terça-feira, 17 de novembro de 2009


"QUANDO OS SONHOS SE TRADUZEM EM CONSUMO,

onde os sentidos e tendências partem do mercado". São estas questões que o Nilton Bonder aborda em seu livro "TER OU NÃO TER, EIS A QUESTÃO".

Para o rabino há uma lógica, uma verdade, que permeia essa realidade independente da moral de ser ela positiva ou negativa, construtiva ou destrutiva. Assim o autor se propõe buscar o lugar da posse.
Inicia lembrando-nos que a própria existência é, por definição, a posse de um corpo.
"Ser é ter e o ser se inicia com uma posse". O que é importante lembrar é que a verdadeira posse se configura não apenas daquilo que temos, mas tambem e de igual importância, daquilo que não temos.
E é este o dilema constante da posse: o que ter e o que não ter!
..."O mal não é 'ter', mas a ausência do dilema de possuir ou não.Se a posse se faz apenas numa única direção, ou seja, a de reter e deter as coisas para si, de monopolizar o que é dispensável ao ser, então ela tem um impacto desastroso sobre a existência".

..."Ser é precisar ter, mas, para tal, o ter tem que se conformar à circunscrição do ser".
..."Toda vez que o 'ter' for originado numa necessidade, se fará instrumento e nutriente do 'ser', ou seja, reforçará a medida e a limitação que configuram nossa experiência de 'ser'. Toda vez que o 'ter' se apropriar de algo que foge à limitação real do 'ser', que prescindir de uma necessidade real que o justifique, diminuirá o tônus e tornará flácida a experiência do 'ser'.
fonte:Ter ou não ter, eis a questão! " A sabedoria do Consumo Nilton Bonder

sábado, 14 de novembro de 2009


1 em cada 6 pessoas do mundo passam fome todos os dias. Com a crise econômica global a situação só se agravou. Em poucos dias governantes irão se encontrar na Cúpula sobre Alimentação em Roma. Porém, a França, Alemanha, Reino Unido, Itália e Japão estão voltando atrás nos USD$20 bilhões prometidos no começo do ano para combate à fome.
Milhões de vidas dependem deste financiamento, por isto não podemos deixar eles esquecerem a sua promessa. Assine a petição abaixo, ela será divulgada em uma ação espetacular no Coliseu em Roma na véspera da Cúpula: http://www.avaaz.org/po/world_hunger_pledges
Há alimento suficiente para todos nós. Porém o número de pessoas sofrendo de fome crônica atingiu o record de 1 bilhão este ano. Centenas de bilhões foram gastos por governos ricos para salvarem bancos, mas mesmo assim o G8 quer reduzir os USD$20 bilhões que seriam investidos na agricultura em países pobres para somente USD$3 bilhões. Isto é um escândalo, considerando os milhões que passam fome no mundo. A Cúpula de Roma é a nossa melhor oportunidade para pressionar estes países a promoverem a produção de alimentos em pequena escala. Pesquisas mostram que a agricultura intensiva não é eficaz em combater a fome e que tem um alto impacto ambiental. Nós estamos nos unindo ao grupo anti-pobreza Action Aid e redes de pequenos agricultores para pressionar os governos do G8.
Assine a petição para a Cúpula de Roma – cada assinatura será representada na ação no Coliseu: http://www.avaaz.org/po/world_hunger_pledges A crise econônica e as mudanças climáticas estão afetando mais duramente os mais pobres. Em momentos como este precisamos manter a união e mostrar que nos preocupamos com aqueles que mais precisam. Assine a petição abaixo: http://www.avaaz.org/po/world_hunger_pledges Com esperança, Luis, Alice, Benjamin, Graziela, Ricken, Pascal, Iain, Paula, Paul, Veronique e toda a equipe Avaaz

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Abra os olhos para dentro,e olhe devargarzinho cada recanto, cada
pedacinho iluminado, cada cantinho arrumado e florido e agradeça por isso.
Tateie cada lugar que está escuro e em desordem, e com calma tente compreender o que acontece nestes lugares.
Não importa quanto tempo passarás, não desespere e nem tenha pressa, pois é tarefa de vida. Não tenhas medo, as sombras logo ficarão mais definidas, o escuro vai clareando e dando-lhe uma compreensão mais nítida do por que abandonou esses cantinhos.

