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quinta-feira, 29 de março de 2012


Todo momento é importante.Todo encontro é surpresa.Todo rosto é revelação.
Essa atitude devolve a importância a cada instante, traz novidade ao dia, refresca a vida.
Carlos G. Vallés
Elogio da vida cotidiana

segunda-feira, 26 de março de 2012


“É necessário se espantar, se indignar e se contagiar, só assim é possível mudar a realidade.”
Nise da Silveira

quinta-feira, 8 de março de 2012

A vida traz a cada um a sua tarefa
e, seja qual for a ocupação escolhida, álgebra, pintura,
arquitetura, poesia, comércio, política — todas estão ao nosso alcance, até mesmo na realização de miraculosos triunfos, tudo na dependência da seleção daquilo para que
temos aptidão:
comece pelo começo,
prossiga na ordem certa, passo a passo.
É tão fácil retorcer âncoras de ferro e talhar canhões como
entrelaçar palha, tão fácil ferver granito como ferver
água, se você fizer tudo na ordem correta.
Onde quer que haja insucesso é porque houve titubeio, houve alguma superstição sobre a sorte, algum passo omitido, que a natureza jamais perdoa.

Condições felizes de vida podem ser obtidas nos mesmos termos.
A atração que elas suscitam é a promessa de que
estão ao nosso alcance.
As nossas preces são profetas.
É preciso fidelidade; é preciso adesão firme.
Quão respeitável é a vida que se aferra aos seus objetivos!
As aspirações juvenis são coisas belas, as suas teorias e planos de vida são legítimos e recomendáveis:
mas você será fiel a eles?
Nem um homem sequer, receio eu, naquele pátio repleto de
gente, ou não mais que um em mil. E, se tentar cobrar
deles a traição cometida, e os faz relembrar de suas altas resoluções, eles já não se rocordam dos votos que fizeram.(...)
A corrida é longa, e o ideal, legítimo, mas os homens são
inconstantes e incertos.
O herói é aquele imovelmente centrado.
A principal diferença entre as pessoas parece ser a de
que um homem é capaz de se sujeitar a obrigações das quais podemos depender — é obrigável: e outro não é.
Como não tem a lei dentro de si, não há nada que o
prenda.
Ralph Waldo Emerson, in "Considerations by the Way"

domingo, 26 de fevereiro de 2012


Se eu sou aquilo que tenho e aquilo que tenho se perde, então quem sou eu?
Erich Fromm

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012



Na confiança madura há lugar para o 'não confiar',baseado na experiência, e para o 'não confiar ainda' , por falta de experiência com o objeto, sem que a não confiança se transforme paranoicamente, em desconfiança do outro ou, depressivamente, em desconfiança de mim.



Luís Cláudio Figueiredo em: As diversas faces do cuidar/novos ensaios de psicanálise contemporânea.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012



..."O voo livre é tão essencial quanto o abraço seguro".





As diversas faces do cuidar(novos ensaios de psicanálise contemporânea) de Luis Cláudio Figueiredo.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012



Quanto menos existe de nós em nossas escolhas,mais frustração há em nossos atos.


Inez Lemos

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012



"O que está num mapa depende claramente dos interesses do cartógrafo e o mapa que escolhemos depende do que nós desejamos saber...



(os cartógrafos) fazem escolhas ao construir seus mapas, iluminando alguns elementos e ignorando outros. Essas escolhas, invitavelmente, afetam o viajante que está usando o mapa. Mas, bons mapas também oferecem escolhas...eles não são meras fórmulas, não insistem que a jornada deve ser feita de apenas uma maneira ou que ela precisa ser, de fato, completada. O mapa indica pontos de referência, de perigo, sugere possíveis rotas e destinos, mas deixa o caminhar para nós".(Daloz, 1986,p46)




Do belíssimo livro: Tutoria/Mentoring na formação médica

Patrícia Lacerda Bellodi , Milton de Arruda Martins e colaboradores.



quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012



Um terapeuta na verdade não cura; ele pode apenas apresentar um espelho. Nunca se pode de fato ajudar uma pessoa; podemos apenas ajudar os outros a verem a si mesmos.




