sexta-feira, 13 de março de 2009

POESIA É VOAR FORA DA ASA
Manoel de Barros



"A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca.
A gente nasce, isto é, começa a piscar.
Quem pára de piscar, chegou ao fim, morreu.
Piscar é abrir e fechar os olhos-viver é isso.
È um dorme-e-acorda, dorme-e-acorda,
até que dorme e não acorda mais.
A vida da gente neste mundo, senhor sabugo, é isso.
Um rosário de piscadas.
Cada pisco é um dia.
pisca e mama;
pisca e anda;
pisca e estuda;
pisca e ama;
pisca e cria filhos;
pisca e geme os reumatismos;
por fim, pisca pela última vez e morre.
-E depois que morre-perguntou o Visconde.
-Depois que morre, vira hipótese.
É ou não é?

Musiquin
Quando alguém me desaponta
paro tudo e dou um tempo
dali a pouco eu me dou conta
que ninguèm é cem por cento.

Seja um princípe ou um sapo
seja um bicho ou uma pessoa
até mesmo um pé-de-nabo
tem alguma coisa boa.

Pé de nabo, do Palavra Cantada

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma.
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma.
A vida não para.
Enquanto o tempo acelera e pede pressa.
Eu me recuso faço hora vou na valsa.
A vida é tão rara.
Enquanto todo mundo espera a cura do mal.
E a loucura finge que isso tudo é normal.
Eu finjo ter paciência.
E o mundo vai girando cada vez mais veloz.
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós.
um pouco mais de paciência.
Será que é tempo que lhe falta pra perceber.
será que temos esse tempo pra perder.
E quem quer saber.
A vida é tão rara(tão rara).
mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma.
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma.
Eu sei, a vida não para(a vida não para não).
Será que é tempo que me falta pra perceber.
Será que temos esse tempo pra perder.
E quem quer saber.
A vida é tão rara(tão rara).
mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma.
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma.
Eu sei, a vida não para.
Composição:Lennine e Dudu Falcão


Se sou alegre ou sou triste?...
Francamente não sei.
A tristeza em que consiste?
Da alegria o que farei?
Não sou alegre nem triste.
Verdade não sei que sou.
Sou qualquer alma que existe
E sente o que Deus fadou.


Afinal, alegre ou triste?
Pensar nunca tem bom fim...
Minha tristeza consiste
Em não saber bem de mim...
Mas a alegria é assim...
Fernando Pessoa

Não tenhas medo, ouve:
È um poema
Um misto de oração e de feitiço...
Sem qualquer compromisso,
Ouve-o atentamente,
De coração lavado.
Poderá decorá-lo
E rezá-lo
Ao deitar
Ao levantar,
ou nas restantes horas de tristeza.
Na segura certeza
De que mal não te faz.
E pode acontecer que dê paz...

Miguel Torga

Uma poesia nada engraçadinha para as pessoas com mais de 50 anos
Prata nos cabelos.
Ouro nos dentes.
Pedras nos rins.
Açúcar no sangue.
Chumbo nos pés.
Ferro nas articulações.
E uma fonte inesgotável de gás natural.
Nunca se pensou que a partir dos 50 se pudesse ter uma riqueza tão grande!!!

Um pouco de ARTE para nossa mente entrar em harmonia...


Vale a pena conhecer os trabalhos de Renata Barillari e de outros artistas no site:http://tudoedimais.blogspot.com/search/label/artes

