quarta-feira, 12 de maio de 2010


MINHA CRIANÇA:
Peço licença para falar na minha criança, a que mora aqui dentro e não me abandonará jamais. Talvez com a morte eu até regresse a ela. Os quase setenta anos que dela me separam não a removem. Ela ali está, magra e tímida, a me olhar e ditar comportamentos e reações.
Minha criança esteve em todos os meus filhos e aparece no meus sete netos. Ela se refaz da morte da irmã e abre os olhos para o mundo, com a certeza de que veio ao mundo para alguma missão, embora sempre se considere inferior ao tamanho da mesma. Minha criança sente enorme saudade de pai e da mãe com quem o adulto já não conta salvo no exemplo, na saudade e nas orações quando me domina uma fugidia sensação de estarem, incorpóreos, a meu lado, mas sem se manifestarem.
Minha criança possui incomensuráveis solidões diante do mistério do infinito.
Ainda recua diante do violento, embora não o tema, e ainda se infiltra em episódios de distração e inocência inexplicáveis num homem com minha carga de vivências. Minha criança ainda gosta de abraço caloroso, proteções misteriosas e de um modo de rezar que o adulto nunca mais conseguiu tais a entrega e a total confiança no Mistério e na proteção de Deus.
Minha criança carrega o melhor de mim, é portadora de meu modo triste de falar de coisas alegres e de algum susto misterioso sempre que se lhe impõe alguma expectativa d enfermidade. Minha criança é inteira, mansa, bondosa e linda. Eu a amo, preservo, e dou boas gargalhadas quando a vejo infiltrar-se nas graves decisões de algumas de minhas responsabilidades adultas. Ninguém a vê, salvo eu. Ninguém a acaricia, salvo eu, que a estimo, procuro e admiro mais a cada dia e com quem converso histórias infinitas, que somente a imaginação pode conceber no universo maravilhoso da fabulação interior e solitária.
Diariamente passeio com minha criança e estou muito feliz por cumprimentá-la, levar-lhe balas, nuvens, aquele cão da meninice, as canções de minha mãe e os carinhos de meu pai, levar-lhe os presentes que ganhava de meu padrinho e toda a enorme vontade de Ser que então adivinhava para a minha vida. Vida que chegou, ameaça passar, e da qual não me arrependo. Minha criança adivinhou em seus sonhos o adulto que eu queria ser. E traz alegria e esperanças à minha idade atual. Hoje sou, há muito tempo, o adulto que sonhei ser. Talvez com menos tensões, mas igualzinho em meu modo de amar a vida.
Arthur da Távola

terça-feira, 11 de maio de 2010


Depois de uma grande tempestade, o menino que estava passando férias na casa do seu avô, o chamou para a varanda e falou:
Vovô corre aqui! Explica-me como essa figueira, árvore frondosa e imensa, que precisava de quatro homens para balançar seu tronco se quebrou, caiu com o vento e com a chuva… este bambu é tão fraco e continua de pé?
Filho, o bambu permanece em pé porque teve a humildade de se curvar na hora da tempestade. A figueira quis enfrentar o vento. O bambu nos ensina sete coisas. Se você tiver a grandeza e a humildade dele, vai experimentar o triunfo da paz em seu coração.
A primeira verdade que o bambu nos ensina, e a mais importante, é a humildade diante dos problemas, das dificuldades.
Eu não me curvo diante do problema e da dificuldade, mas diante daquele, o único, o princípio da paz, aquele que me chama, que é o Senhor.

Segunda verdade: o bambu cria raízes profundas. É muito difícil arrancar um bambu, pois o que ele tem para cima ele tem para baixo também. Você precisa aprofundar a cada dia suas raízes em Deus na oração.

Terceira verdade: Você já viu um pé de bambu sozinho? Apenas quando é novo, mas antes de crescer ele permite que nasça outros a seu lado (como no cooperativismo). Sabe que vai precisar deles. Eles estão sempre grudados uns nos outros, tanto que de longe parecem com uma árvore. Às vezes tentamos arrancar um bambu lá de dentro, cortamos e não conseguimos. Os animais mais frágeis vivem em bandos, para que desse modo se livrem dos predadores.

