segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O Lado Obscuro de cada um de Nós
 
Passou no seu casamento por aquilo que é quase um facto universal - os indivíduos são diferentes uns dos outros.
 Basicamente, constituem um para o outro um enigma indecifrável. Nunca existe acordo total. Se cometeu algum erro, esse erro consistiu em ter-se esforçado demasiadamente por compreender totalmente a sua mulher e por não ter contado com o facto de, no fundo, as pessoas não quererem saber que segredos estão adormecidos na sua alma. Quando nos esforçamos demasiado por penetrar noutra pessoa, descobrimos que a impelimos para uma posição defensiva e que ela cria resistências porque, nos nossos esforços para penetrar e compreender, ela sente-se forçada a examinar aquelas coisas em si mesma que não desejava examinar. Toda a gente tem o seu lado obscuro que - desde que tudo corra bem - é preferível não conhecer.

Mas isto não é erro seu. É uma verdade humana universal que é indubitavelmente verdadeira, mesmo que haja imensas pessoas que lhe garantam desejar saber tudo delas próprias. É muito provável que a sua mulher tivesse muitos pensamentos e sentimentos que a tornassem desconfortável e que ela desejava ocultar de si mesma. Isto é simplesmente humano. É também por este motivo que tantas pessoas idosas se refugiam na própria solidão, onde não serão incomodadas. E é sempre sobre coisas de que elas não desejariam estar muito cientes. O senhor não é, obviamente, responsável pela existência destes conteúdos psíquicos. Se, apesar disto, ainda for atormentado por sentimentos de culpa, reflicta então sobre os pecados que não cometeu e que gostaria de ter cometido. Isto poderá eventualmente curá-lo dos seus sentimentos de culpa relativamente à sua mulher.

Carl Jung, in 'Cartas'

figura: da intenet

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Quaresma - Frei Beto/2012






 
Entro nessa Quaresma sem fantasia, disposto às abstinências que resgatam, no mais íntimo de mim mesmo, a minha verdadeira identidade.
Calarei a língua ferina e não macularei a fama alheia exposta em público no varal de minhas cordas vocais.
Não darei ouvidos a inconfidências, nem ao ruído ensurdecedor das palavras vãs de quem só escuta a própria voz.
Fecharei o olhos para ver melhor e abrirei as janelas à revoada dos anjos.
Contemplarei as montanhas ocas de minha terra e derramarei uma lágrima por seus úteros arrancados e sonegados ao meu povo.
Nesta Quaresma, riscarei de meu dicionário o vocábulo competitividade e com aquarelas de utopias gravarei no coração solidariedade.
Irei ao encontro de quem ainda luta por direitos animais: comer, beber, educar a cria e abrigar-se das intempéries.
Só assim costurarei minha humanidade esgarçada.
Jejuarei da ânsia consumista e ofertarei meu supérfluo tão necessário ao próximo.
Abrirei a janela do carro e afagarei as crianças de rua, filhos de minha imobilidade frente a tantas injustiças.
Pagarei, com juros, a minha dívida social.
Farei de Jesus parceiro de aventuras e deixarei que o seu Espírito engravide o meu.
Buscarei o silêncio orante e meditarei para inebriar-me da espiritualidade do conflito.
Adotarei o Sermão da Montanha como estatuto pessoal e acertarei meus passos nas trilhas de Gandhi, Che Guevara e Luther King.
Arrancarei toda erva daninha - ciúme, inveja, ira - do canteiro de meus amores e cultivarei copas frondosas de quaresmeiras coloridas de ternura.
Serei perdulário com o bom humor e espalharei alegria como o ar que nos é dado a respirar.
Nesta Quaresma, participarei da Campanha da Fraternidade e direi não às drogas - as que me consomem horas de vida no cuidado envaidecido de meu corpo e as que me aprisionam no medo de lutar contra as iniqüidades.
Desfraldarei a bandeira de minha indignidade e revelarei esperanças que, olhos no futuro, me fazem acreditar num belo horizonte.
Peregrino solitário e solidário, irei às fontes do transcendente.
Ao encontrar meu próprio poço,mergulharei como um menino em suas águas profundas, até que o Pai de Amor me acolha em seus braços, dando-me de beber o vinho pascal do homem novo.













quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Feliz por receber  de presente o selo da minha querida mestra Cláudia do blog Claudiaroma que vale à pena conferir...


As regras a serem seguidas são as seguintes:
Agradecer à pessoa que te deu essa nomeação e incluir um link para o seu blog.

