segunda-feira, 18 de março de 2013



Igreja de Santa Sabina , em Roma
imagem do site:www.ecclesia.com.br/...
Veja a nave retangular, flanqueada aos lados por duas filas de colunas e fechada ao fundo por uma abside que acolhe o altar-mor. Se você conhecer a linguagem arquitetônica, refletirá profundamente sobre tudo isso e captará o "âmbito espiritual" que os primeiros cristãos quiseram instaurar.É um âmbito de união de um grupo de peregrinos que caminha para a pátria verdadeira.
...Quando lhes foi permitido edificar templos, os cristãos de Roma olharam ao seu redor a fim de se inspirar. O templo romano por excelência- o Panteão- possui uma planta circular e uma cúpula esférica. O círculo e a esfera são figuras "perfeitas" para os antigos, mas convidam ao estatismo, porque a partir do centro domina-se perfeitamente todo o espaço. Nada convida a percorrê-lo.Essa atitude estática corresponde muito bem à concepção romana de vida, mas se opõe ao espírito de peregrinos que caracteriza os cristãos, para quem essa  vida não é senão um prelúdio da vida verdadeira. Os primeiros cristãos rejeitaram o modelo do Panteão e tomaram a dos salões nobres denominados "basílicas". Sua forma retangular, com duas absides nos lados mais curtos e duas filas de colunas de mármore ao redor, suscitava também uma atitude estática. Para passar dessa atitude a uma que fosse dinâmica, os cristãos suprimiram uma das absides e abriram nela a porta de entrada. Eliminaram as séries de colunas correspondentes aos lados curtos e fecharam as laterais. O altar, eles o situaram diante da abside restante. E dessa forma conseguiram criar uma linha diretriz horizontal que dirige o olhar do cristão para o altar, que é o ponto de confluência comum.
Alfonso López Quintás- Inteligência criativa/descoberta pessoal de valores

quinta-feira, 14 de março de 2013

 
 
"Para chegar ao outro lado, é preciso abandonar o barco seguro dos hábitos e seguranças anteriores e andar sobre a água,como Pedro. Isso só funciona enquanto Pedro está orientado para Cristo. No momento em que percebe a ventania e as ondas, ele afunda".
Andreas Ebert

segunda-feira, 11 de março de 2013

"Onde não se admite a tristeza, ela bloqueia o fluxo da vida, e surge a depressão.Muitas vezes ela é encoberta com comprimidos ou extravasada com álcool. Assim não é possível deter o círculo vicioso. A tristeza precisa de um "container"uma pessoa ou um grupo onde possa existir e tenha lugar". Andreas Ebert

