MICO x CURINGA Ele é universal e é sinal de saúde, pois facilita o crescimento, os relacionamentos, a comunicação, a criatividade.
Os jogos são nossos companheiros lúdicos.Com eles nos divertimos, aprendemos, e quando não tomamos cuidado nos viciamos.
A psicologia o tem como instrumento de avaliação e de tratamento , pois acredita que através da atividade lúdica elaboramos nossos conflitos e emoções.
Sempre há jogos novos que vão se adequando as necessidades dos novos tempos; se antes brincávamos de pião, amarelinha e jogávamos bugalha ou banco imobiliário hoje os jogos de computador estão com tudo e são os mais procurados por pessoas de todas as idades
Mas alguns jogos permanecem , são clássicos como o baralho.
Gostaria nesse momento de refletir sobre duas cartas: o mico e o curinga, que são usadas no Jogo do Mico e no Jogo do Buraco respectivamente.
O Mico é um jogo de criança. Consiste em distribuir todas as cartas e os jogadores devem formar pares de bichos (casal) e quem ficar com o mico perde o jogo.
Analisando esse jogo, percebemos que há uma mensagem embutida nessa brincadeira: devemos buscar fazer par com alguém, buscar o igual , essa é a regra.Ser diferente é ser sózinho e daí perdedor.
O macaco é um animal que identificamos com movimento, com a liberdade, com ser alegre, provocativo, podemos também supor que essas características são indiretamente rejeitadas. Há implícita a mensagem de que devemos nos assemelhar uns aos outros, e que o diferente é rejeitado, excluído.
O “buraco” é um jogo para mais idade, sua exigência é que façamos canastras, isto é, que busquemos integrar cartas diferentes numa sequência determinada.O curinga, aqui tem um papel fundamental. È a carta diferente e que portanto faz a diferença. Ele é desejável, pois se liga á qualquer carta, substitui qualquer uma,daí podemos pensá-lo como símbolo da totalidade.

É a diferença que não agride, que não tem como resultado a exclusão.
Que bom seria se na vida vivessemos assim as diferenças; se ao olhar para as pessoas pensássemos como a singularidade delas poderia nos beneficiar.
Não haveria a necessidade de leis para o ingresso de pessoas negras á faculdade, de pessoas com deficiências na escola ou no mercado de trabalho,
A sociedade estaria sempre desejando e buscando o diferente, aquele que porta uma característica especial para que pudesse somar..
A moda também não seria tão ditadora em seus padrões de beleza e nós não seríamos tão infelizes com nossas características físicas.
A sabedoria traz a possibilidade de termos um olhar mais inclusivo.e então, entenderíamos que o diferente vem para acrescentar, para criar a totalidade.
Mas somos seres ainda em formação e muito a aprender. Quem sabe um dia aprenderemos a apurar o nosso olhar, ampliar o nosso coração e não sermos tão narcisistas.Como lembra Caetano Veloso: “Narciso acha feio o que não é espelho”
Quem sabe um dia o belo viverá a sua liberdade e os seres humanos serão mais felizes.
Quem sabe um dia conseguiremos olhar para as pessoas e não rotulá-las só porque são gordas, magras, porque usam pirçes, tatuagens, ou porque são negras ou homossexuais.
Quem sabe um dia possamos olhar pessoas com deficiências físicas ou mentais e desejar tê-las conosco para completar as nossas deficiências, tais como as de carinho, amizade, inocência, alegria.
Para que tudo se torne real só depende de cada um de nós. Que tal começar hoje um novo tempo.
escrito em 2005 para o Jornal da APAE de Jaboticabal






A noite é pausa, o inverno é pausa, mesmo a morte é pausa. Onde não há pausa, a vida lentamente se extingue.Para um mundo no qual funcionar 24 horas por dia parece não ser suficiente, onde o meio ambiente e a terra imploram por uma folga, onde nós mesmos não suportamos mais a falta de tempo, descansar se torna uma necessidade do planeta.
Entramos no milênio num mundo que é um grande shopping. A Internet e a televisão não dormem. Não há mais insônia solitária; solitário é quem dorme.As bolsas do Ocidente e do Oriente se revezam fazendo do ganhar e perder, das informações e dos rumores, atividade incessante.A CNN inventou um tempo linear que só pode parar no fim.Mas as paradas estão por toda a caminhada e por todo o processo. Sem acostamento, a vida parece fluir mais rápida e eficiente, mas ao custo fóbico de uma paisagem que passa. O futuro é tão rápido que se confunde com o presente.





Palavras são lindas, palavras são doces, palavras são tantas e tão pouca para expressar os desejos da alma.

A energia que essa estrela fabricava nas suas entranhas já não bastava para contrabalançar a sua ânsia de implodir, como ordena a gravidade, essa força que nunca dorme. A estrela, enorme, começou a pulsar violentamente e, após muitas convulsões, explodiu com uma violência tremenda, expelindo suas entranhas pelo espaço.
A nuvem, perturbada pela onda de choque, entrou em colapso, semeada por todos os elementos químicos que haviam sido forjados na estrela já defunta. Aos poucos, a matéria dessa nuvem foi se concentrando no plano equatorial, feito uma grande pizza. No meio dela, nascerá o Sol. Ao seu redor, vão se formar os planetas, recheados de átomos de carbono, oxigênio, nitrogênio, ferro... Os mais próximos ao Sol, onde é mais quente, serão planetas rochosos, como a Terra e os seus vizinhos, Marte e Vênus, e o pequenino Mercúrio. Os mais distantes, onde é mais frio, coletam também muito hidrogênio e hélio e crescem muito, virando os planetas gigantes Júpiter, Saturno, Urano e Netuno.
Com uma grande Lua circulando ao seu redor, seu giro em torno de si mesma, como o de um pião, fica equilibrado em um ângulo de 23,4. Caso não houvesse Lua, não teríamos esse equilíbrio e não teríamos as estações do ano e a presença constante de água líquida. É difícil imaginar vida complexa aqui sem o calor moderado e a água.
Pois as temperaturas amenas da Terra propiciam as reações químicas que levam simples átomos de carbono a se combinar com mais átomos de carbono, de oxigênio, de hidrogênio, de fósforo e de nitrogênio, formando as moléculas da vida, as proteínas e os ácidos nucleicos. Tudo isso, claro, usando o carbono forjado naquela estrela que morreu e nos cedeu suas entranhas, nossa vizinha cósmica.
Esse carbono é o fundamento da vida. Todos os seres vivos, todas as células contêm esse elemento. Depois da água, somos essencialmente feitos de carbono. Parte desse carbono é continuamente reciclada, passando de animal a animal, de planta a animal e de animal à planta: das escamas de um peixe às folhas de uma samambaia, das asas de uma borboleta ao seu nariz. Cada um de nós carrega consigo alguns dos átomos de carbono que, outrora, pertenciam aos nossos distantes ancestrais que viveram há bilhões de anos, seres que hoje nos parecem primitivos e exóticos.


O que foi, já passou...





