terça-feira, 12 de maio de 2009


A AFETIVIDADE E A SEXUALIDADE NA VIDA DO CASAL
O casamento tem servido à cultura e à sociedade como uma instituição ou como um rito de passagem.
Cada pessoa busca nele um significado diferente: proteção, segurança, realização amorosa,intimidade , sentimento de pertencer, de fugir da solidão,etc.
Muitos sentimentos estão presentes nessa relação: atração, sexualidade, ternura, comprometimento, amizade, admiração, comunicação e todos eles vão ajudar a construir essa relação , ou podem levar a um progressivo afastamento, à sensação de solidão, à agressividade, sentimentos de frustração e quando se tornam insuportáveis à separação do casal.
O casamento é um espaço para experiências de intimidade, respeito, responsabilidade e nutrição assim como deve haver a possibilidade da
expansão da individualidade de cada um e ao mesmo tempo o cultivo de um nós terno e forte.
Algumas correntes de pensamento acreditam que na maioria das vezes não é o tipo de relacionamento a causa de problemas, mas sim a natureza e a inteligência para lidar com as emoções que cada membro do casal tem que mais influencia na harmonia e na possibilidade de uma relação afetiva ser satisfatória.
Se o casamento é por um lado a concretização dos sonhos e dos desejos românticos, é também um período de luto, no qual abandonamos muitos sonhos como o da felicidade total.
O casamento tem final realista de certa forma, representa a morte, pois é preciso renunciar, abandonar a preocupação individual e incluir o outro na sua vida.
A sexualidade também é parte importante da relação conjugal e para que ela exista e se mantenha dois fatores são extremamente importantes:
O comprometimento e a ternura, e para que esses ingredientes possam surgir é necessário a tolerância á ambivalência(amor/ódio).

As diferenças entre os cônjuges:
A comunicação é um dos pontos de grande importância no relacionamento, pois muitas vezes aquilo que precisa ser expresso para possibilitar o crescimento e o desenvolvimento do casal , dependendo do modo como é feito, pode colocar em risco a relação.
A partilha de sentimentos profundos é extremamente importante e é uma experiência difícil e geralmente rara, devido às características de ambos os sexos, tanto na forma quanto na necessidade de se comunicar.
Por exêmplo quando os homens sentem que algo os está incomodando, procuram o afastamento para pensar silenciosamente, diferentemente das mulheres que desejam conversar.
Essas diferenças e muitas outras entre os sexos podem ser pedras que dificultam as relações.
As mulheres conseguem ter mais intimidade em suas relações e sua tendência é manter o foco na interação/vínculo, enquanto os homens voltam-se para a tarefa.
Além da dificuldade de comunicação que no meu ponto de vista atualmente ainda é a mais difícil- há outras dificuldades na relação conjugal que impedem o desenvolvimento de uma maturidade afetiva e de uma sexualidade prazerosa.
Cada um vem para o casamento com expectativas a respeito do agir do outro, sempre baseadas no próprio modo de agir, ou no modo de agir da família de origem.
Estas expectativas levam a constantes conflitos e desentendimentos, decepções, desgastando a relação.
Apesar das muitas diferenças , ambos tem a mesma necessidade de amor e a mesma busca de suprimir anseios e carências, o que os movimenta um em busca do outro.
Solidão a dois:
Quando uma pessoa se liga afetivamente a outro, a tendência natural é se mostrar mais nas fraquezas, sempre buscando maior intimidade, entrega e pertença.
O resultado disto, caso o parceiro não corresponda a estas expectativas é a sensação de solidão apesar de estar acompanhado.
Os autores apontam a falta de comunicação, ou as dificuldades a ela relacionadas, como um grande problema na relação conjugal e vê na recusa em conversar um ato de hostilidade implícita.
A comunicação em relação à sexualidade também, pois uma ofensa pode não ser física ou oral, mas um toque de forma fria, desatenta, egoísta acerca das necessidades sexuais do parceiro pode resultar em sentimento de abuso e/ou de solidão.Quando se está afetivamente envolvido com o outro, o que se quer é ser desajado pelo parceiro.
Outros fatores são responsáveis pela solidão à dois: constantes críticas, acusações, intransigência em relação ás mudanças que se fazem necessárias para que a relação melhore, negligência, esperar que o outro mude primeiro etc.
Frustração: é o elemento que desencadeia a agressividade ou a hostilidade entre pessoas que se amam.É importante lembrar que dificilmente um relacionamento é fonte constante de satisfação, pois é impossível um satisfazer ao outro em tudo(desejos/necessidades).
A vida afetiva do casal é portanto um constante aprendizado em busca de um amor cooperativo, baseado na comunicação, respeito e numa convivência enriquecedora de troca e de capacidade de suportar a ambivalência amor/ódio.
Outros fatores que afastam afetivamente o casal e consequentemente sexualmente são:
Poucos objetivos em comum
O não dito ou o dito que tem como resultado o rancor
O egoísmo do parceiro em não colaborar com os projetos pessoais do outro.
Para que o relacionamento seja construtivo è preciso que os sentimentos positivos prevaleçam em relação aos sentimentos negativos.
O compartilhar e o interesse sincero na realização do outro são itens importantes para um casamento harmonioso.
É importante também não negar que problemas existem na relação conjugal e que isso não é sinal “ de que não dá mais” e sim sinal de que é preciso olhar e falar sobre as dificuldades.
Viver a relação conjugal pode e deve ser uma escola para os parceiros e para seus filhos onde se aprende a tolerância, o amor e o respeito à diversidade .