segunda-feira, 4 de março de 2013

Poder, dinheiro e sexo
Folha de São Paulo/04/03/ 2013
 
imagem da internet
 
"Meu Deus, eu queria tanto ouvir um pecado novo." Esta frase me foi dita por uma amiga minha, uma verdadeira dama, citando um padre amigo seu.
Esta fala revela a repetição dos temas humanos: dinheiro, poder, sexo. Nada há de novo embaixo do sol, como diz a Bíblia Hebraica. Iniciantes acham que há.
Posso imaginar a monotonia do confessionário. Para nós, mero mortais, a ideia, por exemplo, de uma mulher contando suas infidelidades, reais ou imaginárias, é uma delícia de luxúria. Para o apreciador do sexo frágil, o segredo do mundo está entre as pernas das mulheres.
Aliás, a luxúria é um dos sete pecados capitais. E pecado é coisa séria, apesar de hoje estar na moda achar que não existem mais pecados. Eu, que sou um medieval, creio mais neles do que nas ciências humanas.
Ingênuos acreditam que a vida mudou em sua "essência". Mesmo o caso do Vatileaks repete a velha história de poder, dinheiro e sexo.
Mesmo Jesus, em seus 40 dias no deserto (que por sua vez simbolizam os 40 anos do povo hebreu perdido no Sinai, pós-Egito), foi tentado nesta velha chave: poder, ouro, mulheres.
Mas existe uma hierarquia nesta estrutura. Por exemplo, ninguém nunca perdeu mulher perseguindo dinheiro (ouro), mas sim perdeu muito dinheiro perseguindo mulher, portanto, dinheiro é mais essencial e seguro do que começar por mulheres. Uma vez tendo o dinheiro, elas virão.
"Sabedorias" como essa falam do pecado, essa marca de nossa natureza humana.
Prever o comportamento humano a partir do pecado é quase uma ciência exata.
Uma coisa chata sobre essa ciência exata do pecado é justamente ela furar nossas utopias.
E o mundo moderno, assim como é o tempo da técnica e da ciência, é também o tempo da mentira moral generalizada que se diz utopia.
Adianto que não uso pecado aqui como algo necessariamente religioso, mas sim como traço de comportamento verificável do tipo "ratinho do Pavlov": os sete pecados capitais funcionam "cientificamente" melhor do que a luta de classes.
Lembre, por exemplo, da inveja que seu colega de trabalho tem quando você tem mais sucesso do que ele.
E se ele não reagir de modo banal, isto é, babar de inveja, saiba que você está diante de alguém de caráter. Coisa rara.
As feias querem matar suas colegas mais bonitas. A única esperança das feias é que as bonitas sejam mesmo burras e superficiais.
Mas a luxúria é top. Depois da revolução sexual pensamos que a luxúria não existe mais e que "sexo salva". Pensar isso é coisa de iniciante.
O que caracteriza o pecado é que ele extenua a pessoa. A ideia mais perto disso é a ideia de vício. Vício em drogas, álcool. Luxúria seria o vício no sexo.
Alguns especialistas acham que não existe vício em sexo e que falar disso é simplesmente ser "moralista" ou ter inveja de quem faz muito sexo.
Eu suspeito de que quem acha que não existe vício em sexo é que não faz sexo o suficiente, por isso não sabe o que é estar submetido a um desejo que destrói a alma.
Neste caso, a simples visão de uma mulher, suas pernas, sua voz, seus gestos, implica no silêncio do resto do mundo.
Os antigos e medievais entendiam mais da natureza humana do que nós, principalmente porque eram menos utópicos e não sofriam dessa bobagem de achar que é a "ideologia" que determina quem somos.
A "crítica da ideologia" é uma das pragas contemporâneas e virou uma espécie de fetiche do pensamento, que nos impede de ver o óbvio: poder e dinheiro trazem sexo, seja homem ou mulher, isso não é "ideológico".
Quase todo mundo faz quase o tempo todo quase tudo por poder, dinheiro e sexo.
Sobre o risco de conceitos virarem fetiche, o livro de Luís de Gusmão, "O Fetichismo do Conceito" (Topbooks), é uma pérola. Recomendo para quem acredita em "mitos".
Autores como Evagrio Pônticos (345-399), Santo Agostinho (354-430) e São Tomás de Aquino (1225-1274) podem nos ensinar bastante sobre natureza humana.
Saia da moda e leia os antigos e os medievais. Para eles, o pecado é a perda da autonomia da vontade. Quem nunca viveu isso, que se cale e vá brincar.
 
Luiz Felipe Pondé, pernambucano, filósofo, escritor e ensaísta, doutor pela USP, pós-doutorado em epistemologia pela Universidade de Tel Aviv, professor da PUC-SP e da Faap, discute temas como comportamento contemporâneo, religião, niilismo, ciência. Autor de vários títulos, entre eles, "Contra um mundo melhor" (Ed. LeYa). Escreve às segundas na versão impressa de "Ilustrada".

sábado, 2 de março de 2013

Como é bom saber que ainda há jovens que acreditam no Amor.
Esse texto é de Guilherme Palazzo