A quarta verdade que o bambu nos ensina é não criar galhos. Como tem a meta no alto e vive em moita, comunidade, o bambu não se permite criar galhos. Nós perdemos muito tempo na vida tentando proteger nossos galhos, coisas insignificantes que damos um valor inestimável. Para ganhar, é preciso perder tudo aquilo que nos impede de subirmos suavemente.

A quinta verdade é que o bambu é cheio de “nós” (e não de eu’s). Como ele é oco, sabe que se crescesse sem nós seria muito fraco. Os nós são os problemas e as dificuldades que superamos. Os nós são as pessoas que nos ajudam, aqueles que estão próximos e acabam sendo força nos momentos difíceis. Não devemos pedir a Deus que nos afaste dos problemas e dos sofrimentos. Eles são nossos melhores professores, se soubermos aprender com eles.

A sexta verdade é que o bambu é oco, vazio de si mesmo. Enquanto não nos esvaziarmos de tudo aquilo que nos preenche, que rouba nosso tempo, que tira nossa paz, não seremos felizes. Ser oco significa estar pronto para ser cheio do Espírito Santo.Por fim, a sétima lição que o bambu nos dá é exatamente o título do livro: ele só cresce para o alto. Ele busca as coisas do Alto. Essa é a sua meta.
Livro: Buscado as Coisas do Alto


segunda-feira, 10 de maio de 2010


Lar é onde se acende o lume e se partilha mesa e onde se dorme à noite o sono da infância.
Lar é onde se encontra a luz acesa quando se chega tarde.
Lar é onde os pequenos ruídos nos confortam: um estalar de madeiras, um ranger de degraus, um sussurrar de cortinas.
Lar é onde não se discute a posição dos quadros, como se eles ali estivessem desde o princípio dos tempos.
Lar é onde a ponta desfiada do tapete, a mancha de humidade no tecto, o pequeno defeito no caixilho, são imutáveis como uma assinatura conhecida.
Lar é onde os objectos têm vida própria e as paredes nos contam histórias.
Lar é onde cheira a bolos, a canela, a caramelo.
Lar é onde nos amam."
Rosa Lobato de Faria in "O Sétimo Véu"

quarta-feira, 5 de maio de 2010

UMA PAIXÃO
Você sabe o que é ter uma paixão, meu senhor?
Foi assim que aquele homem cambaleante chegou até o banco do jardim onde eu esperava a condução para ir para casa. Foi logo me interrogando. Assustei, é claro, afinal não o conhecia, e pensei que poderia ser um assalto.
Mas aos poucos fui sentindo-me tranquilo , e acalmei os pensamentos ao perceber que ele olhava diretamente para meus olhos, e sua feição era de profunda tristeza.
Cresceu dentro do meu peito uma ternura por aquele ser humano, e uma vontade enorme de conhecer a sua história.
E assim perdi o ônibus que me levaria mais rápido para casa, e ganhei boas reflexões para minhas noites de insônia.
Esse homem, ao questionar-me, sabia que eu não teria respostas às suas dúvidas e muito menos seria capaz de aliviar sua dor, mas precisava falar, pois só assim, quem sabe, a dor daria uma trégua .
Paixão, que bicho é esse que corrói a gente por dentro?
Que coisa é essa que tira todo nosso sossego, que joga com a gente de maneira tão cruel?
Sabe moço, eu amei desesperadamente uma mulher e sei que ela também me amou.
Vivemos dias maravilhosos e, sem exagero, chegamos muito perto do Paraíso. Era maravilhoso! Nada perturbava nossos dias. Tudo que existia de lindo ao nosso redor, desbotava, pois embriagávamos um no outro. Tomávamos maior “porre” de amor ! E, como cachaça, uma vez viciados, cada vez precisávamos mais e mais um do outro.
Até que um dia, aconteceu com a gente o que aconteceu com Adão e Eva. Deus perguntou-me: “Onde está sua Eva?
Meu coração estremeceu, minha pele ficou toda arrepiada; senti medo. Ela havia saído , fora fazer algumas compras, e disse-me que voltaria logo.
E aí, seu moço, ela não voltou. Uma bala perdida atravessou o peito do meu amor!
Agora, pergunto-lhe: O que faço com este amor que perambula dentro de mim, que não dorme, que não tem sossego , que quer encontrá-la, custe o que custar?
O que faço com a paixão que não consegue arrumar uma casa para morar? Que recusa aceitar que a morte capturou sua amada?Sou agora refém dessa paixão, que, tatuada em minhas vísceras, teima em não querer entender que tudo terminou.
Meu senhor, seu transporte chegou, segue seu caminho! Obrigado por escutar-me, ficarei aqui esperando a Lua apontar lá no céu, linda e resplandecente! Ela também espera pelo seu amado...