QUERO AGRADECER A TODOS QUE TEM VISITADO ESSE BLOG, ONTEM FORAM 53
VISITAS ATÉ ÁS 18:30h. BOM FIM DE SEMANA


quinta-feira, 12 de março de 2009

Os menores e a sociedade Simone de Beauvoir conta a seguinte história: havia uma mulher que era muita maltratada pelo seu marido,então arranjou um amante,a cuja casa ia uma vez por semana.Para visitá-lo, tinha de atravessar um rio.Podia fazê-lo por barca ou por uma ponte. Na vizinhança havia um conhecido assassino fugitivo,motivo pelo qual a mulher evitava ir pela ponte.Um dia demorou-se mais do que de costume.Quando chegou ao rio, o barqueiro não quis levá-la, alegando que que seu horário de trabalho havia encerrado.A mulher pediu ao amante que a acompanhasse até a ponte,mas este recusou, dizendo que estava muito cansado. A mulher resolveu arriscar e o assassino a matou.
Simone pergunta: quem é o culpado? O barqueiro burocrata? O amante negligente? A própria mulher, por ser adúltera? E comenta:
"Em geral, as pessoas culpam um desses três,mas ninguém se lembra do assassino.Écomo se fosse normal um assassino assassinar".
A reflexão é a seguinte: Devemos reduzir a idade de responsabilidade penal para fazer imputáveis jovens a partir de 16 anos aqui no Brasil?
Para o juiz de Direito da Infância e da Juventude em São Paulo, Dr.João Batista Saraiva, "A questão da responsabilização do adolescente infrator e a eventual sensação da impunidade que é passada para a opinião pública não decorre do texto legal nem da necessidade de sua alteração".

Como no caso do homicídio da mulher adúltera, discute-se ,de acordo com o juiz, o crescimento da violência infantil-esquecendo-se de que tem como causas desemprego, miséria, desagregação familiar, deseducação.
Não se fala do verdadeiro vilão:"A ausência de comprometimento do Estado e da sociedade com a efetivação das propostas trazidas pelo ECA".
Concordo com Dr. João Batista; enquanto o governo não levar a sério a questão da educação em nosso país, enquanto não executar as medidas socioeducativas previstas na lei, a violência de jovens e adolescentes estará aumentando. E não será a redução da lei penal que irá resolver o problema.
fonte de pesquisa:Folha de São Paulo/Data Venia/Os menores e a sociedade/João Batista Saraiva, 1997.
A MEDIDA DO HOMEM
JULIAN MARÍAS
O sofista Protágoras afirmava:"O homem é a medida de todas as coisas, das que são enquanto são e das que não são enquanto não são".
Em seu livro Biografia de uma Filosofia, o filósofo Julian Marías comenta minuciosamente essa passagem e tenta indagar o seu significado.Protágoras falava das "Kherêmata"-o sentido das coisas, dos "assuntos" de que os homens se ocupam.São os homens que dão o valor às coisas, descobre o que elas "são" ou "não são", enfim são os homens que lhes dá a sua "medida".
No entanto, nossa época inverte a visão de Protágoras.Agora passamos a entender o homem a partir das coisas, a medi-lo por elas.
Julian Marías indaga quando se inicia e por quê isto aconteceu.
Desde o século XVII e mais enfáticamente no século XVIII, se acentua o empirismo.
Julgam-se as épocas, as formas de vida, os países pelo seu número, por sua riqueza, por seus recursos, e não pelo que o homem faz com isso.
A suma pobreza que não se reflete em estatística alguma é o homem que não sabe de onde vem e o que aconteceu com ele antes de nascer.O que verdadeiramente conta e que não é registrado em PIB algum é o que o homem faz com a sua superdotação, com sua capacidade de amar, ou o que ele esquece de fomentar e cultivar.
Se utilizássemos como medida de julgamento de uma época pelo seu número, pela sua riqueza, por seus recursos, a Grécia, entre Homero e Aristóteles seria uma insignificância.
Para Julían Márias "a visão estatística da realidade introduziu uma incalculável deformação de perspectiva, precisamente por supor que se pode reduzi-la ao calculável.
fonte:O Estado De São Paulo/Espaço Aberto/Julían Marías, filósofo/24 de agosto de 1997
Julío Marías faleceu em 2005 aos 91 anos.
Encontrei esta matéria "A REGRA ÁUREA" em um blog e pensei em fazê-la circular por achá-la interessante.
A REGRA ÁUREA
Interessantes analogias…
CRISTIANISMO "Faça ao teu próximo somente o que gostaria que lhe fizessem."

JUDAISMO "Não faças ao teu semelhante aquilo que para ti mesmo é doloroso."

CONFUCIONISMO "Não faças aos outros aquilo que não queres que eles te façam."

HINDUISMO "Não faças aos outros aquilo que, se a ti fosse feito, causar-te-ia dor."

TAOÍSMO "Considera o lucro do teu vizinho como teu próprio, e o seu prejuízo como se também fosse teu."

