segunda-feira, 30 de março de 2015

Quer brincar comigo ?



Depois da curva da estrada tem um pé de araçá
Renato Teixeira


O compositor e cantor Renato Teixeira na música Amora  diz o seguinte : ”Depois da curva da estrada tem um pé de araçá” .

A proposta é que você interrompa por alguns minutos esta leitura, e brinque com sua criatividade. Com certeza você se surpreenderá!

Depois da curva da estrada o que você espera encontrar?
Vou fazer o meu exercício:

DEPOIS DA CURVA DA ESTRADA TEM...
Mãos alvas, com dedos longos e finos , que se oferecem inteiros para mim e, sem dizer nada, sei que é a generosidade e agarro-a como uma criança sedenta.

DEPOIS DA CURVA DA ESTRADA TEM...
Uma estrada de tijolos amarelos e um par de sapatinhos vermelhos, que grudam rapidamente em meus pés, e levam-me de volta à infância.

DEPOIS DA CURVA DA ESTRADA TEM...
Uma casa pintada de rosa, com cortina rendada na janela, quintal bem grande e nele, um varal com roupas coloridas bailando ao sabor do vento.

DEPOIS DA CURVA DA ESTRADA TEM...
Um campo imenso de girassóis e uma florista com um cesto de vime nas mãos, um lenço estampado na cabeça, colhendo flores para a Virgem Maria.

DEPOIS DA CURVA DA ESTRADA TEM...
 Uma  cidade muito interessante no alto da colina e, todos os habitantes vivem do comércio. Vendem redes bordadas de “gentilezas” , Tem  reciclagem de pecados que transformam-se em lindas virtudes.

Tem até antiguidades que a preços bem convidativos é possível adquirir: chá de paciência, vitaminas de confiança, redutores de medo, amaciante de afetos.

DEPOIS DA CURVA DA ESTRADA TEM...
uma pista de dança e a Vida toda exuberante vem ao meu encontro e tira-me para dançar. Com seus passos imprevisíveis diz bem baixinho em meu ouvido: ”Entregue-se , não tenha medo de mim”.


DEPOIS DA CURVA DA ESTRADA TEM...

sábado, 28 de março de 2015


À ESPERA DOS BÁRBAROS

( Affonso Romano de Sant'Anna )

foto:internet 

O poeta grego Konstantinos Kavafis ( 1863-1933 ) tem um intrigante poema chamado "À espera dos bárbaros", em que narra que uma cidade vivia em função da chegada desses estranhos. Tudo estava ligado a isso. Ninguém modificava mais nada, porque os bárbaros vinham aí. Senadores não legislavam mais, para quê? apenas esperavam; cônsules punham suas togas bordadas, aguardando; o povo reunia-se na praça principal especulando, e até o rei postou-se na porta da cidade para saudar os invasores.

Sucedeu, no entanto, que notícias vindas das fronteiras, espantosamente, afirmavam que não havia mais bárbaros. E o poema termina dizendo:

"Sem bárbaros o que será de nós.

Ah! Eles eram uma solução."

O que espera a pessoa que espera?

Qual a função da espera?

O que o esperar pode ocultar?

A psicanálise fala da "espera angustiante", que provoca pesadelos, alucinações e incômodos de toda ordem.

Não parece ser esta exatamente a situação descrita nesse poema. Ao contrário, as pessoas estão bem dentro dessa espera. Alojaram-se nela confortavelmente. A espera as faz adiar projetos, obrigações, enfim, a vida.

No caso brasileiro, um povo que há quinhentos anos espera ser "o país do futuro", há uma outra frase que também explica nossa vocação para a espera: "Calma que o Brasil é nosso".

Claro que, nesse caso, reconheçamos, o que era uma espera calma está se tornando uma espera angustiante.

Em O deserto dos tártaros, Dino Buzzatti descreve uma fortaleza na borda do deserto, esperando um ataque inimigo, que nunca ocorre. As sentinelas ficam ali aguardando-aguardando e nesse aguardar passam a vida.