     imagem: Leonid_ Afremovi_by

"E assim o filho ia vivendo. Vivia apenas por viver? Acredita-se que não, mas não tinha emoção. Todo dia, quando chegava da escola, era a mesma
ideia sobre as coisas. Nada parecia mudar sua percepção. Nada parecia fazer com que ele olhasse para uma maçã e percebesse o que estava além da maçã.
 Você percebe? Certo dia chegou da escola e não só ele, como também sua mãe, perceberam que algo havia mudado. Foi uma mudança tão repentina quanto o breve olhar que fitou em
uma garota na escola. Apesar da brevidade, aquela imagem ficou martelando em sua cabeça até a hora ue chegou em casa.
Nada pôde fazer naquele momento em que não houve troca de olhares, pois já era hora de ir embora. Mas falaremos disto
depois. Almoçou normalmente e adivinha o que havia de sobremesa? Maçã. Pegou-a como quem pega algo muito frágil. Ficou ali, parado, olhando e apreciando uma beleza que jamais
soubera ver. Para ele o tempo não estava passando, mas na verdade estava e estava tão rápido, que ele não conseguia acom-
panhar...então preferiu se sentir estático para eternizar aquele momento. Sua mãe passou e não mais que por impulso perguntou :
"Você ainda está ai filho? O que está acontecendo?" Ele nem se quer ouviu o que sua mãe disse pois estava muito concentrado, mas logo a indagou:
 "Mãe, o que é o amor?" Ela não sabia exatamente o que responder, aquela pergunta a havia deixado surpresa e, ao mesmo tempo,
não sabia se era a hora certa para tentar explicar. Pestanejou. Hesitou. "Bem filho, o amor é...como posso lhe explicar...o amor é por si só, a sua plenitude."
- Disse. Pensou rápido que se ele havia feito tal pergunta, era porque estava sentindo algo diferente e mesmo pensando que
ele não havia entendido sua explicação, saiu de perto e o deixou pensando. O garoto nem ao menos sabia o que era plenitude e, instigado pelo momento, foi logo ao dicionário que guardava no
 criado-mudo de seu quarto. Procurou. Achou. Leu. Entendeu. Entendeu? Ah, sim! Entendeu a oalavra, mas e o amor?"
Você o entende? Você o quer entender? Não seria melhor senti-lo? Não se ateve mais ao que sua mãe disse, apenas olhou
para a maçã e sentiu, mesmo sem entender. Já estava tarde, apesar de não parecer aquele momento solene o roubara a tarde e parte da noite.
Deitou-se e sua única pretensão aquela noite era sonhar com aquele belo rosto. No dia seguinte, fitou novamente a garota com seu olhar tímido e solitário, mas agora com uma certeza.
A certeza de que ela lhe remetia a algo que aconteceu anteriormente, mesmo não a conhecendo de lugar algum.
 Ficou muito confuso apesar de tal certeza e, entendeu menos ainda, mas sentiu. Era o amor. Era o olhar diferente para a maçã. Era o olhar para qualquer objeto eo transformá-lo para
sua realidade, para algo que te faz bem. Ele amou aquela garota, a amou com os olhos. Amou com a certeza da incerteza do que iria acontecer e era isso que brotava o sentimento a cada dia. A vontade de não entender, para ai sim entender
como o amor era belo, singelo.
 Sua garra e determinação pelo sentimento eram tamanhos, que levaram tal garota à idolatria. Sim, ele conseguia amar com os
olhos! Voltou para casa com um sorriso estampado em seu rosto que jamais ousara mostrar. Apenas sentou à mesa como um dia normal e, mesmo sentindo tudo que queria sentir, não
pediu conselhos à sua mãe, pois não queria tentar entender. Sua maior vontade daquele momento em
diante, era que alguém lhe perguntasse se sua vida teria valido a pena, para que ele pudesse encher o peito de orgulho e dizer: sim, pois eu amei."