ZOROASTRISMO "A Natureza só é amiga quando não fazemos aos outros nada que não seja bom para nós mesmos."

BUDISMO "De cinco maneiras um verdadeiro líder deve tratar seus amigos e dependentes: com generosidade, cortesia, benevolência, dando o que deles espera receber e sendo tão fiel quanto à sua palavra."

JAINISMO "Na felicidade e na infelicidade, na alegria e na dor, precisamos olhar todas as criaturas assim como olhamos a nós mesmos."

SIKHISMO "Julga aos outros como a ti mesmo julgas. Então participarás do Céu."

ISLAMISMO "Ninguém pode ser um crente até que ame o seu irmão como a si mesmo."
Fonte.
http://gueiesha-euzinhaeuzinha7.blogspot.com/










quarta-feira, 11 de março de 2009


Arrogância e Autoconfiança
Arrogância é o sentimento que caracteriza a falta de humildade. É encontrada em pessoas que não desejam aprender com os outros, que não aceita o que o outro fala, e não suporta sentir-se no mesmo nível do seu próximo. São sinônimos, o orgulho excessivo, a soberba, a altivez, o excesso de vaidade pelo próprio saber.A psicologia também entende que o orgulho em excesso pode ser um mecanismo de defesa que a pessoa utiliza para proteger-se dos próprios sentimentos de inferioridade.
A humildade é "ser do tamanho que se é", isto é, nem maior mas também não menor. A arrogância é uma característica que faz inflar o nosso ego, um mecanismo ilusório que mais dificulta do que ajuda o indivíduo a alcançar o que deseja: o respeito do outro.
Não devemos jamais confundir arrogância com coragem, ousadia,liderança ou segurança.A pessoa arrogante geralmente é egoísta mas exige a solidariedade das pessoas.Exige ser ouvido,mas não dá ouvidos à ninguém.
O arrogante dificilmente agradece por um favor recebido pois jamais reconhece que o recebeu.
"Agem com arrogância os que ensinam aos outros o que eles próprios desconhecem.Quem não sabe para si,não ponha escola".
fonte:Agnaldo Pila(http://www.avt.com.br/)





A autoconfiança é acreditar que será capaz de agir de maneira adequada nas situações novas e imprevistas. A pessoa autoconfiante confia em si porque se prepara para realizar seus projetos. Está sempre procurando melhorar, está sempre se questionando, tem a mente aberta e a crítica do outro não o maltrata
em demasia.

A autoconfiança está sempre em construção, portanto , em alguns momentos da nossa vida ou em determinadas situações podemos nos sentir mais ou menos seguros.A autoconfiança vem do enfrentamento daquilo que tememos, da coragem de seguir em frente apesar do medo.A autoconfiança cresce quando não nos fechamos , quando somos capazes de ouvir até o fim uma opinião diferente da nossa, quando nos abrimos para um segundo olhar, quando temos a coragem de sair dos nossos determinismos, das nossas verdades, dos nossos medos.Uma pessoa autoconfiante é mais feliz porque sabe que nunca está pronta , portanto encara melhor os seus erros e tem a humildade em mudar quando necessário.
3 caminhos para o fracasso,por Mario Sergio Cortella
Não ensinar o que sabe;
Não praticar o que sabe;
Não perguntar o que não sabe.

PADRÃO DE VIDA E QUALIDADE DE VIDA
VOCÊ SABE O QUE É FIB?
Butão é um país monárquico localizado entre China e Indía. É governado pelo Rei Jigme Singye, ( considerado uma das cem pessoas mais influentes do mundo em 2007 pela Time),que mede o FIB(Felicidade Interna Bruta) de seu país e afirma que este índice é mais importante que o PIB(Produto Interno Bruto).
O FIB é para o Rei de Butão o alicerce de todas as políticas de seu governo.
Para a antropóloga, psicóloga de Harvard, Susan Andrews, enquanto o PIB se baseia na crença de que a acumulação da produção econômica leva a um maior bem-estar, as pesquisas mostram que, após certo nível de renda, o aumento da riqueza não conduz a um correspondente aumento da felicidade.
Os indicadores do FIB são os seguintes: padrão de vida, saúde, educação,resiliência ecológica,bem-estar psicológico,diversidade cultural,uso equilibrado do tempo, boa governança e vitalidade comunitária.
O diretor do Centro de estudos do Butão,Dasho Karma Ura, afirmou:
"A renda não é buscada pelo seu bem em si,mas para aumentar a qualidade de vida, para obter a felicidade".
"Felicidade baseada na ética, em cultivar relacionamentos entre as pessoas e com a natureza.E também uma felicidade interior baseada na espiritualidade".
O FIB situa a felicidade como o pivô do desenvolvimento.
Com certeza os butaneses, com sua sabedoria dos Himalaias, tem algo a nos ensinar.È posível prosperar em harmonia com o planeta sem perder a fonte da felicidade:nossas conexões uns com os outros, com a terra e com o espríto dentro de nós.
fonte: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/O,,EDR80676-6048,00.html