Escrever 7 coisas a meu respeito:
.Acredito em Deus Pai ,Deus Filho e Deus Espírito Santo
.Sou devota de Nossa Senhora
.Amo e sou fiel à minha família
.Minha vocação é ser Psicóloga
.Tenho amigos que são preciosos
.sou uma leitora voraz
.gosto de ficar em casa
 

Temos que escolher 15 blogs e presenteá-los com o The Versatile Blogger Award.
Minhas escolhidas são muito especiais .Sintam-se a vontade quanto a aceitar.
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Última regrinha, visitar os amigos e avisá-los que tem presentinho por aqui...ah e não deixe de visitar esses blogs amigos.
 

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Psicanálise e poesia
“A psicanálise nasceu com a descoberta de que as palavras são cheias de silêncio. Aqueles que só entendem o que é falado ou escrito não entendem coisa alguma: a letra mata.


O corpo fala línguas ininteligíveis: glossolalia. Babel deve dar lugar a Pentecostes. A verdade vive no avesso daquilo que é conhecido com familiaridade. Sabedoria é loucura, loucura é sabedoria. Como o Deus Absconditus, a verdade também vem escondida, sob um disfarce. Ela usa máscaras.
 
 Todas as palavras, tomadas literalmente, são falsas. A verdade mora no silêncio que existe em volta das palavras. Prestar atenção ao que não foi dito, ler entre as linhas. A atenção flutua: toca as palavras sem cair em duas armadilhas, sem ser por elas enfeitiçadas. Cuidado com a sedução da clareza! Cuidado com o engano do óbvio!
[...]

A psicanálise é um ouvir atento do silêncio que mora nos interstícios das palavras, a fim de ouvir o que não foi falado.Mas isso não foi invenção da psicanálise: a psicanálise apenas acreditou naquilo que já havia sido conhecido por milhares de anos e depois varrido para fora do salão como lixo, pela etiqueta das ideias claras e distintas.
Muito antes da psicanálise, os poetas buscam as palavras que moram no silêncio.”



Rubem Alves em Lições de Feitiçaria

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o sono profundo das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes. (Exausto)
Adélia Prado

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

 
 
As melhores e as mais lindas coisas do mundo não se pode ver nem tocar. Elas devem ser sentidas com o coração. Não devemos ter medo dos confrontos. Até os plenetas se chocam, e do caos nascem as estrelas. Não se mede o valor de um homem pelas suas roupas ou pelos bens que possui, o verdadeiro valor do homem é o seu caráter, suas idéias e a nobreza dos seus ideais. Charles Chaplin

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

O que foi vivido mudará.
O que não foi vivido perturbará.
Todo adeus será covarde."

Fabrício Carpinejar

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

 
Nenhuma época acumulou sobre o ser humano conhecimentos tão numerosos e tão diversos quanto a nossa. Nenhuma época conseguiu apresentar seu saber do ser humano sob uma forma tão pronta e tão facilmente acessível. Mas também nenhuma época soube menos o que é o ser humano.
MARTIN HEIDEGGER

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

''Dentro da igreja, ajoelhe-se. No estádio de futebol, grite pelo seu time. Numa festa, comemore. Durante um beijo, apaixone-se. De frente para o mar, dispa-se. Reencontrou um amigo, escute-o.

Ou faça de outro jeito, se preferir: dentro da igreja, escute-O. Durante um beijo, dispa-se. No estádio de futebol, apaixone-se. De frente para o mar, ajoelhe-se. Numa festa, grite pelo seu time. Reencontrou um amigo, comemore.
Esteja, entregue-se.''

Martha Medeiros - Os ausentes



segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

 
 
O mar é o mestre da primeira vez e não pára de ondear suas lições. Nenhuma onda é a mesma onda. Nenhum peixe o mesmo peixe. Nenhuma tarde a mesma tarde. O mar é um morrer sucessivo e um viver permanente. Ele se desfolha em ondas e não para de brotar. A contemplá-lo, ao mesmo tempo sou jovem e envelheço.

O mar é recomeço.
Affonso Romano de Sant'Anna

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012



                  O GIRO DE IDEIAS anda girando por aí.           









domingo, 2 de dezembro de 2012

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

AMADAS MEMÓRIAS


Ousando decorar...


VÍCIOS DIVINOS
VIAGENS INESQUECÍVEIS

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

 
 
O Filósofo Friedrich Nietzsche dizia que uma espécie de oração de cada pessoa ao iniciar o dia deveria ser um pensamento do tipo"!Hoje vou dar alegria a Alguém".
Em sua opinião qual deve ser a oração de cada pessoa para começar o dia?
 
Todos os dias ao acordar pela manhã, procure ficar uns cinco minutos a mais na cama, simplesmente verificando que você não é o mesmo de ontem.
Dr. José Angelo Gaiarsa no livro Palavras de Poder de Lauro Henriques Jr.