Mantenha-se firme se ao tirar algumas coisas do lugar uns sentimentos despencarem e alardearem quem estiver por perto, é assim mesmo, as faxinas mesmo sendo necessárias incomodam à todos, principalmente as faxinas da alma. Confie no seu coração e nos seus olhos, mas não se intimide em pedir ajuda, de buscar por um guia, pois sempre é bom estarmos acompanhados nos momentos importantes das nossas vidas. Não deixe nunca de acreditar que é possível fazer seu território mais acolhedor para a floração da sua essência, que é bela , com certeza. Lembre-se que nossa alma precisa de cuidados diários, de janelas abertas , precisa de espaço e de terreno revolvido para poder crescer as novas mudas.
Deposite neste cantinho muitas moedas de amor, invista muitos minutos do seu dia, e não gaste impensadamente seu tesouro.
Não esqueça que neste território as leis da física não explicam tudo, a lógica e o pensamento racional não são os senhores e mandatários e o relógio que marca o tempo é diferente.
O maior bem a conseguir é alegria e o ofício mais importante é ser feliz.
Eliete Cascaldi

"Andar com fé eu vou,
a fé não costuma falhar"
Gilberto Gil

terça-feira, 10 de novembro de 2009


"Ilha não é só um pedaço de terra cercado d'água por tudo que é lado.Ilha é qualquer coisa que se desprendeu de qualquer continente.Por exemplo: um garoto tímido abandonado pelos amigos no recreio, é uma ilha.Um velho que esperou a visita dos netos no Natal e não apareceu ninguém, é uma ilha.Até um cara assoviando leve, bem humorado, numa rua cheia de trânsito e stress, é uma ilha.Tudo na gente que não morreu, cercado por tudo o que mataram, é uma ilha.Até a lágrima é ilha, deslizando no oceano da cara."

Osvaldo Montenegro

domingo, 8 de novembro de 2009


O desejo do analista é fazer você singular, que você seja capaz de discernir aquilo que faz a sua diferença. Achar a sua singularidade e responsabilizar-se por ela. Isso só se obtem por uma redução das identificações, por uma precipitação, destacando aquilo que sempre se repete. Aquilo que não tem nome nem nunca terá sempre se repete no mesmo lugar. Fato que faz com que Jacques Lacan diga que o real é aquilo que volta sempre ao mesmo lugar." Jorge Forbes


O encontro de duas personalidades é como o contato de duas substâncias químicas: se houver alguma reação, ambas serão transformadas. [Jung]

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

VOCÊ GOSTA DE MÚSICA POPULAR BRASILEIRA?

VOCÊ GOSTA DE POESIA?


Então você não pode deixar de assistir "MÚSICA, POESIA E SUA COMPANHIA"

DATA> 19 de novembro/20h/ Cine Municipal

28 de novembro/20h/Colégio Santo André

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Cidadania de berço
Questões como direito e deveres, e participação social dizem respeito à convivência entre as pessoas e, portanto, ao simples e delicado cotidiano das crianças.
Que tipo de gente estará andando pelas ruas daqui a cinco ou vinte anos? Como agirão as pessoas ao pagar a conta no caixa, ao pedir um café na padaria, ao passear pelo parque, ao abrir a porta do elevador, ao telefonar, ao entrar no ônibus, ao esperar na fila do teatro, do estádio de futebol? No fundo, são questões assim que estão em pauta quando a idéia abstrata da cidadania volta a ecoar, às vésperas do Dia da Pátria ou das eleições. Direitos e deveres, participação social, contribuição à democracia, tributo aos heróis, tudo isso diz respeito à convivência entre as pessoas e à sua história comum. Diz respeito, portanto, ao simples e delicado cotidiano das crianças. E aí que se constrói a capacidade de compartilhar, de respeitar e se respeitar, de ser cidadão.