Paixão, desafio do mês de maio da Fábrica de Letras



A Luta pela Recordação

Os meus pensamentos foram-se afastando de mim, mas, chegado a um caminho acolhedor, repilo os tumultuosos pesares e detenho-me, de olhos fechados, enervado num aroma de afastamento que eu próprio fui conservando, na minha pequena luta contra a vida. Só vivi ontem.
Ele tem agora essa nudez à espera do que deseja, selo provisório que nos vai envelhecendo sem amor. Ontem é uma árvore de longas ramagens, e estou estendido à sua sombra, recordando.
De súbito, contemplo, surpreendido, longas caravanas de caminhantes que, chegados como eu a este caminho, com os olhos adormecidos na recordação, entoam canções e recordam. E algo me diz que mudaram para se deter, que falaram para se calar, que abriram os olhos atónitos ante a festa das estrelas para os fechar e recordar... Estendido neste novo caminho, com os olhos ávidos florescidos de afastamento, procuro em vão interceptar o rio do tempo que tremula sobre as minhas atitudes. Mas a água que consigo recolher fica aprisionada nos tanques ocultos do meu coração em que amanhã terão de se submergir as minhas velhas mãos solitárias...
Pablo Neruda, in 'Nasci para Nascer'

segunda-feira, 3 de maio de 2010


“As vidas das pessoas serão diferentes do que costumavam ser nos velhos tempos das carreiras à moda antiga, quando havia a expectativa de pleno emprego. A segurança não está mais incorporada ao mundo do trabalho, ou da educação, por sinal. As pessoas terão que tê-la consigo e dentro de si, o que significa que suas qualificações terão que ser transportáveis”.
Dahrendorf: sociólogo alemão

sexta-feira, 30 de abril de 2010


“Viajar é multiplicar a vida. De país em país, de costumes em costumes, o homem que nasceu com propensão e gosto para isso, renova-se e transforma-se.”
Machado de Assis




"Ante uma fotografia , o espectador pode fazer a sua própria viagem".
Abbas Kiarostomi, cineasta iraniano
fotos: Eliete Cascaldi

"(...) Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou tv. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver."
[Trecho retirado do livro
"Mar sem fim", de Amyr Klink.

quarta-feira, 28 de abril de 2010


A TRANQUILIDADE DAS OVELHAS
A noite estava escura, céu sem estrelas. De vez em quando ouvia-se o uivo de um lobo bem longe, misturado com o barulho do vento.
As crianças reunidas na tenda do Mestre Benjamin estavam com medo. Mestre Benjamim sentiu o medo nos seus olhos. Foi então que uma delas perguntou: - Mestre Benjamim, há um jeito de não ter medo? Medo é tão ruim!
Mestre Benjamim respondeu: Há sim... E ficou quieto. Veio então a outra pergunta: -E qual é esse jeito? -É muito fácil. É só pensar como as ovelhas pensam... -Mas como é que vou saber o que as ovelhas estão pensando?
Mestre Benjamim respondeu: -Quando durante a noite, as ovelhas estão deitadas na pastagem, os lobos estão à espreita. E eles uivam. As ovelhas têm medo.
Mas aí, misturado ao uivo dos lobos, elas ouvem a música mansa de uma flauta. É o pastor que cuida delas e não dorme nunca. Ouvindo a música da flauta elas pensam: Há um pastor que me protege. Ele me leva aos lugares de grama verde E sabe onde estão as fontes de águas límpidas. Uma brisa fresca refresca a minha alma.
Durante o dia ele me pega no colo e me conduz por trilhas amenas. Mesmo quando tenho de passar pelo vale escuro da morte eu não tenho medo. A sua mão e o seu cajado me tranqüilizam.