Em O castelo, Kafka narra a situação do personagem que passou toda a vida inutilmente esperando que a porta do castelo se abrisse para ele, sem se dar conta que ela, na verdade, já estava aberta.

Em Esperando Godot, Beckett coloca dois personagens esperando um misterioso personagem, que está para chegar, o qual não sabem quem é nem quando virá, mas essa espera vazia preenche suas vidas.

Eis aí exemplos da espera como uma forma concreta e imaginária de preencher o vazio.

Tanto quanto na ficção, na realidade muitas vezes espera-se que a solução venha de fora. Ainda que através de um choque, revolução ou catátrofe. Neuróticos podem esticar sua neurose ao extremo para ver se alguém os socorre, como quem procura o lugar mais fundo da piscina para que outros, alarmados, o salvem.

Algumas religiões estipulam o juízo final como uma espécie de catástrofe redentora que, paradoxalmente, possibilitaria a redenção.

É também a salvação de fora para dentro.

Da mesma maneira outros concebem a danação vinda também de fora para dentro, como forma culposa de redenção.

É estranho, mas, às vezes, o oponente, o mal, o invasor, o bárbaro terminam por conferir sentido às pessoas e comunidades.

O desnorteante é descobrir que o mal às vezes é imaginário, o oponente está dentro de nós e os bárbaros não virão.

Crônica extraída do livro "Tempo de Delicadeza"

 

 

quinta-feira, 26 de março de 2015

 
 
 
 
PROMESSA DE VIDA
 
 
É senso comum entre nós, brasileiros , que o ano inicia, de fato, depois do carnaval, quando começamos a colocar em andamento os planos traçados.
Apesar das chuvas, que castigam anualmente muitas cidades, trazendo problemas tão graves para tantas famílias, não são destas águas e sim das águas de  março de Tom Jobim que quero falar.
.... são as águas de março fechando o verão,
é  a promessa de vida no teu coração.
 
Águas que chegam para lavar e arrastar os percalços do caminho, anunciando novos sonhos, novos projetos de vida.
 
Somos cientes de que estamos vivendo momentos difíceis, tempo de transição, com crises irrompendo em todas as dimensões das nossas vidas e, como consequência, um atordoamento constante.
Há muito pau, pedra  ,resto de toco, caco de vidro ,estrepe, prego, lama  no caminho.
Não é possível fecharmos os olhos e negar a realidade impiedosa em que vivemos: desemprego aumentando em todo o mundo, guerras, terrorismos, terremotos financeiros e geográficos, desagregação familiar e muito mais.
No entanto, a capacidade de sonhar, acreditando que é possível mudar essa situação, precisa correr muito forte em nossas veias, pois não podemos propagar o negativismo e desacreditar em nossas forças e no poder do nosso Criador. É preciso lutar com os sentimentos de impotência, apatia, temor e conformismo (doenças da modernidade tardia) que acabam surgindo em todos nós.
Precisamos, frente ao mistério profundo que é a vida, seguir a marcha estradeira e crer que há sol, regato, fonte , peixe ,lenha, um pedaço de pão. Que as condições necessárias existem e estão ao nosso dispor, desde que façamos o projeto da casa juntos, com a firme convicção de que ela deve ser para todos.
Afinal há tijolos chegando; isto é, há recursos intelectuais e humanos sempre disponíveis , se utilizados com criatividade e alojados éticamente para o bem comum . Sempre haverá tijolos chegando, se nossas disposições para o belo, para o bem e para o certo forem orientadas pelos ensinamentos do grande arquiteto, Jesus Cristo.
Um belo horizonte e a “Terra Prometida” serão por todos vislumbrados se não levantarmos trincheiras com nossas  atitudes ,  se não provocarmos exclusões e separações de qualquer ordem.
A promessa de vida em teu coração é o convite para voltar a sonhar, acreditar e lutar pelos ideais que estão sendo abortados e sufocados em nossas vidas.
Esta tarefa de  ” limpar o terreno” não é tarefa para indivíduos  (aqueles que se fecham em si mesmos) e sim, para cidadãos ( os que se abrem para o bem comum).
Quando, verdadeiramente, nos conscientizarmos de que o egoísmo, o individualismo, o consumismo, e todos os “ismos” são o carro enguiçado dos nossos tempos, então conseguiremos alcançar o fim da ladeira, o fim da canseira, a luz do amanhã.
Um mundo melhor é tarefa desafiadora ,  pois exige que fiquemos lado a lado, João, José, Eu e Você.
Todos unidos nos mesmos ideais seremos as águas de março, fechando esses tempos difíceis e trazendo a esperança de um mundo melhor às próximas gerações.
 