sábado, 9 de maio de 2009

MÃE
A mulher segura sua filha no colo e a olha com ternura. A criança deve ter uns dois anos e dorme tranquilamente. Sua face expressa entrega e serenidade.
Lembro-me do personagem do livro "Terra dos Homens "de Saint-Exupéry que ao
ver uma criança dormindo no colo da mãe, inclina-se e diz: “eis a face de um músico, eis Mozart criança, eis uma bela promessa de vida.”
Agora me recordo de ter visto nos noticiários, muitas mães com seus filhos no colo, nas filas dos prontos-socorros esperando receber cuidados médicos, ou correndo atrás de um caminhão que fará entrega de alimentos, e outras tantas enterrando os filhos mortos por balas perdidas.
Vejo mulheres guerreiras tão maltratadas e que mesmo assim não desistem de viver.
Novamente a fala do personagem do livro me vem à mente:
“as sopas populares não remedeiam. O que me atormenta não são faces escavadas nem essas feiuras. É Mozart assassinado, um pouco, em cada um desses homens”.
Hoje, o número de mulheres que encabeçam as famílias brasileiras com os seus salários é cada vez maior, assim como as exigências feitas não param de crescer: ser dinâmica, inteligente, bela, sensual, companheira do marido, mãe dos filhos, mãe dos pais e tantas outras tarefas.
A mulher afasta-se assim cada vez mais da sua essência, e, consequentemente passa a apresentar mais problemas na sua saúde física e emocional. A humanidade também se faz cada vez mais deserto e sem sombra-colo para despertar no rebento uma bela promessa da vida.
No dia dedicado às mães, deveríamos não só sair às compras e sim refletir como mudar tudo isso, de tal forma que as mães possam gerar seus “ Mozart “, e serem mais valorizadas pela função maternal , que é a maior e mais sublime tarefa da vida.
escrito em maio/2008

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quarta-feira, 6 de maio de 2009

Ecologia Emocional
Existe uma ecologia das idéias danosas,
assim como existe uma ecologia das ervas daninhas".
Gregory Bateson

"... assim como algas mutantes invadem as àguas de Veneza, assim também uma outra espécie de alga, desta vez relativa á ecologia social, consiste nessa liberdade de proliferação que é consentida a homens como Donald Trump que se apodera de bairros inteiros de Nova Iorque, de Atlantic City para renová-los, aumentando os aluguéis e ao mesmo tempo rechaçando dezenas de milhares de famílias pobres cuja maior parte é condenada a se tornar "homeless"( sem lar)- o equivalente dos peixes mortos da ecologia ambiental." Leonardo Boff
Outro desastre ecológico (social) é o trabalho infantil, onde as organizações internacionais tem muito pouco controle desses fenomênos que exigem uma mudança fundamental de mentalidade.
Devemos lembrar também que não só as espécies desaparecem, mas também as palavras, as frases, os gestos de solidariedade humana, o toque, o amor,a confiança.

