segunda-feira, 23 de maio de 2016
quarta-feira, 11 de maio de 2016
Um lindo site:
Vale a pena conferir e seguir.
Todas as postagens são muito interessantes.
E tenho a alegria de ser uma colaboradora.
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quarta-feira, 27 de abril de 2016
Instante de amor
(Ao meu neto, João Vicente)
Mas os gestos úteis não devem ocultar os gestos agradáveis.
Gaston Bachelard
Como traduzir
um instante de amor?
Como explicar
um gesto que abraça e integra todo o seu ser, que é capaz de unir o Céu e a
Terra, o corpo e a alma, em questão de segundos?
E para que
interpretar, explicar ou traduzir a comunhão de um instante?
Por que não
sentir, somente?
Não é
suficiente o sentimento capturado e vivido com a máxima intensidade?
Respondo que
Não! Concordo com Hannah Arendt, filósofa alemã, quando afirma: “Humanizamos o que ocorre no mundo e em nós
mesmos apenas ao falar disso, e no curso da fala aprendemos a ser humanos”.
Narrar esse
instante de amor é prolongá-lo, é voltar a sentir, é eternizá-lo...
A memória
deste gesto – sua mãozinha procurando pela minha- reafirma a certeza de que um
amor maior está sendo construído. O calor e a carícia resultante do encontro de
nossas mãos, criaram uma intimidade
profunda e fecunda que atravessou todos os poros, uniu gerações e confirmou o
sentido da minha vida.
Mãos que se
transformaram em ninhos de alegria, de confiança e de esperança.
É o
impalpável sentimento brotando do palpável roçar das palmas de nossas mãos que
velará meus sonhos e despertará as raízes de minha vida.
quinta-feira, 14 de abril de 2016
“Te quero verde...”
Na esperança, a alma ultrapassa a realidade.
Hanna Arendt
Sabe o anzol? O peixe vai direto e
abocanha-o; essa é a sua má sorte!
Assim, podemos pensar em palavras
como anzol, que nos fisga, às vezes, negativa e, às vezes, positivamente.
Entretanto, vou falar de palavras que
“fisgam” nossas vísceras que de tão profundas e deliciosas, se tornam alimentos
para os nossos pensamentos.
Frequentemente, fico cativa de
frases, expressões ou palavras que considero belíssimas, como, por exemplo:
açucena, jasmim, fascinação, azul...
Ou como agora! Acabo de ser fisgada
por uma expressão de Hanna Arendt, filósofa alemã.
“Quando a esperança era verde”!
A esperança é aquele guindaste de
metal que nos puxa para cima e nos joga para um futuro auspicioso. Quando a
perdemos, a vida torna-se uma agonia-sentimento terrível que tem origem na
consciência da não temporalidade, ou melhor, a pessoa é atravessada por um
sofrimento tão grande que parece não ter fim. È a captura da pessoa pelo
desespero.
A esperança é a luz no fim do túnel;
é a certeza de que uma situação desfavorável acabará e que tudo dará certo: é a
crença num futuro diferente.
Como o arco-íris a esperança pode
apresentar-se com várias nuances e cores: mais forte, não tão forte, bem
fraquinha...
Mas, a esperança verde... refere-se àquela
certeza de que o mal findará, de que a tempestade está diminuindo e que o sol
com seus raios de luz trará um novo
amanhecer.
Essa convicção nos dará força, foco e
energia para ir em frente e, os arredores adquirem uma tessitura diferente-
ficam mais viçosos.
Em assim sendo, por que não desejar,
ardentemente, um amor vermelho na soleira de nossas portas, um azul anil
entrando pelas janelas anunciando dias melhores e brotos e mais brotos de
esperanças verdes sendo plantadas por braços humanos?
Neste fim de ano , que venham cestas
de esperanças verdes adubando nossos corações e que, desse terreno fértil, a
fé, que anda tão fraquinha no mundo, possa florescer em abundância.
Artigo publicado no jornal O COMBATE em dezembro de 2015
autoria: Eliete T. Cascaldi Sobreiro
imagem : da internet
segunda-feira, 4 de abril de 2016
Viagem
Vim me esticar, relaxar e fugir da
indecisão entre ter de ser e ter de fazer.
Vim circular, respirar, soltar as
asas, escutar o silêncio e viver intensamente cada segundo.
Vim contemplar a noite a qual seduz a
luz do dia, a relva ser acariciada pelo vento e os pássaros saírem em revoada.
Entro em pausa...