Escrito por Eliete T. Cascaldi Sobreiro
Imagem de Internet (autor desconhecido)
 
 
 
 
 

domingo, 22 de março de 2015





O que eu quero e sobrequero


Viver amanhecendo é aprendizado que não posso perder de vista.
Pe. Fábio de Melo


O que eu quero e sobrequero é uma expressão de Guimarães Rosa e que tomo emprestada para  falar do meu maior desejo .
Se uma fada madrinha aparecesse com sua varinha de condão, e me desse a possibilidade de realizar um desejo, não teria a menor dúvida e rapidamente responderia, inspirada na música “Tocando em frente” de Almir Sater e Renato Teixeira:  O que mais quero é tocar em frente a minha vida com valentia e ser feliz sem muitas garantias.
O que mais quero é não ser o meu maior obstáculo, frente às lições do caminho, e ter coragem - seguir em frente apesar dos medos.
O que mais quero e sobrequero é ser como o velho boiadeiro, que leva sua boiada (todas as experiências boas e ruins) sem pressa, com um sorriso, forte e feliz, aceitando e aprendendo com cada passo e escorregadela que vier dar pelo caminho.
O que eu quero é não recuar frente às manhas da vida, manter-me firme e não permitir que a descrença more dentro de mim.
O que eu quero e sobrequero é não produzir pensamentos catastróficos constantemente, para que a paz possa vir em meu auxílio e ritmar o meu coração.
É encontrar um velho boiadeiro que me ajude quando nada sei e que eu também possa, com minha experiência, ser um velho boiadeiro para quem por mim passar.
O que eu quero e sobrequero é não me afastar de Deus e guiar-me sempre por Sua Palavra.
Tocar em frente e compor a própria história, sei bem que nenhuma fada irá me proporcionar, pois essa estrada é um processo de construção particular, intenso e profundo, que se faz continuamente por meio do autoconhecimento  .
Cumprir a vida é ser estrada; viver intensamente cada passo dado, não se fechar às possibilidades do caminho, ter um olhar mais generoso para com as pessoas e saber lidar com a própria verdade.
O que eu quero é aprender a amar para poder pulsar e que, antes de morrer, eu saiba viver.

...Cada ser em si carrega o dom se ser capaz e ser feliz.


Texto escrito por Eliete T. Cascaldi Sobreiro
Foto: quadro de  pintor  desconhecido


sábado, 21 de março de 2015



Sensações Celestiais



 "Que nosso gesto seja uma criação, o signo de um mundo novo;


que o entusiasmo seja uma missão








e o pensamento, uma ordem".




texto: Cioran/ O livro das Ilusões
local: Tiradentes/M. G.
fotos:Eliete

sexta-feira, 20 de março de 2015


MOZART- beleza etérea



Fonte: http://veja.abril.com.br/multimidia/galeria-fotos/retratos-de-mozart/


"Aconselho a música de Mozart e de Bach como remédio contra o desespero. Em sua pureza aérea, que às vezes chega a alcançar uma sublime gravidade melancólica, te sentes leve, diáfano e angélico.Tens então a impressão de que em ti, ser inconsolável, crescem asas que te lançam em um voo sereno, acompanhado de discretos e velados sorrisos, em uma eternidade de evanescente encanto e de doces e acariciantes transparências".