Reconhece -se que uma mente ou um coração pode tornar-se depósito de elementos poluentes que não desaparecem com o tempo- não são degradáveis.
Tanto o coração como a mente podem acumular suficiente dejetos de experiências de não amor, frustração, violência, traição ou falsidade, de forma a criar condições que não possibilitem o nosso sistema vital processá-los.
Surgem assim os conflitos que não são transformados, que permanecem em seu estado original sem permitir reciclagens.
Podemos perguntar como faz Nilton Bonder:
Que tamanho e que efeitos estaria o "buraco negro das mentes humanas?

Reclama-se das queimadas indiscriminadas mas ninguem procura apagar a fogueira das vaidades que tanto bloqueiam e distanciam o homem do verdadeiro ideal.
Fala-se de poluição sonora mas e a agressividade verbalizada no cotidiano de nossas vidas?
fala-se do desgaste dos recursos naturais mas não nos preocupamos com o do corpo físico.(consumo exagerado de drogas, bebidas, trabalho excessivo, sexo).
Ou realizamos limpezas estruturais, permitindo-nos crises ou sacudidas, ou nossas mentes vão produzir "solo fértil "para pensamento e sentimento poluentes.
Devemos pois ser muito cuidadosos com o que penetra em nossos corações para que estes não sejam poluentes.
AGENTES TÓXICOS QUE AJUDAM A ESGOTAR AS NOSSAS ENERGIAS:
FALTA DE CUIDADO COM O CORPO E HÁBITOS ERRADOS
PENSAMENTOS OBSESSIVOS
SENTIMENTOS TÓXICOS ( RAIVA- INVEJA/CÍUMES)
FUGIR DO PRESENTE
FALTA DE PERDÃO
MENTIRA PESSOAL
VIVER A VIDA DO OUTRO
BAGUNÇA E PROJETOS INACABADOS
AFASTAMENTO DA NATUREZA

Fonte: A cabala da inveja/Nilton Bonder
Ètica da vida/Leonardo Boff
O retorno do sagrado/Raíssa Cavalcanti




















domingo, 3 de maio de 2009

Aprendizes das Estrelas
O caminho da vida humana geralmente é dividido em fases: infância, adolescência,maturidade e velhice.
Assim compreendido pode nos dar a impressão que a vida consiste numa série de fases, perfeitamente distintas e independentes, que se movem em direção a um final- a morte.
Mas se apurarmos um pouco mais a nossa percepção, vemos que cada vida é um deslizar gradual e imperceptível de condição para condição, assim como a transição do dia para a noite.
Mesmo acompanhando minuto por minuto, não somos capazes de determinar o momento exato que o dia termina e a noite começa.
Apesar disso, chega um momento em que está completamente escuro, e então sabemos que é noite e aí é possível contrastá-la com o dia.
Assim acontece com as pessoas.
Chega um momento que o indivíduo já adquiriu tantas características da maturidade que a juventude faz parte de suas lembranças;podemos então dizer que essa pessoa atingiu a maturidade.
E como deve ser vivido esse percurso?
Goethe dizia que “ Nós viajamos não apenas para chegar , mas para viver enquanto viajamos”.
Assim deve ser nossa postura diante da vida.
Olhar cada período do nosso viver como tendo os seus encantamentos evitando, assim, cair no senso comum de acreditar que a aurora é mais fértil que o entardecer.
São momentos diferentes, sim, mas cabe a cada um de nós descobrir e aceitar o propósito de cada momento. Entardecer em nossas vidas pode assim ser visto como uma etapa que não prenuncia a escuridão total cheia de medos, mas a beleza das estrelas.
Aprendizes das estrelas traz metafóricamente uma visão de como olhar e aprender com a velhice e os idosos.
Como estrelas que pontuam a nossa existência e que muitas vezes nem olhamos.
Estrelas que tiveram sempre a função de orientar os seres humanos em suas viagens.
Que tem luz própria, indicando o percurso de uma vida, e que ao contemplá-las estamos também contemplando o seu passado.
Velhos-estrelas: vê-los, ouvi-los, amá-los, deixar-nos envolver pela sua luz, pelo seu passado, pela sua biografia, pelo seu presente, só nos enriquece, pois nos indica a direção que devemos tomar e... o que não devemos repetir.
(1998)

à uma estrela inesquecível :Alice (minha avó)

quinta-feira, 30 de abril de 2009



Sobre Fotografia

Susan Sontag









"Tirar uma foto é ter um interesse pelas coisas como elas são, pela permanência do status quo(pelo menos enquanto for necessário para tirar uma boa foto), é estar em cumplicidade como que quer que torne um tema interessante e digno de se fotografar-até mesmo, quando for esse o foco de interesse, com a dor e a desgraça de outra pessoa".