Minha prática consiste, essencialmente, em olhar para as pessoas como elas são e devolver a elas essa imagem.




Podemos ajudar as pessoas a entender por que agem da maneira que agem,mas não podemos necessáriamente modificá-las.


Lynn Andrews/Curar, Curar-se ,Editora Cultrix

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012




"Visto que os sentimentos, por natureza, existem para serem sentidos, faz parecer-nos que acontecem naturalmente como fugir quando estamos assustados, que estamos, de certo modo, agindo inversamente à natureza.Estamos fazendo o oposto ao que os sentimentos naturalmente nos exigem.Em vez de sentir os nossos sentimentos, estamos fugindo deles-uma coisa muito antinatural".



Prestar atenção a uma emoção não é encorajá-la nem desencorajá-la, também não é reagir a ela nem reprimí-la, nem louvar nem culpar-se por senti-la.Prestar atenção a uma emoção é, simplesmente, deixá-la em paz.



... O mestre Zen japonês Shunryu Suzuki diz que a melhor maneira de controlar uma vaca ou um carneiro é soltando- os num grande pasto. Isso é que é deixar alguma coisa em paz: soltar em um espaço amplo o suficiente para expandir-se livremente. A atenção é o que libera a emoção.



Como educar suas emoções/Francis F. Seeburger

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012



"O traumático nem sempre é aquilo que faz ruído, e sim o que fica mudo".

Carmem García Mallo




Para ser, temos que nos narrar, e nessa conversa sobre nós mesmos há muitíssima conversa fiada: nós nos mentimos, nos imaginamos, nos enganamos.




...De maneira que nós inventamos nossas lembranças, o que é o mesmo que dizer que inventamos a nós mesmos, porque nossa identidade reside na memória, no relato da nossa biografia.

A louca da casa de Rosa Montero

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012



A luta pelo poder nasce da necessidade de superar sentimentos íntimos de impotência e de compensar sentimentos de desespero.




A incapacidade do paciente para conhecer a si mesmo emparelha-se com sua incapacidade de dizer não.



Para se ter consciência de si mesmo é preciso perceber o outro.

Livro: Prazer-Uma abordagem criativa da Vida de Alexander Lowen

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012






Popularmente se diz que "vivendo se aprende". Na verdade, a pessoa só aprende se detendo no que viveu.



O tranquilizante tranquiliza, porém não acaba com a ideia que atormenta.Melhor fazer análise.Custa mais caro. Só que é sempre melhor pagar com dinheiro do que com a própria vida. Dinheiro a gente ganha de novo. A vida é uma só.


...a liberdade depende da rememoração. Que ninguém é livre porque quer,mas por ter se tornado livre dos imperativos inconscientes.

A grande descoberta de Freud foi essa. trabalhando com os pacientes, ele se deu conta de que a rememoração do passado permite estancar a repetição.

Livro: Quem ama escuta/Betty Milan

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011




Francisco Daudt: Como escolher um psicanalista



Meu assunto é como escolher um psicanalista, alguém que vai cuidar de você com o instrumental que Freud inventou. Você o contrata e consome um serviço de saúde.
“Que barbaridade, pensar no cliente como consumidor!” Sinto muito se feri suscetibilidades, mas acompanhe.