Enquanto os lobos uivam, ele me dá o que comer. Passa óleo perfumado na minha cabeça para curar minhas feridas. E me dá água fresca para sarar o meu cansaço.
Com ele não terei medo, eternamente... (Salmo 23, paráfrase)
Mestre Benjamim parou de falar. Os olhos de todas as crianças estavam nele. Foi então que uma delas levantou a mão e perguntou: -E os lobos? Eles vão embora? Eles morrem?
-Os lobos continuam a uivar. E continuam a ser perigosos. O pastor não consegue espantar todos eles. E por vezes eles atacam e matam.
Mas as ovelhas, ouvindo a música da flauta do pastor dormem sem medo, não porque não haja mais perigo, mas a despeito do perigo. Não há jeito de acabar com o perigo. Mas há um jeito de acabar com o medo.

Coragem é isso: dormir sem medo a despeito do perigo... As crianças voltaram para suas tendas e dormiram sem medo, pensando nos pensamentos das ovelhas. De vez em quando, lá fora, ouvia-se o uivo de um lobo faminto. Desde então, tornou-se costume contar ovelhinhas para dormir.


Do livro de Rubem Alves: “Perguntaram-me se acredito em Deus”. Editora Planeta,

segunda-feira, 26 de abril de 2010

VIVER DESPENTEADA

Hoje, aprendi que é preciso deixar que a vida te despenteie.
Por isso, decidi aproveitar a vida com mais intensidade...
O mundo é louco, definitivamente louco...
O que é gostoso, engorda.
O que é lindo, custa caro.
O sol que ilumina o teu rosto enruga.
E o que é realmente bom dessa vida despenteia...
- Fazer amor despenteia.
- Rir às gargalhadas despenteia.
- Viajar, voar, correr, entrar no mar despenteiam.
- Tirar a roupa despenteia.

- Beijar a pessoa amada despenteia.
- Brincar despenteia.
- Cantar até ficar sem ar despenteia.
- Dançar até duvidar se foi boa ideia colocar aqueles saltos gigantes
essa noite deixa seu cabelo irreconhecível...
Então, como sempre, cada vez que nos vejamos,eu vou estar com o cabelo bagunçado...
Mas pode ter certeza que estarei passando
pelo momento mais feliz da minha vida.
É a lei da vida:
sempre vai estar mais despenteada a mulher que decide ir no primeiro carrinho daquela montanha russa do que daquela que decide não subir.
Pode ser que me sinta tentada a ser uma mulher impecável,toda arrumada por dentro e por fora.
O aviso de páginas amarelas deste mundo exige boa presença:arrume o cabelo, coloque, tire, compre, corra, emagreça,coma coisas saudáveis, caminhe direito, fique séria...
E talvez devesse seguir as instruções, mas quando vão me dar a ordem de ser feliz?
Por acaso, não se dão conta que, para ficar bonita,eu tenho que me sentir bonita,a pessoa mais bonita que eu possa ser?
O único, o que realmente importa,
é que ao me olhar no espelho, veja a mulher que devo ser.
Por isso, minha recomendação a todas as mulheres:Entregue-se, coma coisas gostosas, beije, abrace,dance, apaixone-se, relaxe, Viaje, pule, durma tarde, acorde cedo,corra, voe, cante, arrume-se para ficar linda,
arrume-se para ficar confortável!
Admire a paisagem, aproveite, e acima de tudo,deixe a vida despentear você!!!!O pior que pode acontecer é que, rindo frente ao espelho, você precise se pentear de novo...
(autor desconhecido)

recebi por e-mail de uma linda amiga que prometeu que vai seguir estes conselhos. Eu também vou...

sábado, 24 de abril de 2010


ERA UMA VEZ...
um fazendeiro chinês que perdeu um cavalo, ele fugiu. À tarde, todos os seus vizinhos vieram lhe avisar e disseram:"Isso é muito ruim". E ele disse: "Talvez". No dia seguinte o cavalo voltou e trouxe com ele sete cavalos selvagens. Todos os vizinhos vieram lhe visitar e disseram:"Isso não é ótimo? E ele respondeu:"Talvez". No dia seguinte, o seu filho estava tentando domar um desses cavalos, foi arremessado ao chão e quebrou a perna. Então, todos os vizinhos vieram-lhe visitar e disseram:"Bem, isso é muito ruim, não é?" E o fazendeiro disse:"Talvez". No dia seguinte, os oficiais do recrutamento vieram procurando pessoas para o Exército, e rejeitaram o seu filhoporque ele tinha uma perna quebrada. À tarde, todos os vizinhos vieram lhe visitar e disseram:"Isso não é maravilhoso"? E ele apenas disse:"Talvez".