Angatuba-SP foi a primeira cidade no mundo a implementar experimentalmente o projeto do FIB fora do Butão. E logo em seguida, foi a vez da Conferência que aconteceu no SESC Pinheiros e na PUC em São Paulo, na Unicamp em Campinas e no Instituto Visão Futuro em Porangaba.(2008/2009)

segunda-feira, 9 de março de 2009

REDWOODS:UM DOS MAIS ANTIGOS SERES VIVOS DO MUNDORedwoods são sequoias muito altas (entre 90 e 100metros de altura) que vivem na costa oeste americana,mas precisamente na faixa costeira entre o sul do Oregon e a Califórnia.
O Redwoods Parque Nacional foi criado em 1968, ocupa uma área de 445Km2 e foi declarado Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1980.
As sequoias podem alcançar entre 2.000 e 3.000 anos, tem troncos retos e cilíndricos com 11 metros de diâmetro, com ramos horizontais ligeiramente curvado para baixo e tem uma crosta muito espessa, macia e brilhante. Essas árvores foram usadas para construir as primeiras casas em San Francisco.
A morte de uma velha sequoia significa vida para as mais jovens, que ficam dormentes por muitos anos na sobra das gigantes.Crescem de uma semente muito pequena , resistem ao fogo, se adaptam a condições climáticas diferentes. Também vivem em sua copa uma série de plantas e animais.Quando há tempestades suas raízes se entrelaçam ás das semelhantes e então se firmam.
Os madereiros estão acabando com elas.Hoje existe apenas 5% da floresta original.

Uma americana,Julian Butterfly (23 anos)subiu em uma sequoia de 55 m de altura e 600 anos de idade, apelidada de Luna , e lá ficou por 738 dias impedindo desta forma que uma empresa madereira cortasse Luna e mais 12 mil metros quadrados da floresta.


fonte de pesquisa :revista Vida Simples/Edição 75/janeiro2009

A RESIGNAÇÃO COMO CÚMPLICE


"A decadência de uma sociedade começa quando o homem pergunta a si próprio: 'O que irá acontecer?', em vez de inquirir:'O que posso fazer?"'. Denis De Rougemont.
"A decadência (seja ela na sociedade mais ampla, seja em quaisquer instâncias, como família,trabalho, política,etc) principia quando o imperativo ético da ação é substituido pela acomodação e pela espera desalentada, isto é, quando se abre mão do dever que emana da liberdade e exige, para ser exatamente livre, uma intervenção consciente", afirma Mario Sergio Cortella.
È lamentável o que está acontecendo com todos nós. Cada vez mais vamos nos acomodando com a violência, desemprego, corrupção, fome,como se tudo isso fosse normal.
Dizemos que nada fazemos pois somos impotentes perante os fatos e daí a prostração se torna um hábito.
Fernando Pessoa diza "na véspera de não partir nunca, ao menos não há que arrumar malas".
Cortella nos lembra o pensamento do inesquecível Paulo Freire, que dizia que não se pode confundir esperança do verbo esperançar com esperança do verbo esperar.
Nessa reflexão o filósofo afirma algo extremamente importante:
Esperançar é levantar,
esperançar é ir atrás,
esperançar é construir,
esperançar é não desistir!
Esperançar é levar adiante,
esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo".
Acrescentaria que esperançar é falar, apontar, trazer à luz todas estes fatos e ideias.
Cortella ainda vai mais longe ao afirmar"Resignar-se é, de forma contundente, concordar invluntáriamente ou até ser cúmplice passivo".
fonte: matéria publicada na Folha de São Paulo/outras ideias/A resignação como cumplice/ por Mario Sergio Cortella, filósofo e professor da PUC-SP.
Peço desculpas por não citar a data dessa matéria, por não tê-la aqui comigo.