..."A música nos desperta o pesar de não ser o que teríamos de ser, e sua magia nos cativa por um instante transportando-nos para o nosso mundo ideal, para o mundo onde deveríamos viver".

Livro: Cioran/ O Livro das Ilusões

quinta-feira, 19 de março de 2015


Lições na madrugada


As coisas estão no mundo eu é que preciso aprender.
Paulinho da Viola

Há muito tempo eu não escutava um galo cantar de madrugada, até que uma noite dessas “re-vivi” essa experiência.
Acordei ou fui acordada, não sei bem, com o canto do galo, melhor dizendo, com o canto dos galos, pois um galo não canta sozinho. Há, sempre, um outro  galo que lhe responde de longe. Olhei no relógio, eram quatro horas da manhã.
A primeira impressão, confesso, não foi muito boa . Senti uma discreta nostalgia e uma pequena chateação, pois talvez demorasse em pegar no sono novamente.
Mas lentamente fui embalada pela magia daquele canto longo  e suave, e algumas lembranças rapidamente vieram ao meu encontro. Deixei-as de lado e voltei minha escuta para a característica melódica de suas notas, e, pela relação que se estabelecia entre os dois galos.
Quantas lições há em um canto de galos na madrugada.
A princípio, lembrei-me  de ter lido que  o galo simboliza a fé, pois ele canta na hora mais escura da noite, anunciando o amanhecer.A fé é a certeza que brota do nosso interior nos momentos em que tudo parece indicar o contrário. Mas naquele canto dos galos dei-me  conta  de tantas outras coisas, como a harmonia, candura e cumplicidade que existe nesta comunicação, e fiquei pensando se não é um bom exemplo do que pode ser um diálogo entre duas ou mais pessoas.
Falo do respeito que é escutar o outro até o final da sua comunicação, dar então uma pausa e só depois se manifestar. Não vi pressa nem interrupção de um galo enquanto o outro cantava, e sim o silêncio como um convite ao outro para que ele se manifestasse até o final.
Bem diferente do que geralmente acontece com muitos de nós, que sempre interrompemos o outro colocando a nossa opinião ou mesmo acreditando que já sabemos onde ele irá chegar com suas ideias .
Que bela lição a aprender quando escutei a harmonia existente no canto sem competição, sem necessidade de cantar um tom mais alto do que o outro; pelo contrário, pareceu-me que o desafio era cantar como o outro cantava.
Sei que são sentimentos meus que estou colocando nos galos, mas isso não diminui em nada a lição dessa madrugada que pretendo colocar em prática no meu amanhecer quando estiver junto às pessoas.
Quero viver o diálogo verdadeiro, pois a manifestação das ideias deve ser um belo canto que convide o outro a cantar sua alteridade com total maestria.


texto de Eliete T. Cascaldi Sobreiro

foto:Eliete




quarta-feira, 18 de março de 2015


"Aquilo que seus olhos vêem, mas apenas o seu coração entende".








Local: Campos do Jordão

terça-feira, 17 de março de 2015

MAGIA








Imagem de fundo: internet (autor que desconheço)
Fotos: Eliete
Lugar: Serra Negra/ São Paulo

domingo, 15 de março de 2015



  1. foto:Eliete

DEMOREI MUITO

  1. Demorei muito para entender:

  2. Alguns vêem beleza no desabrochar de um
  3.  
  4. botão de

  5. rosa;

  6. Outros amam contemplar a desinibida maneira da rosa

  7.  se mostrar em seu pleno vigor;

  8. Ainda há quem goste de vê-la murchar lentamente

  9. como um fatídico pôr do sol;
  10. E não posso esquecer que há quem mantém vivo

  11.  muitos sentimentos preservando aquela rosa seca,

  12.  desidratada, sem cor, porém cheia de memórias, pois

  13.  ela acompanhou o primeiro beijo ou pedido de

  14.  namoro ou até mesmo um 'Adeus' com gosto de 'até

  15.  logo'.