Essa história reflete o sentido de uma atitude taoísta fundamental, a de que todo o processo da natureza é uma rede integrada de imensa complexidade.È impossível dizer se qualquer coisa que acontece é boa ou ruim porque nunca se sabe quais serão as consequências finais da boa fortuna.

fonte:Taoísmo: muito além da busca - Alan Watts

quarta-feira, 21 de abril de 2010

ESPIRITUALIDADE E PROFISSÃO
O monge beneditino Anselm Grün escreve sobre espiritualidade como ponte entre a satisfação na vida profissional e pessoal.
Ele foi entrevistado pela revista Bons Fluídos em julho de 2008 e levantou tópicos de como é possível fazer as pazes com o trabalho.
Diz o monge alemão que tem como uma de suas missões divulgar as palavras de São Bento e que a satisfação profissional tem a ver com...
Autoconhecimento: (conhecer seus talentos, facilidades, fraquezas, aptidões e dificuldades; seguir suas crenças e valores)
Estar de bem com você : ("quem não lida com as próprias feridas normalmente fere os outros")

Ter mais tempo para você : (saber quais são as fontes de energia e ativá-las)

Saber dosar a energia : (não desperdiçar energia e fazer o que realmente é necessário)

Ter foco no que faz: ( não perder tempo e disposição em fofocas e intrigas)


Estabelecer um clima de confiança: (oferecer apoio e companheirismo estimulam um ambiente criativo)

A maneira como você fala (tom acusador ou desafiador corta as relações)



Saber dosar as emoções ( não contagiar-se demais com a emoção dos outros)

segunda-feira, 19 de abril de 2010


"Assim como o colecionador, o fotografo é animado por uma paixão que,mesmo quando aparenta ser paixão pelo presente, está ligada a um sentimento do passado". Susan Sontag




Passado e Presente


Jaboticabal/ São Paulo/ Brasil



Itaici/ São Paulo/ Brasil

Pouso Algre/Minas Gerais/ Brasil



sexta-feira, 16 de abril de 2010


"A vida em si não é a realidade.
Somos nós que pomos vida em pedras e seixos".
Frederick Sommer
um ângulo... uma paixão...



Contato ... carícias...



entrega...




envolvimento



ângulo: aspecto sobre o qual se observa

ou analisa algo;

ponto de vista.( Houaiss)

Fotos: Eliete T. Cascaldi Sobreiro

Local: Jaboticabal/SP/Brasil


quinta-feira, 15 de abril de 2010


ORAÇÃO DO MATUTO
Fátima Irene Pinto

Ói Deus,
nóis tá sempre pedindo as coisas pro Sinhô.

Nóis pede dinhero

nóis pede trabaio

nóis pede pra chovê

e se chove demais

nóis pede pra pará

mode a coiêta num afetá.


Nóis pede amô

nóis pede pra casá

pede casa pra morá

nóis pede saúde

nóis pede proteção

nóis pede paiz


nóis pede pra dislindá os nó quano as coisa comprica,

mode a vida corrê mió.

Quano a coisa aperta nóis reza pedindo tudo que farta

é uma pedição sem fim



e se as coisa dá certo nóis vai na igreja mais perto

e no pé de argum santo que seja de devoção

nóis dexa sempre uns merréis

e lá nos cofre da frente nóis coloca mais uns tostão.



Mais hoje Meu Sinhô

bateu uma coisa isquisita

e eu me puis a matutá


nóis pede pede e pede

mas nóis nunca pergunta

comé que o Sinhô está

se tá triste ou contente

se precisa darguma coisa

que a gente possa ajudá

e por esse esquecimento

o Sinhô há de nos descurpá.


Ói Deus, nóis sempre pensa

que o Sinhô não precisa de nada

mais tarvêz não seja assim

tarvêz o Sinhô precisa de mim

sim ... o Sinhô precisa, sim

precisa da minha bondade

pecisa da minha alegria

precisa da minha caridade

no trato com meus irmão.