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Às vidas na UTI


É comum ouvir por aqui e por acolá: “Fulano está nas últimas. Foi parar até na UTI, coitado”. É como se o destino de quem precisasse da unidade de emergência máxima de um hospital já estivesse selado e o calcanhar do cidadão já começasse a afundar na cova. Parar ali seria como se apresentar na antessala de são Pedro.
Essa aberrante história da médica do Paraná que, ao que tudo indica, dormia fora da casinha e adotava procedimentos heterodoxos na unidade que chefiava, pelo menos pode servir para chamar mais a atenção para aqueles que precisam, em algum momento, ficar em um local de tratamentos intensivos.
Como ex-hóspede de UTIs por três vezes (após serviços de funilaria na coluna e nas pernas tortas), penso que as unidades não devem jamais ser vistas como o pavilhão da morte, como a porta de entrada do além.
Os locais são, sim, as esferas máximas da ciência e da inteligência humana em prol da vida, em prol da recuperação da carcaça abatida, da mente desgastada, de ajuste após uma pane no sistema de controle de poder acordar e fazer tudo igual ou não.
É na unidade de terapia intensiva que os médicos mais profundamente agarrados aos valores humanos deveriam trabalhar. Para eles, fazer diferenciação no modo de tratar os que ali estão seria impensável, impraticável e impossível.
No sangue desses profissionais só correria garra de fazer mais, os batimentos cardíacos só gritariam “para a frente, para a frente” e suas pressões arteriais, equilibradíssimas, empurrariam para caminhos de esperança, de novas possibilidades.
Na UTI, só deveriam entrar aqueles capacitados para serem incansáveis em acreditar na recuperação dos outros, aqueles mais sensíveis para entender que, para cada um dos internos de sua unidade, há uma família aflita por esperança e por boas-novas.
Quando alguém entra em um serviço de tratamento intensivo, fica do lado de fora um caminhão de dúvidas: quantas vezes vão escovar seus dentes e cuidar dos cabelos? Quem fará os movimentos do seu corpo enquanto a mente estiver descansando? O clima lá dentro é de esperança ou é insosso?
Já ouvi relatos de barbaridades ditas por profissionais que atuam com pessoas que supostamente estavam “para lá de Bagdá”, entubadas, aparelhadas, sedadas ao máximo, mas, em alguns casos, conscientes.
Mais uma vez, aqui, penso que essa área hospitalar teria de, permanentemente, relembrar entre a equipe suas funções, suas missões, suas obrigações médicas, morais e de humanidade.
Ir “parar na UTI” deveria ser entendido como o momento em que tudo será feito para que você tenha uma nova chance de seguir adiante. E quem é bem acolhido em uma situação dessas, quem resgata a existência após uma experiência dessas, tende a ser agraciado com pacotes imensos de esperança a ser distribuída.
Há vidas nas UTIs. Há pessoas agarradas à fé de que a evolução do homem é tão maravilhosa que é capaz de resgatar qualquer um de seu suposto ponto final. Xô aos incrédulos que querem abreviar o caminho de quem brecou em uma curva, mas que ainda tem muita estrada adiante!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013


Santo Antão vivia no deserto, quando se aproximou um jovem:
“Padre, vendi tudo que tinha e dei aos pobres. Guardei apenas umas poucas coisas para me ajudar a sobreviver aqui. Gostaria que me ensinasse o caminho da salvação”.
Santo Antão pediu que o rapaz vendesse as poucas coisas que havia guardado, e – com o dinheiro – comprasse carne na cidade. Na volta, devia trazer a carne amarrada em seu corpo.
O rapaz obedeceu. Ao voltar, foi atacado por cachorros e falcões, que queriam um pedaço da carne.
“Eis-me de volta”, disse o rapaz, mostrando o corpo arranhado, mordido, e as roupas em frangalhos.
“Aqueles que dão um passo novo e ainda querem manter um pouco da vida antiga, terminam dilacerados pelo próprio passado”, foi o comentário do santo.
 “Melhor livrar-se de tudo, antes de dar o próximo passo, e acreditar que pode sobreviver apenas porque teve coragem”.
Paulo Coelho

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O Lado Obscuro de cada um de Nós
 
Passou no seu casamento por aquilo que é quase um facto universal - os indivíduos são diferentes uns dos outros.
 Basicamente, constituem um para o outro um enigma indecifrável. Nunca existe acordo total. Se cometeu algum erro, esse erro consistiu em ter-se esforçado demasiadamente por compreender totalmente a sua mulher e por não ter contado com o facto de, no fundo, as pessoas não quererem saber que segredos estão adormecidos na sua alma. Quando nos esforçamos demasiado por penetrar noutra pessoa, descobrimos que a impelimos para uma posição defensiva e que ela cria resistências porque, nos nossos esforços para penetrar e compreender, ela sente-se forçada a examinar aquelas coisas em si mesma que não desejava examinar. Toda a gente tem o seu lado obscuro que - desde que tudo corra bem - é preferível não conhecer.