  16. Demorei muito para entender, mas hoje sei que é

  17. permitido ver beleza em tudo, do começo ao fim!

  18. Demorei muito para entender que o modo que se vê a

  19. vida tem o poder de transformá-lá em sonho ou

  20. pesadelo.

  21. Lamento entender só agora, mas não perderei tempo

  22. justamente por que demorei muito tempo para

  23. entender.

                  (C.S.Bernardo)

sábado, 14 de março de 2015


Um filme MA-RA-VI-LHO-SO

Um filme Encantador

CEREJEIRAS EM FLOR



Título Original: Kirschbluten – Hanami.
Origem: Alemanha / França, 2008.
Direção: Doris Dorrie.
Roteiro: Doris Dorrie.
Produção: Harald Kugler e Molly Von Furstenberg.
Fotografia: Hanno Lentz.
Edição: Frank C. Muller e Inez Regnier.
Música: Claus Bantzer.

UMA HISTÓRIA DE AMOR E DA

 TRANSITORIEDADE DA VIDA


HANAMI: ATO DE OBSERVAR AS FLORES DE

CEREJEIRA

BUTO:dança que faz uma ligação com o mundo

 dos vivos e dos mortos


AMEI!





quarta-feira, 11 de março de 2015



GOSTEI MUITO E CONCORDO PLENAMENTE!


"Quando alguém resolve procurar um psicanalista é na maioria das vezes por que seu(s) sintoma(s) perderam a função de preservá-lo da angústia.
No entanto, é com o sintoma que a experiência de uma análise começa".

"Por causa do pior" de Dominique Fingermann/Mauro Mendes Dias

terça-feira, 10 de março de 2015




"Tô me afastando de tudo que me atrasa, me engana, me segura e me retém.
 Tô me aproximando de tudo que me faz completo, me faz feliz e que me quer bem. 
 Tô aproveitando tudo de bom que essa nossa vida tem.
 Tô me dedicando de verdade pra agradar um outro alguém.
 Tô trazendo pra perto de mim quem eu gosto e quem gosta de mim também.
 Ultimamente eu só tô querendo ver o ‘bom’ que todo mundo tem.
 Relaxa, respira, se irritar é bom pra quem? Supera, suporta, entenda: isento de problemas eu não conheço ninguém. Queira viver, viver melhor, viver sorrindo e até os cem.
Tô feliz, to despreocupado, com a vida eu to de bem!"


Caio Fernando Abreu

Caio Fernando Abreu (1948-1996) foi um jornalista, dramaturgo e escritor brasileiro, considerado um dos expoentes de sua geração.
Caio Fernando Loureiro Abreu nasceu em Santiago, Rio Grande do Sul, no dia 12 de setembro de 1948. Iniciou os cursos de Letra e Artes Cênicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mas abandonou ambos para trabalhar como jornalista em revistas, entre elas, Nova, Manchete, Veja e Pop. Também colaborou com jornais Correio do Povo, Zero Hora, Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo.
Em 1968, perseguido pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), refugiou-se em São Paulo, na casa a escritora Hilda Hilst. Exilou-se voluntariamente na Espanha, Suécia, Países Baixos, Inglaterra e França, retornando a Porto Alegre em 1974.
Caio Fernando morou também no Rio de Janeiro. Retornou à França, mas após descobri-se portador do HIV, retornou à casa dos seus pais, em Porto Alegre até a sua morte, no dia 25 de fevereiro de 1996.
Fonte: 
http://pensador.uol.com.br/autor/caio_fernando_abreu/biografia/

Apontadora de Idéias

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"A senhora me desculpe, mas no momento não tenho muita certeza. Quer dizer, eu sei quem eu era quando acordei hoje de manhã, mas já mudei uma porção de vezes desde que isso aconteceu. (...) Receio que não possa me explicar, Dona Lagarta, porque é justamente aí que está o problema. Posso explicar uma porção de coisas... Mas não posso explicar a mim mesma." (Lewis Carroll)

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