"Fotos fornecem um testemunho".
"Uma foto equivale a uma prova incontestável de que determinada coisa aconteceu".

O resultado mais extraordinário da atividade fotográfica é nos dar a sensação de que podemos reter o mundo inteiro em nossa cabeça-como uma antologia de imagens.

COLECIONAR FOTOS É COLECIONAR O MUNDO

segunda-feira, 27 de abril de 2009


SERTÃO DA ALMA
Convidada por um amigo a conhecer o sertão de Carlinhos Brown e Marisa Monte- Segue o Seco, mais do que depressa tomei minhas precauções; do lado direito do peito tenho Riobaldo que vai logo me explicando: “o sertão está em toda a parte” e do lado esquerdo , Bernardo Soares,o instigante guardador de livros que me sussurra:“a paisagem é um estado da alma”.
Corajosa ou medrosamente ouso contrariar o grande mestre Guimarães Rosa que já alertava :“o deserto é uma experiência avessa à convivência”.
Mas iniciemos a travessia...


A boiada seca
Na enxurrada seca
A trovoada seca
Na enxada seca
Segue o seco sem sacar que o caminho é seco
Sem sacar que o espinho é seco
Sem sacar que seco é o Ser Sol
Sem sacar que algum espinho seco secará
E a água que sacar será um tiro seco
E secará o seu destino secará
Ô chuva, vem me dizer
Se posso ir lá em cima prá derramar você
Ô chuva, preste atenção
Se o povo lá de cima vive na solidão
Se acabar não acostumando
Se acabar parado calado
Se acabar baixinho chorando
Se acabar meio abandonado
Pode ser lágrimas de São Pedro
Ou talvez um grande amor chorando
Pode ser o desabotoado céu
Pode ser coco derramando

Ufa! A experiência do sertão é a experiência de um NÃO, de uma negação à continuidade da vida. É a carência de tudo que é básico .
O sertão está na terra, na natureza, na vida, nos sentimentos, está em toda a parte.” O sertão está no mundo”.O sertão está dentro do homem. O sertão está dentro de mim e de você.
E estamos cada vez mais nos embrenhando no grande sertão! Vidas povoadas de vazios e de medo.Veredas ambíguas que mais confundem do que clareiam os caminhos.
Instaura-se a insegurança na ausência da força de uma ação e de uma fé firme, e o NÃO é cada vez mais seco.
É a vida vibrando na frequência mais baixa, frequência da escassez de sentimentos, sem sacar que a falta de carinho, de amor, de encontro, seca o caminho e esteriliza o destino.É o sertão avesso à convivência,é a vida seca e sem mistério.
Parados,calados ou chorando baixinho, seremos sertanejos de emoções seguindo o seco.
Coração não pulsa, as cores desbotam , tudo se arrasta perdendo o viço.A alma se esvai e fica só a boiada seca.
O sertão da alma? É esse que Rosa nos diz: “No sertão, o homem é o eu que ainda não encontrou um tu; por ali os anjos e o diabo ainda manuseiam a língua”.
Mas ainda há tempo, chama-nos o mestre. “Perto de muita água, tudo é feliz”.
A chuva é a água que se doa, aquela que renova a vida; a esperança dos sertanejos que ficam à espera dela, pois através dela, haverá o que comer.
A chuva, é o amor -lugar transformador, a terra pródiga que deve ser desbravada em nossos sertões particulares diáriamente, incessantemente e incansávelmente .






sexta-feira, 24 de abril de 2009

Em estado de graça!!!!!
pois estou lendo "Grande Sertão:Veredas" de João Guimarães Rosa, e quero compartilhar com vocês...
"A linguagem e a vida são uma coisa só.Quem não fizer do idioma o espelho de sua personalidade não vive." João Guimarães Rosa

"Como não ter Deus?! Com Deus existindo, tudo dá esperança:sempre um milagre é possível, o mundo se resolve.Mas, se não tem Deus, há de a gente perdidos no vai e vem , e a vida é burra.É o aberto perigo das grandes e pequenas horas,não se podendo facilitar-é todos contra os acasos.Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois, no fim dá certo.Mas, se não tem Deus, então, a gente não tem licença de coisa nenhuma! porque existe dor.E a vida do homem está presa encantoada-erra rumo, dá em aleijões como esses, dos meninos sem pernas e braços."