Mas isto não é erro seu. É uma verdade humana universal que é indubitavelmente verdadeira, mesmo que haja imensas pessoas que lhe garantam desejar saber tudo delas próprias. É muito provável que a sua mulher tivesse muitos pensamentos e sentimentos que a tornassem desconfortável e que ela desejava ocultar de si mesma. Isto é simplesmente humano. É também por este motivo que tantas pessoas idosas se refugiam na própria solidão, onde não serão incomodadas. E é sempre sobre coisas de que elas não desejariam estar muito cientes. O senhor não é, obviamente, responsável pela existência destes conteúdos psíquicos. Se, apesar disto, ainda for atormentado por sentimentos de culpa, reflicta então sobre os pecados que não cometeu e que gostaria de ter cometido. Isto poderá eventualmente curá-lo dos seus sentimentos de culpa relativamente à sua mulher.

Carl Jung, in 'Cartas'

figura: da intenet

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Quaresma - Frei Beto/2012






 
Entro nessa Quaresma sem fantasia, disposto às abstinências que resgatam, no mais íntimo de mim mesmo, a minha verdadeira identidade.
Calarei a língua ferina e não macularei a fama alheia exposta em público no varal de minhas cordas vocais.
Não darei ouvidos a inconfidências, nem ao ruído ensurdecedor das palavras vãs de quem só escuta a própria voz.
Fecharei o olhos para ver melhor e abrirei as janelas à revoada dos anjos.
Contemplarei as montanhas ocas de minha terra e derramarei uma lágrima por seus úteros arrancados e sonegados ao meu povo.
Nesta Quaresma, riscarei de meu dicionário o vocábulo competitividade e com aquarelas de utopias gravarei no coração solidariedade.
Irei ao encontro de quem ainda luta por direitos animais: comer, beber, educar a cria e abrigar-se das intempéries.
Só assim costurarei minha humanidade esgarçada.
Jejuarei da ânsia consumista e ofertarei meu supérfluo tão necessário ao próximo.
Abrirei a janela do carro e afagarei as crianças de rua, filhos de minha imobilidade frente a tantas injustiças.
Pagarei, com juros, a minha dívida social.
Farei de Jesus parceiro de aventuras e deixarei que o seu Espírito engravide o meu.
Buscarei o silêncio orante e meditarei para inebriar-me da espiritualidade do conflito.
Adotarei o Sermão da Montanha como estatuto pessoal e acertarei meus passos nas trilhas de Gandhi, Che Guevara e Luther King.
Arrancarei toda erva daninha - ciúme, inveja, ira - do canteiro de meus amores e cultivarei copas frondosas de quaresmeiras coloridas de ternura.
Serei perdulário com o bom humor e espalharei alegria como o ar que nos é dado a respirar.
Nesta Quaresma, participarei da Campanha da Fraternidade e direi não às drogas - as que me consomem horas de vida no cuidado envaidecido de meu corpo e as que me aprisionam no medo de lutar contra as iniqüidades.
Desfraldarei a bandeira de minha indignidade e revelarei esperanças que, olhos no futuro, me fazem acreditar num belo horizonte.
Peregrino solitário e solidário, irei às fontes do transcendente.
Ao encontrar meu próprio poço,mergulharei como um menino em suas águas profundas, até que o Pai de Amor me acolha em seus braços, dando-me de beber o vinho pascal do homem novo.













quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Feliz por receber  de presente o selo da minha querida mestra Cláudia do blog Claudiaroma que vale à pena conferir...


As regras a serem seguidas são as seguintes:
Agradecer à pessoa que te deu essa nomeação e incluir um link para o seu blog.

Escrever 7 coisas a meu respeito:
.Acredito em Deus Pai ,Deus Filho e Deus Espírito Santo
.Sou devota de Nossa Senhora
.Amo e sou fiel à minha família
.Minha vocação é ser Psicóloga
.Tenho amigos que são preciosos
.sou uma leitora voraz
.gosto de ficar em casa
 

Temos que escolher 15 blogs e presenteá-los com o The Versatile Blogger Award.
Minhas escolhidas são muito especiais .Sintam-se a vontade quanto a aceitar.
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Última regrinha, visitar os amigos e avisá-los que tem presentinho por aqui...ah e não deixe de visitar esses blogs amigos.
 