Respiro o lento correr do tempo,
escancaro minhas portas e janelas para tragar o cheiro do jasmim, ouço o
trepidar do fogo na lareira e o assovio do vento; tudo embala meu coração!
Vida sentida, refletida e renovada
vai brotando, lentamente, tal como uma flor que se abre ao nascer do sol.
Há dias em que estou aqui seguindo o
movimento da natureza, aprendendo a delicadeza e a força da vida que se
manifesta em cada árvore, em cada bichinho que tem como única preocupação o ser.
Há dias em que converso com Deus, com
o meu companheiro de vida, com o sol, com as estrelas e escuto a poesia
concreta das montanhas...
Agora a chuva bate no telhado e eu a
recebo alegremente. Exponho-me totalmente; quero que ela me lave e purifique. Sinto
que dissipei minhas nuvens negras e densas; a saudade me diz que é hora de voltar.
Outra estação está chegando, o tempo
de aflição e cansaço se foram.
Vim, agora voo, sou ave migratória...
Jornal O Combate/ 25/03/2016
sábado, 19 de março de 2016
quinta-feira, 17 de março de 2016
terça-feira, 1 de março de 2016
A quem confiar
a nossa tristeza?
“Ninguém tem ombro para suportar sozinho
o peso de existir”, escreveu Mia Couto, escritor moçambicano. Mas não é isso
que estamos vivendo e propagando por aí.
O alerta “Sorria, você está sendo filmado” ou
como escutei recentemente: “Sorria, que o outro não aguenta o seu sofrimento” é
uma indicação do quanto temos que esconder nossas dores para que possamos ser
aceitos e reconhecidos como alguém de sucesso.
A expressão de um sentimento de tristeza,
geralmente, não encontra ouvidos e
ombros que a suporte por alguns momentos. Estamos cada vez mais sozinhos nas
esquinas da vida.
Querem
nos fazer acreditar em que, ao falar de nossos sofrimentos, seremos pessoas
chatas, pesadas, e que acabaremos sozinhos, pois ninguém quer saber de lamúrias
e reclamações.
A
revista Super Interessante trouxe esse tema no artigo “A busca da felicidade”
por Barbara Axt, em 2005: “Vivemos uma época em que ser feliz é uma
obrigação – as pessoas tristes são indesejadas, vistas como fracassadas
completas. A doença do momento é a
depressão”.
“A depressão é o mal de uma sociedade que
decidiu ser feliz a todo preço”, afirma o escritor francês Pascal Bruckner,
autor do livro A Euforia Perpétua.
São
muitas as pessoas que se sentem inferiorizadas e solitárias por não conseguir
esconder a sua dor. Não quero, com isso, dizer que é bom passar a vida
fazendo-se de “coitado”, ou mesmo, acreditando que o nosso problema é o maior
do mundo. Mas também viver sem poder expressar a tristeza para pessoas próximas
é extremamente decepcionante.
Não
seria essa a verdadeira solidão? Donald. W. Winnicott, psicanalista inglês, ao
orientar as mães sobre seus bebês, esclarecia-as que ajudar seus filhos, em
alguns momentos, é, simplesmente, segurar a mamadeira; querendo dizer que não é
preciso atos heroicos ou uma grande sabedoria no momento de ajudar alguém.
Basta estar perto, segurar a mão, dar um
abraço, escutar sem querer dar conselhos. Esquecer-se de si mesmo e se colocar
em sintonia com o sentimento do outro é o mais importante. E aquele que sofre
também precisa acreditar que não irá incomodar seu amigo ou familiar caso
precise “desabar” por alguns momentos.
Recentemente, um jovem relatou-me, com alívio,
algo que considero triste e muito preocupante. Só após iniciar um tratamento
medicamentoso para debelar uma fobia social, é que as pessoas passaram a acreditar
e serem mais compreensivas com sua dificuldade . Quando é que passaremos a acreditar que as dores
emocionais existem e nem sempre precisam ser medicamentadas para terem
créditos? A cura vem da capacidade de
conseguir expressá-las para que possam ser compreendidas e ressignificadas.
Eliete T. Cascaldi Sobreiro
domingo, 21 de fevereiro de 2016
Meu chão, meu pão ...
Naquela mesa ele sentava sempre
E me dizia sempre o que é viver melhor.
Naquela mesa ele contava histórias
Que hoje na memória eu guardo e sei de cor.
E me dizia sempre o que é viver melhor.
Naquela mesa ele contava histórias
Que hoje na memória eu guardo e sei de cor.