Eu sei, mas não devia
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor.
E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz.
E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar o café correndo porque está atrasado.
A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá para almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.
E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos.
E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz.
E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.
E a ganhar menos do que precisa.
E a fazer fila para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagar mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes.
A abrir as revistas e ver anúncios.
A ligar a televisão e assistir a comerciais.
A ir ao cinema e engolir publicidade.
A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição.
Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
À luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar.
À lenta morte dos rios.
Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo.
Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.
(1972)

Marina Colasanti nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei mas não devia e também por Rota de Colisão. Dentre outros escreveu E por falar em Amor; Contos de Amor Rasgados; Aqui entre nós, Intimidade Pública, Eu Sozinha, Zooilógico, A Morada do Ser, A nova Mulher, Mulher daqui pra Frente e O leopardo é um animal delicado. Escreve, também, para revistas femininas e constantemente é convidada para cursos e palestras em todo o Brasil. É casada com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna.
O texto acima foi extraído do livro "Eu sei, mas não devia", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1996, pág. 09.

























domingo, 8 de março de 2009

DIA INTERNACIONAL das mulheres, dos homens, dos brancos, dos negros, dos amarelos, etc, etc...
Rendo-me a mídia! Vamos então falar de mulheres...
OLÍVIA PALITO: personagem criada por Elzie Crisler Segar em 1919.O nome dela em inglês "Olive Oyl" significa "azeite de oliva",mas com "oyl" no lugar de "oil", diferente da versão em português, seu nome original não tem nada a ver com ela ser magra.Olívia vivia sendo perseguida por Brutus, e sempre era salva por Popeye.
MINNIE: criação de Walt Disney em 1920/1930,namorada de Mikey
LULUZINHA: ou Little Lulu criada por Marjorie Henderson Bueli, publicada pela primeira vez em 1935, onde Lulu aparecia jogando flor num casamento, ou melhor, espalhando casca de banana.As tirinhas da personagem começaram a ser distribuídas regularmente em 1944.

WILMA FLINTSTONE:criada na década de 60, pela dupla Hanna-Barbera.Este desenho animado passa-se na idade da pedra. Wilma é uma exímia dona-de-casa, casada com Fred e mãe de Pedrita e sua melhor amiga é Betty, e quando pensa em trabalhar fora lá vem o Fred para brigar.
MULHER MARAVILHA: é uma super-heroína criada em 1941, pela DCComics.
Ela é a princesa de Themyscira, filha da rainha das amazonas.


MÔNICA ,personagem criada por Maurício de Sousa em 1963 e baseado em sua própria filha, que só se metia em encrencas.

MAITENA: personagem criada por uma escritora e cartunista argentina Maitena Inés Burundarena em 1962.
Fonte:quadrinhos do livro "Curvas Perigosas", de Maitena

MAFALDA:escrita e desenhada pelo cartunista argentino Quino. É uma garota preocupada com a Humanidade e com a paz mundial que se rebela com o estado atual do mundo.1964 a 1973.
HELGA: criada pelo ilustrador americano Dik Browne em 1973. Mulher de Hagar- o terrível.Sempre vestida com seu capacete de chifres, ela é uma verdadeira Valkíria.Ela dita as regras dentro de casa.Tem uma bela filha Honi.

Esqueceram de mim??????????????????????????????????????
Personagem criada por Carl Barks. È uma bruxa que constantemente tenta roubar a Moedinha número 1 de Tio Patinhas(1961)

Antes que a maga patalógica estrague a festa vamos cortar o bolo.
Quem está cortando o bolo?
Minha mãe é claro!

DIVIRTAM-SE...