Paradas militares, campanhas oficiais e uma Copa do Mundo a cada quatro anos até que reanimam o sentido de identidade nacional. Por alguns momentos, a emoção envolve e as pessoas podem se sentir pertencentes à nação representada nos belíssimos acordes do Hino. Mas logo passa. Terminado o transe, é cada um por si. E o que pode manter nas pessoas um sentimento de comunidade, um compromisso solidário com os outros, é apenas a disposição individual de pensar e fazer algo para que as coisas coletivas funcionem e beneficiem a todos. A disposição que aparece em pequenas atitudes corriqueiras, como não deixar o carrinho atravessado no corredor do supermercado. Limites
Esta vontade não nasce por si. É fruto do crescimento, da humanização trabalhosa e gradativa que precisa começar na infância. É uma necessidade vital, e por isso é uma responsabilidade inalienável dos pais. São eles que transmitem aos pequenos a noção essencial de cuidar e receber cuidados, e nela estão envolvidas todas as experiências concretas de poder e não poder, de dever e proteção, de prazer e frustração, de amparo e compreensão diante dos sentimentos que fervem a cada momento do dia. Ou seja, é com o “não”, o “chega de TV”, com a hora do banho e da refeição – enfim, com os limites – que se faz a base para uma vida ativa e construtiva.
Mais uma vez, tudo começa na usina do afeto, onde os sentimentos brutos podem se depurar e se fundir, deixando de ser devastadores para se transformar em simples coisas de se sentir, maravilhosas, tristes ou nem tanto. É esta maturidade emocional que dita o grau de disposição para o convívio, para os prazeres e dissabores das relações com as pessoas em casa, no bairro, na boate, na praia ou nas ruas da cidade. Só quem cresce afetivamente pode deixar de ver as frustrações e revoltas diárias como hecatombes capazes de destruí-lo. Daí é possível se abrir para o mundo, sem receio de se desintegrar, sem precisar ser medrosamente truculento ou violento. Então é que se pode pensar também nos outros, e não apenas num fraco e desprotegido euzinho.

Cidadania
Sem esta base para as crianças, o princípio da cidadania está comprometido. Se os pequenos não puderem receber limites claros, coerentes e limpos, sem tom punitivo ou chantagista, se não puderem sentir toda raiva, tristeza e desapontamento causados pelo “não”, sem repressões e julgamentos, não poderão desenvolver sua capacidade afetiva. Os pais que falham aí estão simplesmente deixando de cuidar de seus filhos. São estes filhos que saem pela vida pedindo os limites e o amparo de que precisavam para crescer. À certa altura, grandes e frágeis, só a lei pode ser seu limite. E para provocá-la, farão o que for preciso. São estes os vândalos depredadores, para citar um exemplo menos trágico nesta crônica policial de final previsível.
A lei é, de fato, a versão adulta dos limites, e bem que poderia ajudar os grandes órfãos a ter alguma sensação de estar recebendo cuidados. Mas o Estado, construído para isso, não anda lá muito capaz de exercer esta paternidade exigente e protetora. Talvez porque em seu comando haja maiores abandonados demais. Fica difícil até para os cidadãos afetivamente emancipados exercerem a cidadania. Afinal, alguém só pode se sentir plenamente cidadão quando sente que os representantes da sua comunidade o vêem como importante, o ouvem e consideram aquilo que diz, quando estabelecem leis minimamente humanas que limitam a satisfação de suas vontades mas também o protegem das vontades alheias, da violência, do engodo, da manipulação, da mentira...

Respeito
Sente-se plenamente cidadão quem recebe educação, saúde e segurança, quem vê sua família atendida em suas necessidades para uma vida digna. Só quem é concretamente reconhecido como um sujeito de valor pode se sentir co-proprietário e responsável pela praça, pelo telefone público, pela vidraça da escola, pelo ar, pela floresta, pelo planeta, e então pode se lembrar naturalmente de manter limpa a praia no feriadão. Ou seja, não há hoje muitas ferramentas para criar cidadãos a partir da ação do Estado. Será uma boa ajuda se pelo menos as escolas, os grupos religiosos e as ONGs puderem oferecer cuidados. Mas em nenhum lugar estes cuidados poderão criar o afeto que permite cumprir a lei por vontade própria. Isso só se cria em casa.
A cidadania afetiva e efetiva que se constrói a partir da infância nada tem a ver com rigidez, com combinação, com “fazer certinho” e de forma sistemática, com a política e ecologicamente corretos ou quaisquer outras camisas-de-força pós-modernas. É a noção de que o bem-estar de cada um depende do cuidado que se oferece e se recebe num círculo de trocas. É gostar de respeitar e ser respeitado. Mesmo que o País faça pouco por seus indivíduos, os cidadãos emancipados não precisam ficar à espera de “padrinhos” que ofereçam proteção e cuidados ilusórios quando se infiltram nas instituições. Não precisam do rouba-mas-faz (de conta que cuida das pessoas). Têm força para enfrentar o abandono, e até para cuidar dos outros. É esta capacidade de afeto que torna possível construir uma comunidade nacional, algo mais do que uma platéia de desfile, uma torcida de milhões que enrola e esquece suas bandeiras no fim de cada Copa.
Texto extraído do Jornal Gazeta do Povo
06/09/1998
Ivan Capelatto
e especialistas convidados.