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Gostei muito do livro:Palavras de Poder de Lauro Henriques Jr.

imagem da internet

"No livro Faces ocultas, o pintor Salvador Dalí cita a instrução que o soberano espanhol Filipe II costumava dar ao criado na véspera de eventos importantes:"Vista-me devagar, pois estou com muita pressa".
 
Estou precisando aprender a vestir-me mais devagar...

quarta-feira, 7 de novembro de 2012


 
Um homem com uma dor

é muito mais elegante

caminha assim de lado

como se chegando atrasado

andasse mais adiante


Carrega o peso da dor

como se portasse medalhas

uma coroa um milhão de dólares

ou coisa que os valha


Ópios édens analgésicos

não me toquem nessa dor

ela é tudo que me sobra

sofrer, vai ser minha última obra


PAULO LEMINSKI


terça-feira, 30 de outubro de 2012

 
 

Ontem à noite, enquanto eu dormia,
sonhei – maravilhosa ilusão! –
que uma corrente jorrava
em meu coração.
Eu disse: por qual canal secreto,
oh água, você vem a mim,
água de uma vida nova
que eu nunca bebera antes?

Ontem à noite, enquanto eu dormia,sonhei – maravilhosa ilusão! –
que havia uma colméia

bem dentro do meu coração.
E as abelhas douradas
faziam favos brancos
e mel doce
das minhas velhas imperfeições.

Ontem à noite, enquanto eu dormia,
sonhei – maravilhosa ilusão! –
que um sol ardente brilhava
dentro do meu coração.
Era ardente porque sentia calor
como em uma fornalha,
e sol porque brilhou
e trouxe lágrimas aos meus olhos.

Ontem à noite, enquanto eu dormia,
sonhei – maravilhosa ilusão! –
que era Deus quem eu tinha
bem dentro do meu coração.



[Antonio Machado]

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Solidão crônica

Drauzio Varella

O isolamento social aumenta o risco de morte tanto quanto o cigarro, e mais do que o sedentarismo ou a obesidade.
A relação entre vida solitária, doenças cardiovasculares, depressão e incidência de infecções foi demonstrada em mais de 100 estudos epidemiológicos publicados a partir dos anos 1980. Esses estudos, no entanto, não explicam os mecanismos através dos quais o isolamento aumenta a mortalidade.
Nos últimos 10 anos, os efeitos biológicos da solidão se tornaram mais conhecidos graças ao trabalho inovador de um grupo da Universidade de Chicago, dirigido por John Cacciopo. Por meio de questionários para avaliar o grau de isolamento social dos participantes, de testes psicológicos e de exames laboratoriais, o grupo de Chicago concluiu que, embora episódios passageiros de solidão sejam inevitáveis e desprovidos de repercussões orgânicas relevantes, quando o isolamento persiste de forma crônica suas consequências se tornam especialmente nocivas.
Algumas pessoas que vivem isoladas não se sentem solitárias, enquanto outras têm a sensação de estar sozinhas apesar da vida social intensa. A percepção subjetiva da solidão é mais importante para o bem-estar individual do que qualquer medida objetiva do número de interações sociais.
Numa escala criada para avaliar o grau de isolamento pessoal, aqueles com escore mais alto apresentam alterações bioquímicas sugestivas de que seus dias são conturbados. Neles, por exemplo, estão elevadas as concentrações urinárias de cortisol e epinefrina, moléculas associadas aos níveis de estresse.
Esse dado ajuda a explicar por que os solitários crônicos ficam estressados diante de situações que outros enfrentam com naturalidade, como falar em público ou conversar com desconhecidos.
Na evolução de nossa espécie, a ansiedade provocada pela solidão funcionou como sinal de alerta para que o indivíduo procurasse a proteção do grupo. Num mundo povoado por predadores, que chance de sobrevivência teria um animal fraco como nós perambulando sozinho?
Nesse sentido, o sofrimento que a solidão traz é faca de dois gumes: de um lado, colabora para a adaptação ao meio, porque favorece o agrupamento; de outro, prejudica o organismo quando se torna crônico.
O grupo de Chicago investigou as repercussões imunológicas do isolamento prolongado. Nos solitários estão mais ativos os genes que promovem inflamação, enquanto aqueles envolvidos na resposta imune contra os vírus exibem atividade diminuída. Por essa razão, eles apresentam maior susceptibilidade às infecções virais (da gripe ao HIV) e à doença cardiovascular, enfermidade associada aos processos inflamatórios.
A solidão crônica interfere com a qualidade do sono, é causa de fadiga e reduz a sensação de prazer associada a atividades recreativas. Para agravar o isolamento, os já solitários tendem a reagir negativamente aos estímulos e a desenvolver impressões depreciativas a respeito das pessoas com as quais interagem.
A avaliação das funções cerebrais por meio de ressonância magnética funcional mostra que a solidão crônica afeta o córtex pré-frontal, área localizada na parte da frente do cérebro, crucial para a tomada de decisões racionais, como as de planejar o melhor caminho para o trabalho ou a hora de ir ao banco.
O comprometimento do córtex pré-frontal ajuda a entender por que as pessoas que se sentem isoladas correm mais risco de comer mal, fumar, abusar do álcool, ganhar peso e levar vida sedentária.
Estudos com irmãos gêmeos revelam que a solidão crônica não depende exclusivamente das características do meio, mas apresenta aspectos hereditários. É como se existisse um “termostato genético” para a capacidade de lidar com a solidão, ajustado em níveis diferentes em cada um de nós. Isso não quer dizer que nossos genes nos condenariam à vida solitária, mas que estão por trás da intensidade da dor sentida quando estamos sós.
Com o celular e a internet criamos possibilidades ilimitadas de interações sociais; num único dia, podemos entrar em contato com um número de pessoas que nossos antepassados levariam anos para conhecer. Contraditoriamente, o contingente dos que se queixam da falta de alguém com quem compartilhar sentimentos íntimos aumenta em todos os países.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Affonso Romano de Sant’Anna