Clínica: do latim, “inclinar-se”, para observar e entender. Pratico clínica psicanalítica há 35 anos. Fui consumidor do serviço por oito, com dois psicanalistas diferentes. É prestação de serviço mesmo: eu pagava (caro) e recebia 50 minutos de suposta atenção. Assim como quando fui pai tentei me lembrar do que, quando criança, funcionava ou não no jeito de meus pais, quando me tornei analist prestei atenção no que me fez bem e mal como cliente. Aprendi com erros e acertos de meus psicanalistas.
Gosto de clareza, transparência, do que é lógico, razoável. Se você gosta de obscuridades e esoterismos pule este artigo. Não é tua praia.
Afinal, psicanálise veio para explicar ou confundir? A coisa é simples: quantos psicanalistas são necessários para trocar uma lâmpada? Um só, mas é preciso que a lâmpada queira muito ser trocada.
Procurei a psicanálise porque me sentia mal comigo mesmo e queria me sentir bem. A pergunta seguinte era: o profissional teria o mesmo objetivo? Queria me fazer sentir melhor com o seu instrumento terapêutico? Parece uma pergunta besta? Não é! Há vários psicanalistas não comprometidos com a melhora dos seus pacientes (que dirá com a cura dos seus sintomas).
Eles têm como meta “a reflexão sobre os enigmas do seu funcionamento psíquico” ou, pior, “a sua aceitação da castração” (calma, explico, é assim: “O mundo é duro mesmo e você deve aceitá-lo como é, sem esperar colinho de mãe, que é o mesmo que querer roubá-la de seu pai, representante do mundo cruel. Tenha horror do incesto, o complexo de Édipo”).


Escolher um psicanalista não é mesmo fácil. Aqui vão algumas sugestões, se você ainda não largou a leitura deste blasfemo insolente, desta pessoa desprezível pela sua linguagem chã que qualquer um pode compreender.


INDICAÇÃO
Pode vir de um amigo que tem se sentido melhor com seu tratamento. Pode vir de artigos que você leu e te deram alívio e compreensão, assinados pelo cara. Ou de livros que ele escreveu, entrevistas que ele deu etc.
PRIMEIRO CONTATO
Em geral, é pelo telefone. Impressionante o que se pode aprender sobre o outro num telefonema: se é acolhedor; se é pomposo ou simples; se você se sente bem ou constrangido; se vai te atender logo ou “talvez, se abrir uma vaga nos próximos meses”. Só vá à entrevista se você se sentir bem com ele ao telefone. De desconforto basta a tua vida, você não precisa pagar (caro) por ele!
PERPLEXIDADE
Se o doutor Fulano te disser algo que você não entenda, se falar complicado a ponto de você achar que é burro, desista: não serve para você.
MUDEZ
Se doutor Fulano ficar te olhando quando você quiser saber algo na entrevista, as chances são de que ele ficará mudo durante a terapia. Por que você há de pagar (caro) para quem não diz nada? É teu trabalho se entender? Então fale para o espelho. É mais barato.
CONTRATO
Sinta-se confortável com um contrato claro sobre tempo de sessão e custos. Pergunte sobre férias (suas e dele). Pergunte sobre pontualidade (há poucas coisas mais constrangedoras do que encarar colegas numa sala de espera). Você tem mais o que fazer na vida, e é uma falta de respeito fazer cliente esperar tendo hora marcada.
AO FIM DA SESSÃO
Não deixe ninguém te convencer que sair aos prantos e arrasado significa que a sessão foi “funda e produtiva”. Só significa que o terapeuta colocou mais dor naquilo de que você já se acusava. Ele quer que você se arrependa. É mais barato procurar o confessionário da igreja católica.
SENSO DE HUMOR
Se sentir falta de humor na sua terapia, significa que seu analista gosta de drama, e o drama é parte integrante e agravante dos seus sintomas. Vá embora! Parte da cura é não se levar tão a sério, não se achar (e a ninguém) tão importante. Dentro de cem anos, lembre-se, estaremos todos mortos. E faz parte do meu imaginário aparelho humildificador: amanhã este artigo será papel de embrulhar peixe...
FRANCISCO DAUDT, psicanalista e médico, é autor de “Onde Foi Que Eu Acertei?”


Folha de São paulo/ Equilíbrio 27/09/2011

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011





Considero este artigo de Eliane Brum uma aula para todos nós- pais .




Meu filho você não merece nada


A crença de que a felicidade é um direito tem tornado despreparada a geração mais preparada

ELIANE BRUM


Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço.



Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.


Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.


Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.


Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.


Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.


É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?


Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.


Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.


Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente.



Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.


A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”?


É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.


Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado?



Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.


Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar.



E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.


Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.


Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia.



É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.


O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.


Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é.



Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”.



Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.


Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele.

E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.


Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011



...receber é estabelecer uma relação com a natureza ou com o universo.Se experimentamos o recebimento como um fenômeno unilateral, que se limita a algo que nos é dado, separamos-nos gradativamente da troca que, em última instância, representa vida.



...receber não é o fim de um processo,mas o início de outro sem o qual não há verdadeiro recebimento.



Para estarmos sadios, precisamos manter desobstruídas tanto as aberturas para iniciar o recebimento, como as aberturas para completar este recebimento.



Nilton Bonder/ A cabala da comida

segunda-feira, 14 de novembro de 2011



É preciso se despir da vaidade das certezas para alcançar a dor do outro – movimento imprescindível para o amor.”

Eliane Brum

quinta-feira, 10 de novembro de 2011



"O que é doloroso demais lembrar, simplesmente escolhemos esquecer". O inconsciente pessoal se revela em lapsos da língua e em reações emocionais fortes (tanto positivas como negativas) a outras pessoas. Na maioria das vezes, expressa o seu conteúdo na produção de sonhos, arte, poesia e outros símbolos espontâneos.



Fonte: Despertando na meia-idade(Tomando consciência do seu potencial de conhecimento e mudança) de Kathleen A. Brehony

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

imagem: rockwellmirror



Vá em busca de si mesmo!







Entre o sono e o sonho, entre mim e o que em mim é o quem eu me suponho, corre um rio sem fim. Fernando Pessoa, inspirado poeta, leitor sensível da alma humana, pode traduzir com sutileza o desafio de cada existência.




Onde se dará nosso despertar de compreensão?


Vamos de crises em crises, aprendendo aos tropeços, sofrendo de ansiedade, estresse e cansaço. É preciso compreender que não é a crise que nos encontra, somos nós que a produzimos. Isso se dá porque não fluímos bem nos movimentos da mudança, nesse rio sem fim, que costumamos chamar de vida.


A mudança é o ritmo no qual o mundo caminha e só há um jeito de se dar bem com ela, aprendendo a mudar também. O maior paradoxo, a contradição mais coerente da mudança é que é preciso mudar para ser quem se é.




É preciso deixar de ser quem não somos, de fazer o que não queremos e viver o que não gostamos. Se olharmos atentamente nossa realidade, vamos perceber que muitas coisas em nosso dia a dia se encaixam nessa definição que é contrária à nossa natureza.É urgente nos armarmos de coragem e irmos a busca de nós mesmos.




É prioritário definir o que vamos fazer com o tempo que nos foi dado. É fundamental acordarmos do sono ilusório da realidade para vivermos na prática o sonho que nos comove. A crise é apenas um sinal na estrada dizendo que é hora de rever o caminho.



Vá em busca de si mesmo e não tenha medo dos desafios e das incertezas, pois as asas só aparecem quando o chão desaparece.



Texto retirado do site www.work.com.br de Dulce Magalhães - palestrante do Congresso Felicidade Autêntica

sábado, 22 de outubro de 2011



"Arthur Rubinstein, um grande pianista do séc.XX certa vez foi questionado sobre como conseguia usar as notas com tanta maestria, de maneira calma ele respondeu: "Eu uso as notas do mesmo jeito que os outros pianistas, mas as pausas...Ah!


É aí que está a arte.

Apontadora de Idéias

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São Paulo, Brazil
"A senhora me desculpe, mas no momento não tenho muita certeza. Quer dizer, eu sei quem eu era quando acordei hoje de manhã, mas já mudei uma porção de vezes desde que isso aconteceu. (...) Receio que não possa me explicar, Dona Lagarta, porque é justamente aí que está o problema. Posso explicar uma porção de coisas... Mas não posso explicar a mim mesma." (Lewis Carroll)

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