segunda-feira, 2 de novembro de 2009


"No aeroporto o menino perguntou:
- E se o avião tropicar num passarinho?
O pai ficou torto e não respondeu.
O menino perguntou de novo:
- E se o avião tropicar num passarinho triste?
A mãe teve ternuras e pensou:
Será que os absurdos não são as maiores virtudes da poesia?
Será que os despropósitos não são mais
carregados de poesia do que o bom senso?
Ao sair do sufoco o pai refletiu:
Com certeza, a liberdade e a poesia a gente aprende com as crianças.
E ficou sendo."

Manoel de Barros

sábado, 31 de outubro de 2009


É bom pedir socorro ao Senhor Deus dos Exércitos,

ao nosso Deus que é uma galinha grande.

Nos põe debaixo da asa e nos esquenta.

Antes, nos deixa desvalidos na chuva,

pra que aprendamos a ter confiança n'Ele e não em nós.


Adélia Prado, in Terra de Santa Cruz, 1986, Editora Guanabara

quarta-feira, 28 de outubro de 2009


São Jorge e o dragão
PROFESSOR UNIVERSITÁRIO , no gozo da liberdade que a aposentadoria traz, tinha agora tempo para ler os livros que não lera, fazer as viagens que não fizera, ou simplesmente tempo para vagabundear. Sobravam-lhe as razões para viver o que William Blake escrevera: "No tempo de semear, aprender; no tempo de colher, ensinar; no tempo do inverno, gozar...". Seu inverno chegara. Era tempo de gozar. Mas não foi isso que aconteceu.



Descobriu-se tomado por uma tristeza profunda, um sentimento de falta de sentido para tudo, aquilo a que se dá o nome de depressão.
Minha cabeça, ao se defrontar um enigma, faz o que faziam os gregos: ela inventa histórias, mitos. Pois foi isso que aconteceu. Baixou-me a história que passo a contar para explicar a incapacidade de gozar quando é tempo de gozar
"Desde muitos séculos, são Jorge fora um habitante da Lua. Romântica quando vista da Terra, a Lua era a arena de uma batalha diária entre o santo guerreiro e o dragão da maldade. Todas as manhãs, ao acordar, são Jorge sabia: havia uma missão que só ele poderia cumprir.Era esse sentimento quase religioso de missão e de dever que dava sentido à sua vida. Bem que ele poderia ter matado o dragão séculos antes. Mas ele sabia que, se matasse o dragão, sua vida se transformaria num tédio sem fim: nada pra fazer, nenhuma missão a cumprir. Sua máxima espiritual era "Pugno, ergo sum": luto, logo existo. São as batalhas que dão sentido à vida.
Aconteceu, entretanto, algo de que ninguém suspeitava. O dragão era, na verdade, uma linda donzela que uma bruxa invejosa havia enfeitiçado e mandado para a Lua. Mas como todo feitiço tem um prazo de validade, chegou também o dia quando a validade do feitiço chegou ao fim e o feitiço se desfez: o horrendo dragão foi transformado numa linda donzela.São Jorge, que tudo ignorava, acordou na manhã daquele dia como acordava todos os dias, determinado a cumprir o seu destino -combater o dragão. Com lança, armadura e espada, saiu o guerreiro no seu cavalo. Mas qual não foi o susto quando, em vez de um dragão, o que o esperava era um ser totalmente estranho a ele: uma linda donzela. E a donzela, com suas vestes entreabertas, o recebeu com palavras de amor e gozo: "Venha, Jorginho, provar do meu carinho e do mel dos meus beijos..."
São Jorge ficou paralisado de susto e medo. Não sabia o que fazer. Essa entidade estranha não estava registrada na sua memória. Não lhe fora ensinada na escola. Fora educado a vida inteira para a batalha. Era a batalha que dava sentido à sua vida. E agora ele se defrontava com a possibilidade de simplesmente gozar sem nada fazer...
São Jorge nem desceu do seu cavalo. Voltou para onde viera triste e deprimido, com saudades dos tempos do dragão. O dragão dava sentido à sua vida. Ele definia a sua identidade: ele era um guerreiro... Agora, perdida sua identidade de guerreiro, sua vida havia perdido o sentido.
Não lhe fora ensinada na escola a arte do gozo, de não ter deveres. Sua vida tornou-se então um grande vazio. Quanto à linda donzela, ele olhava para ela e tinha uma saudade imensa dos tempos do dragão...
Aposentadoria é quando o dragão vira donzela, quando a batalha dá lugar ao gozo. Mas isso, simplesmente gozar, não nos foi ensinado. E mergulhamos, então, na tristeza da depressão...
Rubem Alves
fonte:http://www.puntel.com.br/artigos/?CODNOT=82