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Psicanálise e poesia
“A psicanálise nasceu com a descoberta de que as palavras são cheias de silêncio. Aqueles que só entendem o que é falado ou escrito não entendem coisa alguma: a letra mata.


O corpo fala línguas ininteligíveis: glossolalia. Babel deve dar lugar a Pentecostes. A verdade vive no avesso daquilo que é conhecido com familiaridade. Sabedoria é loucura, loucura é sabedoria. Como o Deus Absconditus, a verdade também vem escondida, sob um disfarce. Ela usa máscaras.
 
 Todas as palavras, tomadas literalmente, são falsas. A verdade mora no silêncio que existe em volta das palavras. Prestar atenção ao que não foi dito, ler entre as linhas. A atenção flutua: toca as palavras sem cair em duas armadilhas, sem ser por elas enfeitiçadas. Cuidado com a sedução da clareza! Cuidado com o engano do óbvio!
[...]

A psicanálise é um ouvir atento do silêncio que mora nos interstícios das palavras, a fim de ouvir o que não foi falado.Mas isso não foi invenção da psicanálise: a psicanálise apenas acreditou naquilo que já havia sido conhecido por milhares de anos e depois varrido para fora do salão como lixo, pela etiqueta das ideias claras e distintas.
Muito antes da psicanálise, os poetas buscam as palavras que moram no silêncio.”



Rubem Alves em Lições de Feitiçaria

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o sono profundo das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes. (Exausto)
Adélia Prado

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

 
 
As melhores e as mais lindas coisas do mundo não se pode ver nem tocar. Elas devem ser sentidas com o coração. Não devemos ter medo dos confrontos. Até os plenetas se chocam, e do caos nascem as estrelas. Não se mede o valor de um homem pelas suas roupas ou pelos bens que possui, o verdadeiro valor do homem é o seu caráter, suas idéias e a nobreza dos seus ideais. Charles Chaplin

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

O que foi vivido mudará.
O que não foi vivido perturbará.
Todo adeus será covarde."

Fabrício Carpinejar

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

 
Nenhuma época acumulou sobre o ser humano conhecimentos tão numerosos e tão diversos quanto a nossa. Nenhuma época conseguiu apresentar seu saber do ser humano sob uma forma tão pronta e tão facilmente acessível. Mas também nenhuma época soube menos o que é o ser humano.
MARTIN HEIDEGGER

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

''Dentro da igreja, ajoelhe-se. No estádio de futebol, grite pelo seu time. Numa festa, comemore. Durante um beijo, apaixone-se. De frente para o mar, dispa-se. Reencontrou um amigo, escute-o.

Ou faça de outro jeito, se preferir: dentro da igreja, escute-O. Durante um beijo, dispa-se. No estádio de futebol, apaixone-se. De frente para o mar, ajoelhe-se. Numa festa, grite pelo seu time. Reencontrou um amigo, comemore.
Esteja, entregue-se.''

Martha Medeiros - Os ausentes



segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

 
 
O mar é o mestre da primeira vez e não pára de ondear suas lições. Nenhuma onda é a mesma onda. Nenhum peixe o mesmo peixe. Nenhuma tarde a mesma tarde. O mar é um morrer sucessivo e um viver permanente. Ele se desfolha em ondas e não para de brotar. A contemplá-lo, ao mesmo tempo sou jovem e envelheço.

O mar é recomeço.
Affonso Romano de Sant'Anna

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012



                  O GIRO DE IDEIAS anda girando por aí.           









domingo, 2 de dezembro de 2012

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Apontadora de Idéias

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São Paulo, Brazil
"A senhora me desculpe, mas no momento não tenho muita certeza. Quer dizer, eu sei quem eu era quando acordei hoje de manhã, mas já mudei uma porção de vezes desde que isso aconteceu. (...) Receio que não possa me explicar, Dona Lagarta, porque é justamente aí que está o problema. Posso explicar uma porção de coisas... Mas não posso explicar a mim mesma." (Lewis Carroll)

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