Sérgio
Bittencourt
Meu
chão não é de mármore, nem de granito,
nem de seixos do mar: Meu chão
está perto de uma poltrona de couro surrado na sala daquela casa que já dá
sinais de exaustão. Seus cômodos, móveis, janelas e jardins contam muito de quem eu sou e a história de
minha família. Remontam memórias que estão vivas por terem ali o seu berço.
Meu
chão não é a poltrona e, sim, aquela mulher que se senta diariamente nela: Minha mãe, meu chão,
meu pão...
Sentada
em sua poltrona assegura-me de que sou capaz de ser timoneira do meu barquinho
no mar da vida. Não necessito de que ela resolva minhas dificuldades e os meus
problemas. Não!
Basta
sua presença ali, naquela cadeira, para
ter a certeza de que eu posso ir, de que terei forças para enfrentar o que for
preciso.
O medo, quando surge, é dela se cansar e
querer partir. Nesse momento, uma tristeza ronda meu ser; busco seus olhos e a
magia se dá. Nossos olhos conversam, acariciam-se, abraçam-se, sem precisar da
boca e de suas palavras. Muitos sentimentos brotam: somos filha e mãe, mãe e
filha. Somos uma só pessoa e isso nunca irá morrer. Tomo suas mãos, fecho meus
olhos, escancaro minhas entranhas e a coloco dentro de mim.
Seus
dedos apertam os meus, abro os olhos e ganho a imagem das mãos de minha filha sobre a minha e,
um toque suave e quente , de imediato ,
toma inteiramente meu corpo, ao me lembrar das mãozinhas do meu neto
sobre as mãos da sua mãe e sobre as minhas.
Tenho
a confirmação, nesse momento, do mistério da vida e de que estamos todos
construindo nosso chão. O andar não é errante e nossos passos não são
sem controle.
texto:Eliete
T. Cascaldi Sobreiro, escrito para o jornal O Combate na data 19 de janeiro de 2016
sábado, 13 de fevereiro de 2016
O mar acalmou
(uma reflexão sobre o filme "Interiores" de Woody Allen)
Ah! Não há saudades mais dolorosas do que as das coisas que nunca foram.
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa
O mar, quando revolto, assusta-nos pela força com que bate nos rochedos. Ele não se acaba mansamente em contato com a areia da praia e, sim, revolve- a profundamente deixando rastros nítidos de sua fúria.
Assim é o Mar como metáfora da angústia, no filme “Interiores” de Woody Allen.
Raiva, dor, culpa e ressentimentos, residem no interior de uma família marcada pela gradativa perturbação mental da progenitora.
Freud sugeriu que “A infelicidade é muito menos difícil de experimentar” e, na presença de um sofrimento mental, tudo fica pior, não apenas para a pessoa que sofre a perturbação psíquica, mas o ambiente familiar ,também, vive de forma muitas vezes dramática, o desequilíbrio.
Há muitas leituras, em diferentes recortes, dessa obra cinematográfica, no entanto, quero pontuar o impacto do adoecimento psíquico nos elementos da família. Sabemos que os distúrbios mentais despertam muitas dúvidas, sofrimentos e, infelizmente, são pouco estudados pela ciência. A presença dessas doenças no seio familiar é muito difícil , sua compreensão e manejo, mais ainda. São obstáculos demais dificultando o fluxo de energia e da alegria. É um ambiente propício para sentimentos ambivalentes de amor e ódio, culpa e desprezo, silêncio e gritos, aproximação e distanciamento.
Cada elemento da família é atingido e responde de forma diferente ao familiar doente, e toda dinâmica da família sofre transformações: lugares são destituídos, funções são assumidas mais por um elemento da família do que por outros e, as emoções são como o mar quando revolto... explodem a qualquer momento.
“Interiores” é magnífico, pois coloca suas lentes nas dificuldades daqueles que convivem com o doente mental: reflexão nem sempre abordada, de tão complexa e delicada que é. Mas não podemos ignorar a extensão dos sofrimentos nos elementos da família. Donald W.Winnicott, enfatiza a influência das figuras paternas no desenvolvimento emocional das pessoas e faz a seguinte observação: “Quando o lar de uma criança se desfaz e ela perde, subitamente, os símbolos em que se habituara a confiar, ela se encontra lançada no mar sem bússola e em risco de naufrágio”.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016
Tenho guardado os mais lindos sonhos embaixo do travesseiro.
Loucuras e amores acalentados silenciosamente e, com tal zelo, vão vivendo sorrateiramente na fronha que guarda o travesseiro.