Nóis somo o seu espêio

nóis somo a sua Criação

nóis num pode fazê feio

nem ficá fazendo rodeio

nem desapontá o Sinhô

nem amargá o seu sonho

que foi um sonho de amô

quando essa terra todinha criô.


Ói Deus, eu prometo

vo rezá dotro jeito

vo pará com a pedição

e trocá milagre por tostão

tarvez inté peça uma graça

mas antes eu vo vê direitinho

o que é que andei fazendo de bão

e se nada de bão encontrá

muito vo me envergonhá

e ainda vo pedí perdão.

sábado, 10 de abril de 2010

foto: Eliete

"Os valores que nos foram comunicados através da nossa criação, educação e experiência social seduziram-nos a um conjunto de premissas sobre aquilo que é importante, aquilo que necessitamos e aquilo que nos trará a realização. Como resultado, comportamo-nos como se a paz espiritual viesse daquilo que temos e fazemos e não daquilo que somos".Peter Russell

quinta-feira, 8 de abril de 2010



Um convite interessante, vale a pena conferir!

O SOMOS NOÉIS agora tem Blog e gostaria muito que vocês pudessem segui-lo.Isto nos ajudará a divulgar cada vez mais as ações e conseguir auxílio como mantimentos,roupas,brinquedos.
Aos poucos vamos explicando melhor nossas ações, nosso público alvo e ter você ao nosso lado nos fortalecerá!
Desde já agradeço e espero por você lá.........no Blog!
Basta copiar o link abaixo ,entrar,curtir e seguir!
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HO HO HO! OBRIGADA!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Foto: Eliete
Não tenho pressa.
Pressa de quê?
Não têm pressa o sol e a lua: estão certos.
Ter pressa é crer que a gente passa adiante das pernas,
Ou que, dando um pulo, salta por cima da sombra.
Não; não sei ter pressa.
Se estendo o braço, chego exactamente aonde o meu braço chega —
Nem um centímetro mais longe.
Toco só onde toco, não aonde penso.
Só me posso sentar aonde estou.
E isto faz rir como todas as verdades absolutamente verdadeiras,
Mas o que faz rir a valer é que nós pensamos sempre noutra coisa,
E vivemos vadios da nossa realidade.
E estamos sempre fora dela porque estamos aqui.
Alberto Caeiro

domingo, 4 de abril de 2010


Você tem uma vida?

Eu já tive várias. Digo, uma vida em algumas cidades diferentes, lugares diferentes, atitudes diferentes, aprendizados, pessoas, amigos, musicas, estilos, pensamentos,etc. Já fui várias Jéssicas sendo eu mesma. Hoje posso dizer que sou um pouco de todas 'eus' e um pouco de cada pessoa que passou pelo meu caminho. Toda mudança gera dor, isso é inevitavel! Por mais que venha a felicidade por um determinado tempo, em algum momento vc sentirá tristeza. Entenda, estar triste é diferente de ser triste. Posso ser feliz e estar triste, eles são opostos somente na teoria, e nao existe felicidade por completo. Tudo que aprendemos nos transforma, de um jeito ou de outro. Cada pessoa que conhecemos nos da uma coisa diferente, seja ela boa ou ruim, seja no jeito, no pensamento, no sentimento, etc. O fato é que cada transformação não é rápida, é com calma, lenta, sofrida, sentida detalhe por detalhe. Com o passar dos anos nós percebemos o que cada pessoa, experiencia, tristeza, sofrimento, decepção, dor, alegria, erros, acertos, pensamentos, aprendizados, estudos, enfim..tudo que passamos nos transforma, ou nos forma, em que somos hoje. E o hoje nos transformará em quem seremos amanhã. Já fui kika, jéh, jessiquinha, cascaldinha. Já fui a menininha da mamãe, a princesinha do papai. Já fui aquela menininha que adorava brincar de barbie e que apanhava do irmão. Já fui aquela menina que parecia um menino. Já fui skatista, rockeira, reggaera. Já fiz vários furos na orelha, já fiz piercing no umbigo, no freio e no nariz. Já fiz sozinha os meus proprios piercings. Já usei calça muito larga e calça muito apertada. Já andei mostrando a barriga. Já descobri a maquiagem e o salto alto. Já joguei volei, futebol, basquete. Já dancei ballet, hip hop, dança moderna, contemporanea e regional. Alias, essa palavra "dancei", no passado, é a que hoje me causa dor. Saudade. Saudade da rotina, das aulas, dos ensaios e das apresentações. Saudade de me expressar, de me maquiar pra ir correndo pro palco. Saudade das pessoas. De todas elas que me fizeram ser quem sou, com um pedacinho de si.Quem dera eu poder voltar o tempo. Mas quem sou pra fazer isso? Existe um Deus que sabe de tudo e de todos. Que conhece nosso coração e que nao deixa que suportemos além daquilo que conseguimos. E se Ele quis assim, porque EU vou discordar? O jeito é Mudar novamente. E só agradecer por Ele ter me dado a oportunidade de conhecer essas pessoas, e ter essas pessoas, e ter tido essas experiencias. Sem Ele com certeza nada teria acontecido. Com certeza muitas ainda acontecerão e eu não tenho duvida de que ainda vou mudar muito. E eu realmente espero que isso aconteça.
Jéssica C. Cascaldi
Jéssica tem 18 anos, reside atualmente em Curitiba e mostra um pouquinho quem ela é. Se você quiser participar , revelando-se, também aqui neste cantinho, mande-me que será postado.
Caso você tenha gostado , deixe o seu comentário.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