"Que isso foi o que sempre me invocou, o senhor sabe: eu careço de que o bom seja bom e o ruím ruim, que dum lado esteja o preto e do outro o branco, que o feio fique bem apartado do bonito e a alegria longe da tristeza! Quero os todos pastos demarcados...
Como é que eu posso com este mundo? A vida é ingrata no macio de si; mas transtraz a esperança no meio do fel do desespero.Ao que, este mundo é muito misturado..."



Ler Guimarães Rosa, segundo as palavras de Gilberto Safra nos coloca numa situação de limpeza de ouvido que nos abriga a receber o novo.
"Tudo é novo, é estranho, enigmático e nós temos que para progredir, consentir que o texto nos afete e nos carregue".



quarta-feira, 22 de abril de 2009

FELICIDADE
Fui assistir,"Quem Quer Ser um Milionário?" de Danny Boyle , e lembrei-me de uma matéria de Contardo Calligaris publicada na Folha de São Paulo em maio de 2008, intitulada "Projeto de felicidade".
Para Calligaris o ganhador é quem teve uma alta qualidade de experiência, seja qual for, que tenha sido intensamente ,e ,o verdadeiro perdedor é aquele que, na última hora, olhando para trás, vai ter a impressão de que desperdiçou a sua corrida. Contardo ao ser sabatinado pela Folha nessa ocasião afirmou não acreditar em projeto de felicidade,pois é concebido para nos manter na insatisfação, o que é absolutamente necessário numa sociedade de consumo.
Assim entendi o filme, o personagem Jamal um indiano pobre "materialmente" mas com uma alta qualidade de experiências acaba ganhando o jogo e torna-se milionário.Não só ganha o prêmio mas consegue o grande amor da sua vida. Por lutar desde pequeno pelo que queria, por perseguir e viver dentro da verdade e honestidade, ele é o grande campeão. Isso é felicidade.

sábado, 18 de abril de 2009

CURTO-CIRCUITO DAS LEMBRANÇAS
O site da SBPC (http://www.jornaldaciência.org.br/) traz uma matéria que também foi tema de reflexão da neurocientista Suzana Herculano -Houzel na Folha Equilíbrio (Folha de São Paulo-16/04/09) sobre substâncias que poderiam supostamente apagar memórias ,mesmo as antigas e que em teoria estariam "consolidadas" no cérebro.
Um tipo de droga seria o dos betabloqueadores, normalmente usados para o controle da pressão alta. O ZIP substância estudada pelo neurocientista Yadin Dudai, bloqueia uma enzima implicada nas mudanças celulares que possibilitam a formação de memórias.
Assim se você deseja esquecer um trauma de infância,ou o enjoo da gravidez ou um ex-namorado,zip nelas.
— A possibilidade de alterar e editar a memória abre uma série enorme de possibilidades e levanta sérias questões éticas — alerta Steven E. Hyman, um neurobiologista da Universidade de Harvard.Ele adverte que se memórias traumáticas podem ser torturantes, lembrar que coisas ruins existem é essencial para a formação da consciência moral.

A neurocientista Suzana Herculano-Houzel cita em seu artigo uma palestra com Thomas Murray , especialista em ética, onde ele relatou uma experiência pessoal e muito dolorosa que foi a morte de sua filha de 16 anos, assassinada pelo namorado sociopata.
Na época já se falava dessa possiblidade do ZIP e ao ser indagado se usaria uma substância como essa,para apagar as memórias dolorosas associadas à filha, ele respondeu que não.
"A dor de perdê-la era uma parte integral do que lhe restava da filha: a memória.Esquecer essa dor seria uma desonra à vida breve da filha e às marcas que ela deixou nele".
Concordo integralmente com a opinião da neurocientista quando finaliza sua matéria dizendo :"(...)Talvez algumas dores devam de fato ser deixadas para trás-objetivo, aliás, de tantas terapias:ressignificar as dores."
Recorrer ao ZIP seria apagar a nossa essência, a nossa identidade.Isso no meu ponto de vista já é demais!