domingo, 25 de outubro de 2009

Cortella: pensar no futuro
Para o educador e filósofo Mário Sérgio Cortella, é muito grave que atual geração do mundo ocidental não pense no futuro.
Algo muito grave está acontecendo no mundo contemporâneo, advertiu o educador e filósofo Mário Sérgio Cortella, durante suas reflexões no Espaço Cultural CPFL. Segundo ele, a atual geração do mundo ocidental está invertendo, de modo perigoso, uma postura histórica da humanidade.

"De uma maneira geral na história humana a geração atual cuida da próxima. Cuida dos recursos, da sobrevivência. Cuida da possibilidade de meios de existência", observou.
A atual geração, contudo, vai na direção contrária. "Talvez sejamos a primeira geração de humanos no Ocidente que não cuida da próxima geração".
Existem vários motivos para essa postura antiética, acredita Cortella.

"A voracidade do nosso cotidiano, a maneira como nós desmontamos as condições de existência coletiva e, à medida que o egonarcisismo é mais presente, acabamos esgotando as condições de existência no futuro."

O educador identifica as possíveis consequências dessa forma da atual geração se posicionar em relação às gerações futuras: "Em outras palavras, estamos fazendo o que se chama de saque antecipado do futuro. Sacando o futuro por antecipação. Gastando o futuro por antecipação."
Uma nova forma de encarar o futuro, a responsabilidade com as novas gerações, é no entanto possível, acredita Cortella. Pela própria capacidade humana de criar. "O ser humano é capaz de dizer que é possível fazer de outro modo. E não desistir. E ser capaz exatamente de reinventar. E essa é uma capacidade forte nossa."










sábado, 24 de outubro de 2009

"A arte é a gata borralheira,

que ficou em casa porque teve que ser".

Fernando Pessoa

Você não pode faltar.

terça-feira, 20 de outubro de 2009


Um livro muito interessante:
"Você quer o que deseja?
de Jorge Forbes,psicanalista e psiquiatra
BASTA DE QUEIXAS

Todo mundo se queixa o tempo inteiro. Do tempo: um dia do calor, outro dia do frio. Do trabalho: porque é muito, ou porque é pouco. Do carinho: “que frieza”, ou “que melação”. Da prova: “dificílima”, ou “fácil demais”. E dos políticos, e da mulher, e do marido, e dos filhos, e dos tios, avós, primos; do pai e da mãe, enfim, de ter nascido.


A queixa é solidária, serve como motivo de conversa, desde o espremido elevador até o vasto salão. A queixa é o motor de união dos grupos, é sopa de cultura social; quem tem uma queixa sempre encontra um parceiro. A queixa chega a ser a própria pessoa, seu carimbo, sua identidade: “Eu sou a minha queixa”, poderia ser dito. A queixa deveria ser a justa expressão de uma dor ou de um mal-estar, mas raramente ocorre assim. É habitual que a expressão da queixa exagere em muito a dor, até o ponto em que esta, a dor, acaba se conformando ao exagero da queixa, aumentando o sofrimento. É comum as pessoas acreditarem tanto em suas lamúrias que acabam emprestando seu corpo, ficando doentes, para comprovar o que dizem.