ABISMO

Abismo é quando...
você busca com sofreguidão, por mãos que lhe segure naquele exato momento de queda e temor e não as encontra.

Abismo é quando...
você não acredita que terá amparo de mãos amorosas e firmes ao seu dispor, e afasta-se precipitadamente.

Abismo é quando...
você agarra com desespero aquelas mãos que estão ali para amparar-lhe, e elas respondem com frieza e lassidão.

Abismo é quando...
você afasta-se , de tudo e de todos, e no exato momento em que precisa do enlace de mãos para conter-lhe constata que é tarde demais : a distância tornou-se intransponivel.

Abismo é quando...
você desiste, e deixa o medo guiar-lhe pela escuridão da não reparação, e sente-se fraco para refazer o caminho e mudar tamanha solidão.
autoria: Eliete T. Cascaldi Sobreiro

Para Fábrica de Letras -tema Abismo

quinta-feira, 1 de abril de 2010


ONTEM AO LUAR
Catulo da Paixão Cearense e Pedro Alcântara)

Ontem, ao luar,
nós dois em plena solidão
Tu me perguntaste o que era a dor de uma paixão.
Nada respondi, calmo assim fiquei
Mas, fitando o azul do azul do céu
A lua azul eu te mostrei
Mostrando-a ti, dos olhos meus correr senti
Uma nívea lágrima e, assim, te respondi
Fiquei a sorrir por ter o prazer
De ver a lágrima nos olhos a sofrer
A dor da paixão não tem explicação
Como definir o que eu só sei sentir
É mister sofrer para se saber
O que no peito o coração não quer dizer
Pergunta ao luar, travesso e tão taful
De noite a chorar na onda toda azul
Pergunta, ao luar,do mar à canção
Qual o mistério que há na dor de uma paixão
Se tu desejas saber o que é o amor
E sentir o seu calor
O amaríssimo travor do seu dulçor
Sobe um monte á beira mar, ao luar
Ouve a onda sobre a arei-a a lacrimar
Ouve o silêncio a falar na solidão
De um calado coração
A penar, a derramar os prantos seus
Ouve o choro perenal
A dor silente, universal
E a dor maior, que é a dor de Deus

Se tu quere mais, saber a fonte dos meus ais
Põe o ouvido aqui na rósea flor do coração
Ouve a inquietação da merencória pulsação
Busca saber qual a razão
Porque ele vice assim tão triste a suspirar
A palpitar em desesperação
A queimar de amar um insensível coração
Que a ninguém dira no peito ingrato em que ele esta
mas que ao sepulcro fatalmente o levará.

Apontadora de Idéias

Minha foto
São Paulo, Brazil
"A senhora me desculpe, mas no momento não tenho muita certeza. Quer dizer, eu sei quem eu era quando acordei hoje de manhã, mas já mudei uma porção de vezes desde que isso aconteceu. (...) Receio que não possa me explicar, Dona Lagarta, porque é justamente aí que está o problema. Posso explicar uma porção de coisas... Mas não posso explicar a mim mesma." (Lewis Carroll)

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