Contardo Calligaris, psicanalista, comentando este estudo diz o seguinte:
"Trauma não é uma lembrança muito forte.É um evento lembrado de forma insuficiente".
(...) "A solução do trauma não consiste em apága-lo, mas ao contrário, em lembrá-lo melhor".

terça-feira, 14 de abril de 2009

QUER BRINCAR COMIGO?
O compositor e cantor Renato Teixeira na música “Amora” diz o seguinte:”Depois da curva da estrada tem um pé de araçá”.
A proposta é que você interrompa por alguns minutos esta leitura, e brinque com sua criatividade, com certeza você se surpreenderá. E depois mande para este blog, vamos compartilhar nossos tesouros.
Depois da curva da estrada o que você espera encontrar?

Vou fazer o meu exercício:
Depois da curva da estrada tem...
uma mão envelhecida, de dedos longos e finos. Ela se oferece todinha à mim e eu a agarro como uma criança sedenta.È a Generosidade. Depois da curva da estrada tem...
uma casinha toda pintada de rosa choque, com cortina rendada na janela, um quintal bem grande e nele um varal com roupas coloridas bailando com o vento.
Depois da curva da estrada tem...
uma feirinha com magias mil. Tem redes bordadas de afagos para descansar.Tem barraquinha (com uma fila imensa) que troca nossos pecados pelas melhores virtudes;tem até artigos de luxo oferecidos a preços bem convidativos: chá de paciência, vitaminas de confiança, redutores de medo, amaciante de afetos, e outras coisinhas mais.
Depois da curva da estrada tem...
uma pista de dança e a Vida toda exuberante tira-me para dançar, e com seus passos imprevisíveis diz bem baixinho em meu ouvido:”Entregue-se, não tenha medo de mim”.
Depois da curva da estrada tem...
um túnel bem longo onde fica cada vez mais escuro .












































segunda-feira, 13 de abril de 2009

BOM DIA!

VAMOS COMEÇAR COM POESIA ESTA SEMANA!
Sente-se , por favor

leia com atenção Drummond
Definitivo
Definitivo. Como tudo o que é simples
.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.
Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido juntos e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.
Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.
Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?

A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional…

domingo, 12 de abril de 2009

A MAIS EMOCIONANTE DE TODAS AS MANHÃS
JESUS CRISTO RESSUCITOU! ALELUIA, ALELEUIA

A ressurreição de Jesus faz-nos entrar numa vida nova.
A ressurreição atinge toda a humanidade, reúne-a toda, renova-a .
Há um hino muito bonito cantado nas igrejas: “Porque Ele vive, eu posso crer no amanhã. Porque Ele vive, temor não há”. É isso o que muda: crer na ressurreição é crer que Ele realmente pode me dar a vida, pode dar um sentido novo a todas as coisas. Com Ele eu venço o medo e creio no amanhã. Crer que Jesus ressuscitou significa olhar o mundo com olhos cheios de esperança.
fonte:www.comdeus.org.br
FELIZ PÁSCOA

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Meditar sobre a Paixão é uma maneira segura de fortificar o espírito, porque é o Seu amor que fala pelos fatos.


'EIS O CORDEIRO DE DEUS , EIS AQUELE QUE TIRA O PECADO DO MUNDO
CORDEIRO DE DEUS QUE TIRA O PECADO DO MUNDO

José, um nome comum; Nicodemos, um nome incomum. Dois homens, uma mesma história. Nomes que entraram para a história porque mudaram de atitude – de oculto para público.
Enquanto tinham medo, nada fizeram. Quando venceram o medo, foram os únicos a fazer algo naquela hora
.
fonte:http://hermeneutica.com/mensagens/medroso.html

FAÇAMOS SILÊNCIO NESTE DIA TÃO ESPECIAL

SÁBADO SANTO
O Sábado é o dia em que experimentamos o vazio. Se a fé, ungida de esperança, não visse no horizonte último desta realidade, cairíamos no desalento: "nós o experimentávamos… ", diziam os discípulos de Emaús.
É um dia de meditação e silêncio. Algo pareceido à cena que nos descreve o livro de Jó, quando os amigos que foram visitá-lo, ao ver o seu estado, ficaram mudos, atônitos frente à sua imensa dor: "Sentaram-se no chão ao lado dele, sete dias e sete noites, sem dizer-lhe uma palavra, vendo como era atroz seu sofrimento" (Jó. 2, 13).
fonte:http://www.acidigital.com/fiestas/semanasanta/sabado.htm

domingo, 5 de abril de 2009

É tempo de recolhimento,
de oração,
de escuta da Palavra
DOMINGO DE RAMOS
A ÚLTIMA VIAGEM

