando foram mais merecedores de amor imortal.
Ahl... – (que gostaria você de sonhar esta noite?)
MEIRELES, Cecília. Escolha o seu sonho.26 ed., Rio de Janeiro: Record, 2005, PP. 1

sábado, 19 de dezembro de 2009


Tenho em casa uma pintura do italiano Savelli -
depois compreendi muito bem quando soube
que ele fora convidado para fazer vitrais no Vaticano.
Por mais que olhe o quadro não me canso dele...
Pelo contrário, ele me renova.
Nele, Maria está sentada perto de uma janela
e vê-se pelo volume de seu ventre que ela está grávida.
O arcanjo, de pé ao seu lado, olha- a.
E ela, como se mal suportasse
o que lhe fora anunciado
como destino
e destino para a humanidade futura através dela,
Maria aperta a garganta com a mão
em surpresa e angústia.
O anjo, que veio pela janela,
é quase humano:
só suas longas asas é que lembram que
ele pode transladar sem ser pelos pés.
As asas são muito humanas: carnudas,
e seu rosto é o rosto de um homem.
È a mais bela e cruciante verdade do mundo.
Cada ser humano recebe a anunciação:
e, grávido de alma,leva a mão à garganta
em susto e angústia.
Como se houvesse para cada um,
em algum momento da vida,
a anunciação de que há uma missão a cumprir.
A missão não é leve:
cada homem é responsável pelo mundo inteiro.
(Trecho retirado do livro: A Descoberta do Mundo
Clarice Lispector)
A HUMILDADE DE SÃO JOSÉ
São José é o símbolo da humildade.
Ele sabia que não era o pai da Criança
e cuidava da virgem grávida como se ele a tivesse germinado.
São José é a bondade humana.
É o auto- apagamento no grande momento histórico.
Ele é o que vela pela humanidade.
(A descoberta do Mundo:Clarice Lispector)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009


Mateus 1, 18-24
Quanto a Jesus Cristo, a sua origem foi assim: Maria, sua mãe, tinha o casamento tratado com José; mas, antes de se casarem, achou-se grávida pelo poder do Espírito Santo. José, seu noivo, homem justo, não a queria acusar publicamente. Por isso pensou deixá-la sem dizer nada. Andava ele a pensar nisto, quando lhe apareceu num sonho um anjo de Deus e lhe disse: "José, descendente de David, não tenhas medo de casar com Maria, pois o que nela se gerou foi pelo poder do Espírito Santo. Ela vai dar a luz um filho, e tu vais pôr-lhe o nome de Jesus (Salvador), pois ele salvará o seu povo dos pecados." Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor tinha dito pelo profeta: "A virgem ficara grávida e dará a luz um filho que se há-de chamar Emanuel". Quando José acordou, fez como o anjo lhe tinha mandado: recebeu Maria por esposa.O que é que o Senhor me está a querer dizer?


Algumas pistas sobre a leitura de hoje
Contemplo as atitudes de S. José, a sua maneira de sentir e de reagir...
Peço a Deus que me ilumine e que me mostre o caminho da humildade, da verdade e da generosidade.
Peço a S. José a graça da discrição. Rezo pelas famílias...


quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O AMOR PRECISA DA RAZÃO?
O coração tem suas razões, das quais a compreensão não sabe nada, pois não se dirigem aos mesmos aspectos da experiência e não buscam os mesmos objetivos.
Existem pelo menos três razões convergentes para que a comunicação deles falhe, como postula o filósofo Zygmunt Bauman.
.O amor trata de valor
.A razão trata do uso
O mundo , visto pelo amor, é uma coleção de valores; visto pela razão , é uma coleção de objetos úteis.
As duas qualidades- de "valor" e de "uso"- são confundidas.Uma coisa não tem valor porque é útil? (voz da razão). A razão tenta anexar, colocar o "valor" a serviço do "uso", transformar o valor num criado ou num derivado do uso.
Mas o valor é a qualidade de uma coisa, enquanto a utilidade é um atributo de quem utiliza tal coisa. É a incompletude do utilizador que o faz sofrer, é a sua ânsia de preencher a lacuna que torna uma coisa útil.
"Usar" significa melhorar a condição do utilizador, reparar uma deficiência; usar "significa estar preocupado com o bem-estar do utilizador".
O que você deseja, você quer usar; consumir, despir de alteridade, tomar sua possessão ou ingerir-fazê-lo parte de seu corpo, uma extensão de você mesmo.
Usar é aniquilar o outro para o bem da própria pessoa.
Amar, significa valorizar o outro por sua alteridade.Desejar reforçá-la nele, proteger essa alteridade, fazê-la florescer e prosperar, estar pronto para sacrificar o próprio conforto, inclusive a própria existência mortal, se isso for necessário para satisfazer essa intenção.



O "uso" significa um ganho para a própria pessoa; o "valor" pressagia sua autonegação.
Usar é tirar
Valorizar é dar
Existe uma terceira oposição que separa razão e amor-a razão inspira a lealdade ao próprio self. O amor, por outro lado, apela para a solidariedade pelo Outro, e assim implica a subordinação da própria pessoa a algo dotado de maior importância ou valor.O amor significa consentimento para um mistério do outro.
O amor precisa da razão mas precisa dela como um instrumento , não de desculpa, justificativa ou escondirijo.
Fonte:A sociedade Individualizada/Zugmunt Bauman

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Sugestões de presentes para o Natal:
Para seu inimigo, perdão.
Para um oponente, tolerância.
Para um amigo, seu coração.
Para um cliente, serviço.
Para tudo, caridade.
Para toda criança, um exemplo bom.
Para você, respeito.


O amor jamais foi um sonho,
o amor, eu bem sei, já provei,
é um veneno medonho.
É por isso que se há de entender
que o amor não é ócio,
e compreender que o amor
não é um vício,
o amor é sacrifício,
o amor é sacerdócio
Chico Buarque

domingo, 13 de dezembro de 2009

Fonte: blog varal das ideias


DEZEMBRO: encerra mais uma etapa.
Será que poderemos dizer, ao final dela, que nosso ano foi "dez"?
Ou tão sem graça que irá, junto com a folhinha de 2009, para a cesta de papéis?


Para construir um ano realmente novo, comecemos já, semeando um cesto de alegrias no coração de quem gostamos.
Chegou a hora: mãos e braços dados na ciranda da vida sigamos.
(autor desconhecido)

Apontadora de Idéias

Minha foto
São Paulo, Brazil
"A senhora me desculpe, mas no momento não tenho muita certeza. Quer dizer, eu sei quem eu era quando acordei hoje de manhã, mas já mudei uma porção de vezes desde que isso aconteceu. (...) Receio que não possa me explicar, Dona Lagarta, porque é justamente aí que está o problema. Posso explicar uma porção de coisas... Mas não posso explicar a mim mesma." (Lewis Carroll)

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