Espero que o calor do meu abraço e o aconchego de minha face os fermente e, num amanhecer mágico, ofereçam-me, por fim, seus frutos.
Sairei voando e terei o prazer de me consumir nos sonhos que foram acordados. Tudo serão flores , arco -íris.
Eliete T. Cascaldi Sobreiro
paleta de Chagal
paleta de Chagal
.
domingo, 31 de janeiro de 2016
Insensatez
Muitas vezes insensato,
Muitas vezes imprudente,
Muitas vezes infeliz.
Poucas vezes acreditando,
Poucas vezes sonhando,
Vezes! mil vezes aos tropeços,
mil vezes ao avesso,
mil vezes, arrematando,
cerzindo e não amando.
autoria: Eliete T. Cascaldi Sobreiro
do livro: Varal de sonhos
imagem da internet: Paul Cezanne
segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
Arrebatamento
Mozart? Intervalos em minha infelicidade.
Emil Cioran
Há pessoas que preferem um bom papo a um
bom prato.
Outras preferem uma suave sinfonia a uma
bela gastronomia.
E há pessoas que gostam dos dois...
Existem pessoas que se encantam com as
palavras em prosa ou em versos e existem outras que ao ouvi-las, bocejam.
Há pessoas que amam boas músicas
orquestrais e há outras que apreciam a melodia casada com a poesia. E há outras
que ficam enlouquecidas e querem as duas...
Existem pessoas que recorrem ao pó, ao tabaco
ou ao álcool para irem além dos limites, e há outras que se elevam com as belas
artes: cinema, escultura, pintura...
Qual o melhor antídoto para a nossa
finitude e concretude?
Emil Cioran, filósofo romeno, não tinha
dúvidas: postulou que somente a música é capaz de levar-nos ao êxtase, pois ela
nos faz perder a pesada materialidade e nos dissolve em harmonias.
Aconselhou a música de Mozart e Bach
como remédio contra o desespero, uma vez que sua pureza aérea nos faz “leves,
diafanos e angélicos”.
A poesia, a música e todas as coisas
“belas” que o homem cria nos fazem angélicos.
As artes mais do que as ciências são
capazes de afinar com precisão as sensações humanas, tocar com tranquilidade a
alma humana- lugar onde reside o coração- embalar sonhos e modular gestos.
Somente cordas, teclas, partituras,
palavras, pincéis e outros instrumentos diafanos são capazes de esculpir o
verdadeiro homem e levá-lo mais além de si mesmo.
Somente eles são capazes de fazer-nos
pairar, voar, sonhar e nos arrebatar.
Texto: Eliete T. Cascaldi Sobreiro, para o jornal O Combate
imagem: internet
sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
LIVRO: VARAL DE SONHOS
À VENDA :Livraria LÁPIS DE OURO, JABOTICABAL , por e-mail: cascaldi.sobreiro@terra.com.br ou pelo facebook
Varal
de sonhos: literatura para se encantar
A escritora, poeta e
psicóloga – Eliete T. Cascaldi Sobreiro,
jaboticabalense de corpo e alma, nos presenteou em 2015 com seu livro lançado
pela Gráfica Multipress Ltda, contendo 197 páginas de pura emoção.
Varal
de sonhos: crônicas, reflexões e relatos é mais do que o título
sugere. Nos 78 textos, divididos em três categorias: O cotidiano e suas revelações,
Uma Questão de Afeto e Atrevimento
Poético, a autora nos desvenda a sua alma e mostra a capacidade de refletir
sobre os instantes da vida, descobrindo que cada um deles traz uma mensagem, se
a pessoa estiver disposta a procurar.
Se você está em busca de uma
obra para presentear um amigo, ou melhor, para presentear a si mesmo, não perca
esta oportunidade. Como a autora declama, “... tudo o que escrevo é para eu aprender”. Que cada um de nós possa, ao ler Varal de Sonhos, se encantar, e aprender a
enxergar a sabedoria da vida, traduzida em palavras por quem “enxerga” além do
simples fato.
Isabel Carneiro de Franchisci
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Apontadora de Idéias
- Eliete
- São Paulo, Brazil
- "A senhora me desculpe, mas no momento não tenho muita certeza. Quer dizer, eu sei quem eu era quando acordei hoje de manhã, mas já mudei uma porção de vezes desde que isso aconteceu. (...) Receio que não possa me explicar, Dona Lagarta, porque é justamente aí que está o problema. Posso explicar uma porção de coisas... Mas não posso explicar a mim mesma." (Lewis Carroll)
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