O significado eterno desse dia é o encontro entre humildade e soberania, entre o poder e o amor, entre a glória e a liberdade. Ao entrar em Jerusalém, Jesus sabe porém que a exultação por parte da multidão O introduz no coração do "mysterium" da salvação. Está consciente de que vai ao encontro da morte e não receberá uma coroa régia, mas uma coroa de espinho.
Lembro-me de ter assistido um documentário sobre a vida de Dom Helder Câmara, e marcou-me profundamente suas palavras ao repórter quando entrevistado sobre seus sentimentos frente a multidão que o aplaudia .Dom Helder respondeu-lhe que sempre falava baixinho:"Meus Deus esses aplausos são para você , eu sou apenas o teu jumentinho".
Precisamos aprender diáriamente sobre humildade e sobre colocar nossos dons à serviço do Outro.



SEGUNDA-FEIRA SANTA: VIA-SACRA OU VIA CRUCIS
CAMINHO DA CRUZ

Esta tradição tem origem franciscana e reproduz a "Via Dolorosa", ou seja, o percurso feito por Jesus desde o tribunal de Pilatos até o Calvário, em Jerusalém. Já nos tempos passados, e às vezes, tambem hoje, é introduzida uma décima quinta cena: a Ressurreição, sem a qual a paixão fica privada do seu sentido final. (fonte:programação da paróquia São Judas Tadeu/Jaboticabal)

O caminho da cruz de Cristo imita o amor de Cristo. Um amor sacrifical que coloca o próximo como alvo do nosso perdão e cuidado. Não prioriza o nosso eu, mas o amor aos nossos semelhantes. É inexplicável o que o Senhor Jesus fez por nós na cruz, mas foi amor. Não é possível ser seguidor de Jesus sem imitar o seu amor. Retire a cruz da história de Cristo e nós não teríamos razão para estar aqui. Retire a cruz da história de Cristo e seríamos dignos de pena. Felizes somos nós porque a cruz está lá, e o amor de Cristo por nós foi derramado nela.Fonte: http://www.sermao.com.br/

V-ESTAÇÃO:JESUS É AJUDADO POR SIMÃO, O CIRINEU
Um momento inesquecível

Seremos como a multidão que vaiava ou seremos como Simão que colou a cruz nos ombros e andou ao lado de Jesus?
Pergunto-me se no meu caminho já fui Simão para algum irmão, se ajudei alguém a carregar a sua cruz.

VI -ESTAÇÃO:VERÔNICA ENXUGA O ROSTO DE JESUS

"Verônica" - "Verdadeira imagem" da árvore que dá bons frutos, mesmo rodeada de um ambiente hostil, espinhoso vai ao encontro de Jesus.

IV- ESTAÇÃO: JESUS ENCONTRA A SUA MÃE

Obrigado Jesus, porque nada quiseste para Ti! Até a Tua própria Mãe nos entregaste, para que Ela todos os dias nos repita com ternura: «Fazei tudo o que Ele vos disser.Ámen

Para pensar e rezar esta semana.Estas semanas anteriores à Sexta-feira Santa podem revelar-nos uma profundidade especial à medida que envelhecemos: de certa forma, lamentamos que Jesus não tenha vivido mais anos, até à sua velhice, já que morreu aos trinta e três anos, no auge das sua capacidades. Não sabemos, pelos Evangelhos, como poderia ter enfrentado a doença, os acidentes, a perda de amigos, o fracasso no seu trabalho, a menor agilidade da sua mente, os lapsos de memória, as dores nas extremidades, o sentir que a sua vida já tinha passado. Todas estas coisas aconteceram de repente, em vinte e quatro horas, desde a noite de Quinta até à tarde de Sexta. Para nós, passam lentamente, com mais tempo para aceitá-las bem ou mal. São, mais do que uma tragédia individual, a nossa participação no destino de Jesus.
fonte:htpp://www.sacredspace.ie/pt/