A poesia exige um silêncio abismal. E isto pode levar à vertigem.

Ou: a poesia é quando se está à beira de si mesmo. Cair em si, sem se perder, ou achar-se do outro lado de si mesmo. Isto exige perícia. Pois há que ouvir sons, ruídos, mensagens que fluem também do lado de fora, no exterior.
 
 
Certa vez fiquei duas horas sobre as pedras do Arpoador, à toa, apenas ouvindo o mar. O marulhar do mar. O marulhar da alma. É preciso uma certa ousadia para se ouvir o nada. O nada é onde tudo começa. É de onde surge o a voz da poesia.Estranha relação entre o eu e o mundo. O pessoal e social. Há que haver uma orquestração. Não é de muita valia ficar chorando pelos cantos. O choro pessoal ainda não é poesia.Tem que haver algo mais: converter-se em coro. Por isto a voz do poeta é uma voz de utilidade pública. Quando não sabemos como dizer certas coisas, pedimos a voz do poeta emprestada e entoamos uma verdade simbólica.Rainer Maria Rilke, poeta alemão, pediu emprestado um castelo para, isolado, ouvir melhor o que os querubins lhe diziam.
Victor Hugo foi para as ruas e barricadas ouvir a voz de seu tempo.
Rimbaud, de repente, calou-se para sempre. Ficou mudo. Um zumbi perdido nos desertos africanos. Sem voz.
Quando Orfeu soava seus versos as bestas mais ferozes se acalmavam e até as pedras o entendiam. Como cada pássaro tem um canto especial, o poeta tem que descobrir qual a sua voz interior. Não se pode cantar com a voz do outro. Claro que alguns, na literatura e na vida, começam imitando o canto alheio. É um aprendizado.
Camões ouvia Virgilio e Homero. João Cabral de Melo Nelo começou ouvindo Carlos Drummond. Na música popular a mesma coisa: Dalva de Oliveira gerou Angela Maria. Mas João Gilberto não pode cantar como Orlando Silva ou Nelson Gonçalves. Ou vice-versa.
Cada qual no seu canto. Na sua voz.
E já que ouvir a voz interior é um risco, alguns a ouvem, e desesperam. Outros tapam os ouvidos. Enchem sua vida de ruídos espetaculares.
O músico ( como o poeta) faz falar o espaço em branco. Faz falar o indizível. Pausa é música. Música é pausa no ruído cotidiano. Música é a salvação do ruído.E
como esse mundo ficou barulhento, meu Deus! E se poesia é voz oculta sob a prosa, em certas épocas a voz do cantor e do poeta são perigosas. Eles fazem falar o silêncio, o que foi calado, reprimido. As ditaduras nos dão estranhas licões de poesia.Repito: poesia exige um silêncio abismal.
Ler, escrever ou ouvir poesia é abismar-se
.

Apontadora de Idéias

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São Paulo, Brazil
"A senhora me desculpe, mas no momento não tenho muita certeza. Quer dizer, eu sei quem eu era quando acordei hoje de manhã, mas já mudei uma porção de vezes desde que isso aconteceu. (...) Receio que não possa me explicar, Dona Lagarta, porque é justamente aí que está o problema. Posso explicar uma porção de coisas... Mas não posso explicar a mim mesma." (Lewis Carroll)

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