A causa primordial de toda queixa é a preguiça de viver. Viver dá trabalho, uma vez que a cada minuto surge um fato novo, uma surpresa, um inesperado que exige correção de rota na vida. Se não for possível passar por cima ou desconhecer o empecilho, menosprezando o acontecimento que perturba a inércia de cada um, surge a queixa, a imediata vontade de culpar alguém que pode ir aumentando até o ponto em que a pessoa chega a se convencer paranoicamente que todos estão contra ela, que o mundo não a compreende e por isso ela é infeliz, pois nada que faz dá certo, enquanto outros, com menos qualidades, obtém sucesso.


Ouvimos destes aquele lamento corriqueiro, auto-elogioso: “acho que sou bom ou boa demais para esse mundo, tenho que aprender a ser menos honesto e mais agressivo...” Conclusão: se não fossem os outros, ele, o queixante, seria maravilhoso. Por isso, toda queixa é narcísica.Temos que acrescentar que a queixa não surge só de uma dor ou de um desassossego, mas também quando se consegue um tento, uma realização. Aí a queixa serve de proteção à inveja do outro – sempre os outros ! ... – e tal qual uma criança que esconde os ovos de páscoa até o outro ano, o queixante não declara sua felicidade para que ela não acabe na voracidade dos parceiros podendo ele curti-la em seu canto, escondido, até o ano que vem, quando o coelhinho passa de novo.Em síntese, três pontos: a queixa é um fechamento sobre si mesmo, uma recusa da realidade e um desconhecimento da dor real. Não confundamos: é importante separar a queixa narcísica da reivindicação justa, mas isso é outro capítulo.

Aliás, é comum o queixoso se valer da nobreza das justas reivindicações sociais para mascarar seu exagerado amor próprio.Um momento fundamental em todo tratamento pela psicanálise é o dia em que o analisante descobre que não dá mais para se queixar. Não que as dificuldades tenham desaparecido por encanto, mas que o “tirem isso de mim”, base de toda queixa, perde seu vigor, revela-se para a pessoa todo o seu aspecto fantasioso. É duro não ter para quem se queixar, não ter nenhum bispo, um departamento de defesa dos vivos como tem o dos consumidores.

A pessoa pode perder o rumo, não saber o que vai fazer, nem mesmo saber quem é.Nesse ponto, a condução do tratamento há de ser precisa: há que se ajustar a palavra à vida, conciliar a palavra com o corpo, fazer da palavra a própria pele até alcançar o almejado sentir-se “bem na própria pele”. Também será necessário suportar o inexorável sem se lastimar e abandonar a rigidez do queixume pela elegância da dança com o novo.Mais importante que uma política de acordos, que é feita a partir de concessões de posições individuais, é estar em acordo com o movimento das surpresas da vida, dos encontros bons ou maus.
E tudo isto sem resignação, mas com o entusiasmo da aposta. Basta de queixas.


RESERVE ESTA NOITE PARA REFRESCAR A ALMA...

19 DE NOVEMBRO:QUINTA-FEIRA

20h no Cine Theatro Municipal de Jaboticabal

MÚSICA, POESIA E SUA COMPANHIA




domingo, 18 de outubro de 2009

A VIDA É UM VERBO
A linguagem é criada para o uso diário, é criada para a vida mundana. No que diz respeito a isso, ela é boa. É perfeitamente adequada para o mercado, mas quando você começa a mergulhar em águas mais profundas, ela se torna cada vez mais inadequada- não apenas inadequada: ela começa a ficar absolutamente incorreta.
Por exemplo, pense nestas duas palavras: experiência e experienciar. Quando você usa a palavra experiência, ela lhe transmite uma sensação de conclusão, como se algo tivesse chegado a um ponto final. Na vida não existem pontos finais. A vida não sabe absolutamente nada sobre pontos finais - ela é um processo contínuo, um rio eterno. O objetivo nunca chega. Está sempre chegando, mas nunca chega. Portanto, a palavra experiência não é correta. Ela transmite uma noção falsa de conclusão, de perfeição.Faz com que você sinta que chegou. Experienciar é muito mais verdadeiro.