QUINTA-FEIRA SANTA
A ÚLTIMA CEIA

A liturgia da Quinta-feira Santa é um convite a aprofundar concretamente no misterio da Paixão de Cristo, já que quem deseja seguí-lo deve sentar-se à sua mesa e, com o máximo recolhimento, ser espectador de tudo o que aconteceu na noite em que iam entregá-lo.
Uma mistura de óleo e bálsamo, significa plenitude do Espírito Santo, revelando que o cristão deve irradiar "o bom perfume de Cristo".
fontes: http://www.acidigital.com/ ; http://www.portalcatolico.org.com/

quarta-feira, 1 de abril de 2009

COMPULSÃO

OUTRO BELO BELO
Belo belo minha bela
Tenho tudo que não quero
Não tenho nada que quero
Não quero óculos nem tosse
Nem obrigação de voto
Quero quero
Quero a solidão dos píncaros
A água da fonte escondida
A rosa que floresceu
Sobre a escarpa inacessível
A luz da primeira estrela
Piscando no lusco-fusco
Quero quero
Quero dar a volta ao mundo
Só num navio de vela
Quero rever Pernambuco
Quero ver Bagdad e Cusco
Quero quero
Quero o moreno de Estela
Quero a saliva de Bela
Quero as sardas de Adalgisa
Quero quero tantas coisas
Belo belo
Mas basta de lero-lero
Vida noves fora zero.
Manuel Bandeira
As compulsões, comportamentos compulsivos ou aditivos são hábitos aprendidos e seguidos por alguma gratificação emocional, normalmente um alívio de ansiedade e/ou angústia. São hábitos mal adaptativos que já foram executados inúmeras vezes e acontecem quase automáticamente.
Diz-se que esses comportamentos compulsivos são mal adaptativos porque, apesar do objetivo que têm de proporcionar algum alívio de tensões emocionais, normalmente não se adaptam ao bem estar mental pleno, ao conforto físico e à adaptação social. Eles se caracterizam por serem repetitivos e por se apresentarem de forma frequente e excessiva. A gratificação que segue ao ato, seja ela o prazer ou alívio do desprazer, reforça a pessoa a repeti-lo mas, com o tempo, depois desse alívio imediato, segue-se uma sensação negativa por não ter resistido ao impulso de realizá-lo. Mesmo assim, a gratificação inicial (o reforço positivo) permanece mais forte, levando a repetição.
... comportamentos compulsivos ou aditivos podem ser entendidos como atitudes (mal-adaptadas) de enfrentamento da ansiedade e/ou angústia, trazendo consequências físicas, psicológicas e sociais graves.
fonte: Dr. Geraldo J. Ballone do site:http://www.cerebromente.org.br
A poesia de Manoel Bandeira,diz muito sobre nossos desejos.
Princípio do Prazer-A pessoa com compulsão é prisioneira de seus desejos.Eu quero, a todo custo e quero agora-não sei esperar. Seus recursos não são suficientes para conter seus desejos( quero dar uma volta ao mundo só num navio de velas),desejos múltiplos ( quero rever Pernambuco, ver Bagda e Cuscu) A pessoa quer tudo que o outro tem pois acredita que lhe é direito.Seu desejo é lei. A pessoa vive tentando suprir suas necessidades; o Outro parece não existir, a não ser como comparativo para o Ter, ou para suprir-lhe seus desejos.A pessoa que sofre de compulsão tem dificuldade de lidar com o Princípio da Realidade- consciência de que nem tudo é permitido, que há limites e dificuldades em nossas vidas e que é preciso postergar ou abrir mão de determinados desejos. A pessoa com compulsão tem baixa tolerãncia à frustração (não quero nem óculos, nem tosse, nem obrigação de voto).
O resultado de suas empreitadas compulsivas sempre termina como o poeta muito bem diz: vida noves fora zero-isto é na prova dos nove da vida o resultado é zero, ou seja o vazio.

Apontadora de Idéias

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"A senhora me desculpe, mas no momento não tenho muita certeza. Quer dizer, eu sei quem eu era quando acordei hoje de manhã, mas já mudei uma porção de vezes desde que isso aconteceu. (...) Receio que não possa me explicar, Dona Lagarta, porque é justamente aí que está o problema. Posso explicar uma porção de coisas... Mas não posso explicar a mim mesma." (Lewis Carroll)

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