Quem são????? não encontrei nenhuma referência na Wikipédia

fonte de pesquisa:Wikipédia

































































































































sexta-feira, 6 de março de 2009

ARNALDO ANTUNES
EXISTÊNCIA HUMANA:
Estou gostando ultimamente de ler os jornais pois algumas matérias publicadas, tem sido extremamente deliciosas e tem me ensinado muito.
Quero reproduzir "quase totalmente" o que Dulce Critelli, terapeuta existencial e professora de filosofia da PUC.SP escreveu em sua coluna da Folha de São Paulo de 5 de março (Outras Ideias / Folha Equilíbrio).
A matéria tem como título: "O leitor e a vergonha" e é uma reflexão sobre o filme "O Leitor" . O filme tem como pano de fundo o nazismo e conta a história de um garoto de 15 anos, classe média que se apaixona por uma mulher mais velha, pobre e analfabeta.Ela inicia-o no sexo , amor e outros interesses comuns e ele lê para ela.Alguns anos mais tarde os dois se encontram ; ele estudante de direito e ela acusada de um crime. Por vergonha os dois não revelam o que viveram.
Dulce Critelli analisa as razões desse silêncio e suas consequências .
"...se ela silencia sobre o que pode afetar seu próprio destino, ele silencia sobre o que pode mudar no dela".
A vergonha do personagem Michael é mais superficial, pois seu silêncio foi motivado pelo receio de que as pessoas o desqualificasse por ter se relacionado com ela, portanto,seu saber o condena a uma culpa sem perdão e liberdade. Enquanto a personagem Hanna não revela seu analfabetismo pois mostra uma vergonha estrutural, uma vergonha de si. Ser analfabeta era lhe uma grande ferida narcísica, mas não se dá conta do real alcance de sua decisão por não ter o "saber".
Assim a questão central do filme diz respeito a todos nós.
"Tudo o que fazemos (e dizemos) é fruto de uma escolha e tem consequências.Mesmo quando nos calamos ou nos omitimos.Mesmo quando as consequências não foram intencionais".
Dulce Critelli continua..."Não importa o que sentimos ou o que pensamos,mas o que fazemos".
O que se passa dentro de nós, não tem expressão no mundo.Só nossos atos e suas consequências aparecem e, deste modo, existem, porque há um leitor, um expectador que descubra algum sentimento para o que fazemos.Portanto, para quem somos".
O filme nos faz pensar:
Quantas vezes nos omitimos deixando de fazer ou falar diante de algo que poderia interferir favoravelmente no destino de outra pessoa?
Quantas vezes escondemos de nós mesmos fatos e sentimentos que acabam por nos prejudicar na vida?
Quantas vezes nos sentimos envergonhados por atitudes tomadas impulsivamente?
Quantas vezes agimos contra nós mesmos e contra os outros?
Resumindo:È preciso que nos conscientizemos da responsabilidade de nossas ações , pois elas tem consequências,mesmo quando nos calamos ou nos omitimos.




































quarta-feira, 4 de março de 2009

A cegueira ética da humanidade
Vou abordar uma matéria do jornal "O Estado de São Paulo" , escrita por Regina Scopke, filósofa, historiadora, sobre as idéias do filósofo Vladimir Jankélévitch em seu livro: O Paradoxo da Moral.
Para Vladimir Jankélévitch(1903-1985), filósofo e musicólogo francês, "o homem é um ser virtualmente ético, que existe como tal, isto é, como ser moral". Um ser moral "de tempos em tempos e de longe em longe-de muito longe em muito longe".
Embora o ser humano tenha seus valores, ele vive uma boa parte de sua vida numa espécie de cegueira moral ou ética, ou numa espécie de anestesiamento moral. Nas palavras do filósofo um estado de "eclipse da consciência ".
Para Regina,o homem"fala uma coisa e vive outra".
A existência humana é um eterno conflito entre os desejos e necessidades individuais e os deveres para com "o outro", e o homem um ser cindido por esse dilema. Diferentemente de Nietzsche que entende a consciência como uma espécie de carcereiro do homem, o filósofo Jankélévitch fala em voxconcientiae- o outro em nós,aquela que nos alerta dos perigos,das obrigações e deveres.
A moral é o conjunto de valores, normas, preceitos, proibições,"palavras de ordem", e ideais, ou seja , é a voz do campo social que está impregnada em nós, e agindo sobre nós.
A vida interior retratada pelo filósofo é repleta de tormentos, culpa, remorsos,e sobretudo de pavor diante das paixões e dos prazeres, sempre considerados perigosos para a conservação da vida social.
Regina Schöpke questiona: Será que o "eu" é sempre privado de seus direitos à felicidade ou à liberdade em prol dos outros?
E responde: "Sim e não". "Somos seres sociais, mas sem felicidade individual também não pode haver felicidade coletiva".
Orientando-se pelo pensamento de Nietzsche, (uma renúncia total torna o homem um ser cheio de imposturas e falsidades,vivendo hipócritamente e atordoado), a autora esclarece que é "preciso estar em consonância consigo mesmo e com a vida e buscar não uma elevação moral como fala Jankélévitch mas uma elevação real ,isto é, viver de fato os valores na sua máxima potência e não só de tempos em tempos ".
fonte:O Estado de São Paulo,1 de março de 2009/Cultura/D5
Concordo que uma das causas do sofrimento humano é este eterno dilema entre desejos e necessidades individuais e a adaptação social, ou como Freud postulava o ego tendo que conciliar as demandas do id (impulsos) com as exigências do superego. No entanto, penso que temos vivido esse conflito na potência máxima,pois as exigências são muito ambíguas.Vivemos numa cultura que venera o individualismo e o imediatismo dos desejos, que apregoa a importância da autenticidade,mas ao mesmo tempo não respeita as diferenças individuais, excluindo todo aquele grupo ou pessoa que porta uma singularidade, ou que difere dos padrões tido como "normais" ou desejáveis.
E como o que o homem mais teme é a exclusão social ou o ostracismo, também passa a viver de máscaras.