No que diz respeito à vida de verdade, todos os substantivos são errados, só os verbos são verdadeiros. Quando você diz:”Isto é uma “ árvore” , está fazendo uma afirmação errada do ponto de vista existencial. Não do ponto de vista linguístico ou gramatical , mas do ponto de vista existencial você está fazendo uma afirmação errada, porque a àrvore não é uma coisa estática. Ela está crescendo. Ela nunca está em um estado de “ausência de ser”, está sempre se tornando algo. De fato, chamá-la de árvore não está correto. Ela está arborescendo. O rio está enriezando.
Se você olhar a vida a fundo, os substantivos desaparecem e só ficam os verbos. Mas isso criará um problema no mundo lá fora.
Você não pode dizer às pessoas:”Eu fui a um enriezando” ou”Esta manhã, vi uma linda arborescendo”. Elas iam achar eu você ficou louco! Mas nada é estático na vida. Nada está em repouso.

Maturidade nada tem a ver com as experiências exteriores da vida. Tem algo a ver com a sua jornada interior, com as experiências do seu interior. Maturidade é um outro nome para realização: você chegou à plenitude do seu potencial, tornou-se você de verdade. A semente empreendeu uma longa jornada e floresceu.
Fonte: Faça o seu coração vibrar.Osho

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

ASSALTO
“Isso é um assalto!” Rendo-me não dá para fugir.
A sensação é de pânico, o que vai acontecer agora? O desamparo é enorme.
Não há ninguém por perto para pedir socorro. Também como fui entrar neste beco sem saída?
Não estava atento, é isso, achei que daria para seguir em frente.
Não adianta chorar, não fui irresponsável, estava com pressa , precisava cuidar da vida e talvez não tenha reparado na sinalização.
Passam mil coisas na cabeça, o corpo sente um tremor que paralisa meus movimentos, com exceção do movimento veloz das ideias.
A visão está turva, o coração bate descompassadamente e lágrimas começam a rolar, sem pedir licença.
"Meus Deus me ajude, não aguento mais tanta ameaça".
Ouso gritar mas a voz não sai, o medo é muito grande e engole o som.
“È um assalto”, “isso é um assalto”, o tempo todo, martelando em meus ouvidos. O que fazer?
Quem poderá me tirar dessa situação?
Aqui dentro está o grande ditador- o assaltante , que rouba a minha paz, a minha segurança , que me rende de uma forma implacável.
Ele me domina totalmente, faz de mim o seu joguete , ele ,o indesejável inquilino, que habita todas as minhas entranhas .O medo é o grande vilão, o que rouba todo o meu prazer, toda a minha vida.
É o que me deixa de mãos atadas, com a mente indefesa e com os punhos cerrados.
Quero me livrar dele, quero rendê-lo. O que faço?
Preciso aproximar e desmascará-lo. Rastejando e soluçando, avanço ,só assim conseguirei o meu objetivo: Vencê-lo.
Eis que chego ,onde ele está?
Desapareceu como bolhas de sabão.




T.A.G. Trantorno de Ansiedade Generalizado


"se caracteriza por um estado permanente de ansiedade, sem nenhuma associação com situações ou objetos.A pessoa com TAG sofre diversos incômodos subjetivos e/ou físicos a cada instante de sua existência, por motivos injustificáveis ou desproporcionais.Trata-se de uma percepção errônea ou exagerada de perigo que, de forma imaginária, está sempre ali, perseguindo, rodeando, invadindo".
..."È o estado de vigília permanente; a luz acesa que nunca se apaga"!

..."È uma ansiedade crônica, que leva a pessoa a começar o dia em busca de algum motivo de preocupação,desnecessário, não importando se o problema é trivial ou doloroso.
Sintomas somáticos: taquicardia, sudorese, cólicas abdominais, náuseas, arrepios, dores musculares, tremores, ondas de calor ou calafrios, adormecimentos, sensação de asfixia, dificuldade para engolir, perturbações do sono e fatigabilidade.
Sintomas psiquícos: tensão, apreeensão, insegurança, dificuldade de concentração, sensação de estranheza, nervosismo,etc.
A ansiedade excessiva estabelece uma conexão direta com o futuro que talvez nunca exista".

fonte de pesquisa/livro: MENTES COM MEDO/ DA COMPREENSÃO Á SUPERAÇÃO : Ana Beatriz B. Silva

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Isso também faz parte do pacote
Na história de José no Egito encontramos um fato que nos faz pensar como funciona a vida e como podemos lidar com seus altos e baixos.