UMA CORRENTE DIFERENTE (recebi de uma amiga por e-mail)
Trata-se de um movimento de apoio à idéia do senador Cristóvão Buarque, que era candidato a presidente com a proposta da educação.Ele apresentou um projeto de lei propondo que todo político eleito(vereador, prefeito, deputado, etc.) seja obrigado a colocar os filhos na escola pública. As consequências seriam as melhores possíveis..Quando os políticos se virem obrigados a colocar seus filhos na escola pública, a qualidade do ensino no país irá melhorar. E todos sabem das implicações decorrentes do ensino público que temos no Brasil.
O que você pensa sobre essa proposta?



Ele pedia pão.

Eu, salmão.

Ele queria água.

Eu, vinho.

Eu pedia amor, dinheiro, saúde, trabalho.

Ele só pedia vida.

Eu inquieta, correndo, aflita

Fugindo da chuva

Com medo do tempo

Ele sorrindo, descalço na lama

Corria pra bola

Fugia das balas

Sonhava com campos de grama verde

E o grito ecoante depois do gol
...


Tatuado por Juliana Pestana

blog:http://mendoscopia.blogspot.com/


















terça-feira, 3 de março de 2009

POESIA
È fácil gostar de poesia, preste atenção é pura magia...
È uma ciranda de palavras, é lúdica.
A poesia concreta é uma obra de arte

"...é que quando eu cheguei por aqui eu nada entendia,dura poesia concreta de tuas esquinas...da feia fumaça que sobe apagando as estrelas eu vejo surgir os seus poetas de campos e espaços...porque és o avesso do avesso do avesso... e novos baianos te podem curtir numa boa". Caetano Veloso

A Poesia Concreta nasceu nos anos 50 com o Grupo Noigandres formado por Décio Pignatari e os irmãos Campos, Augusto e Haroldo. Foi lançada oficialmente em 1956 na Exposição Nacional de Arte Concreta. Alguns poetas aderiram ao movimento, como José Lino Grünewald, Ronaldo Azeredo e Ferreira Gullar, este último abandonandonou a Poesia Concreta e foi um dos fundadores do Neoconcreto. A Poesia Concreta influenciou artistas como Lenora de Barros, Caetano Veloso em fase Tropicália, Arnaldo Antunes entre outros artistas.

Haroldo de Campos
Haroldo de Campos
fonte:htpp://arvoredospoemas.blogspot.com/2007/09/poesia-concreta.html
Arnaldo Antunes



Augusto de Campos

Augusto de Campos (Greve-1962)



POESIA-CONCRETA: TENSÃO DE PALAVRAS-COISAS NO ESPAÇO-TEMPO.
O poeta concreto vê a palavra em si mesma - campo magnético de possibilidades - como um objeto dinâmico, uma célula viva, um organismo completo, com propriedades psicofisicoquímicas tacto antenas circulação coraação: viva.
- longe de procurar evadir-se da realidade ou iludí-la, pretende a poesia concreta, contra a introspecção autodebilitante e contra o realismo simplista e simplório, situar-se de frente para as coisas, aberta, em posição de realismo absoluto.
fonte:http.//www.2.uol.com.br/augustodecampos/poesiasconc.htm
(vale a pena conhecer este site)

segunda-feira, 2 de março de 2009

SOBRE A ÉTICA DA RESPONSABILIDADE

Ontem no jornal o Estado de São Paulo, Jorge Forbes,psicanalista e psiquiatra escreveu um artigo bastante interessante sobre o comportamento do presidente Lula e do chanceler Celso Amorim no caso de Paula Oliveira.
Alguns críticos se diziam indignados com o fato de ambos terem dado crédito àquela moça que apareceu recentemente em todos os jornais com escoriações pelo corpo, afirmando ter sido agredida por manifestantes de um grupo neonazista, na Suíça.
Jorge Forbes analisa o erro de Lula e de Amorim entendendo que eles foram induzidos ao menos por dois fatores:
O contexto: "ataques neonazistas na Suíça é plausível"
A suposta mentira de Paula em pontos intocáveis da sociedade: ataque a mulher, grávida,e por racismo.
O que Forbes questiona é o seguinte:"Será que a resposta a esse estado de coisas é ficarmos todos desconfiados, bem espertos, e só agirmos frente a evidências cientificamente comprovadas, para não passarmos por tolos, imprudentes , ou emotivos?"
O psicanalista então recorre ao filósofo, alemão Hans Jonas(1903-1983) ,"que afirmava que após a euforia da esperança da técnica que nos rendeu a utopia de bem estar irresponsável, porquanto apagava a subjetividade, devemos nos preparar para o PRINCÍPIO RESPONSABILIDADE".
Forbes destaca o seguinte trecho do pensamento do filósofo:"A responsabilidade é o cuidado reconhecido como obrigação em relação a um outro ser, que se torna preocupação quando há uma ameça à sua vulnerabilidade".
E também:" O fenômeno do sentimento torna o coração receptível ao dever, não lhe questionando a razão e animando a responsabilidade assumida com o seu élan.È difícil, senão impossível, assumir a responsabilidade por algo que não se ame, de modo que é mais fácil engendrar o amor para tal do que cumprir o seu dever livre de toda inclinação."
Concluindo , Jorge Forbes afirma que" nesse sentido, o presidente e o chanceler foram responsáveis, pois ser responsável não excui uma injustiça, nem quer dizer estar livre de toda inclinação, como se a pura objetividade fosse possível ou almejável."
Forbes termina seu artigo afirmando :"Entre a tolice possível e a certeza do esperto, necessáriamente enganadora, Bravo! à tolice possível.
Melhor mil vezes nos enganarmos ao socorrer uma mulher machucada e aos prantos, que vestirmos a mortalha dos espertos.Pois se o pior não aconteceu-diríamos como Jonas-, ter se enganado deveria ser considerado um mérito".
fonte: O Estado de São Paulo, domingo,1 de março de 2009, J6/Aliás

Concordo integralmente com essas idéias, e penso que está mais do que na hora de acordarmos em relação às nossas responsabilidades .
Um belíssimo filme que aborda essa questão e que não podemos deixar de assistir é
" A vida dos outros"


















domingo, 1 de março de 2009

Para começar bem a semana ou para terminar a noite de domingo sem o fantástico...











Fonte:http://tiras-hagar.blogspot.com

Agora chega de brincadeira e vamos falar sério.
Recentemente os meios científicos divulgaram
como está ocorrendo a evolução humana

BOA NOITE













































































































































Apontadora de Idéias

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"A senhora me desculpe, mas no momento não tenho muita certeza. Quer dizer, eu sei quem eu era quando acordei hoje de manhã, mas já mudei uma porção de vezes desde que isso aconteceu. (...) Receio que não possa me explicar, Dona Lagarta, porque é justamente aí que está o problema. Posso explicar uma porção de coisas... Mas não posso explicar a mim mesma." (Lewis Carroll)

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