O Faraó Do Egito teve um sonho:”sete espigas subiam de uma mesma haste, granuladas e belas. Mas eis que sete espigas mirradas e queimadas pelo vento oriental nasciam atrás delas. E as espigas mirradas devoraram as sete espigas granuladas e cheias”(Gn41,5-7).José explica o significado do sonho ao Faraó: “ Eis que vêm sete anos em que haverá grande abundância em toda a terra do Egito; depois lhe sucederão sete anos de fome e se esquecerá toda a abundância na terra do Egito...”(Gn41,29-30). Juntamente com a explicação do sonho, José aconselhou o faraó a guardar 20% de tudo o que era produzido anualmente no Egito durante os sete anos de fartura(cf.Gn41,33-36).Assim,quando vieram os sete anos de fome, o Egito conseguiu sobreviver a ela (cf.Gn41,53-57).
Esse fato nos ensina que a vida é feita de altos e baixos, e o nosso desafio é compreender que também nos momentos difíceis é possível crescer. Os altos e baixos fazem parte não só da nossa vida física(saúde),psicologia(emoção),profissional(financeira),mas também espiritual. Santo Inácio de Loyola fala dos dois estados de espírito que costumam se alternar em nós: a consolação e a desolação.A consolação é um estado em que nos sentimos profundamente unidos a Deus.Já a desolação é um estado em que nos sentimos radicalmente separados de Deus. O fato é que há uma alternância inevitável entre consolação e desolação em nossa vida de fé.
O que você pode fazer então no tempo da consolação?
Antes de tudo,agradecer a Deus.Ela é um dom d”Ele para você.Você pode também anotar o que você experimenta no tempo da consolação, para isso ser lembrado quando a desolação vier.Isso equivale a guardar os 20 % do seu suprimento espiritual para você não morrer de fome no tempo da sua aridez espiritual.outra coisa importante: não se deixe encher de soberba. Você não vai ficar sempre “no alto”.
Se é assim, o que fazer, então, no tempo da desolação?
Primeiramente,não tome nenhuma decisão importante sobre o rumo da sua vida. O momento mais errado para se decidir sobre coisas importantes é quando não estamos bem, quando as coisas não estão claras dentro de nós.Em segundo lugar, dedique-se com mais intensidade `a oração, apesar da secura espiritual que você sente. Quem se mantém fiel à oração mesmo quando se sente separado de Deus, está reagindo positivamente à sua desolação e deixando o terreno preparado para Deus lançar nele as novas sementes de consolação. Em terceiro lugar, não se deixe vencer pelas tentações – elas são fortes no tempo da desolação! Tenha paciência e espere pela consolação que virá, sabendo,porém, que ela virá quando e como Deus quiser que venha.

Refletindo sobre o trecho da história de José no Egito e sobre os conselhos de Santo Inácio sobre a consolação e a desolação, você deve ter percebido que o pacote da vida não contém só abundância, mas também necessidade; não contém só consolação mas também desolação. Há pessoas que perdem o humor – e às vezes até a fé – quando têm que lidar com os “baixos” da vida. São pessoas imaturas,tanto psicológica e espiritualmente. Aprendemos com a maturidade psicológica e espiritual do apóstolo Paulo: “ aprendi a adaptar-me às necessidades; sei viver modestamente, e sei também como me comportar na abundância; estou acostumado com toda e qualquer situação: viver saciado e passar fome; ter abundância e sofrer necessidade.Tudo posso naquele que fortalece”(Fl4,11-13).
Saciedade e fome, alegria e tristeza,vitória e derrota, consolação e desolação, tudo isso faz parte do pacote chamado Vida.
Aceite essa realidade e aprenda a tirar proveito dela para o seu crescimento humano e espiritual.
Deus te abençoe e te fortaleça.
Pe Paulo C. Mazzi

Apontadora de Idéias

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"A senhora me desculpe, mas no momento não tenho muita certeza. Quer dizer, eu sei quem eu era quando acordei hoje de manhã, mas já mudei uma porção de vezes desde que isso aconteceu. (...) Receio que não possa me explicar, Dona Lagarta, porque é justamente aí que está o problema. Posso explicar uma porção de coisas... Mas não posso explicar a mim mesma." (Lewis Carroll)

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