terça-feira, 13 de julho de 2010


O Bêbado e o Equilibrista
Começa assim...
De repente um nó na garganta e um pequeno desassossego.
A sensação é que o tênue fio que o segura, o fio condutor, o fio mestre, aquele que lhe dá a razão de existir, está prestes a romper.
Sorrateiramente, uma voz começa a lhe questionar: Para quê tudo isso, aonde vai te levar?
Aumenta o atordoamento. Um ligeiro desequilíbrio e o cansaço de tudo. As cores da vida desbotam, e os olhos não querem mais abrir.
Agora, não mais uma voz, e sim uma nuvem espessa cresce paulatinamente encobrindo todas as coisas, toda a alegria. O fio condutor, por uns momentos, parece fugir de seus pés, e perto da exaustão sai de suas entranhas um grito rouco: “ Pare, isso vai levar-lhe para dentro do buraco!” .
“Hoje é domingo, pé de cachimbo,
o cachimbo é de ouro, bate no touro
o touro é fraco, cai no buraco,
o buraco é fundo, acabou-se o mundo”.
Movimento estranho, um redemoinho vai carregando tudo para o buraco sem fundo.
A estranha força, o fio condutor que assegura a tranquilidade e a beleza da vida, por pouco não rompe.
Às vezes , essa sensação dura dias ou meses e, às vezes, vai embora ligeiro, mas sempre deixa seus rastros de medo e perdição.
O grito rouco, o sopro enigmático disparou e mais uma vez salva esse equilibrista da vida.
Loucura, depressão, acídia, marasmo, que nome dar para isso?
Com certeza ”embriaguez do mundano”, síndrome ocasionada toda vez que nos vemos impossibilitados de tirar um pé do chão para trocar de passo, sem o contato com o Provedor da Vida-Deus.


participação de JULHO : Fabrica de Letras
Tema: DISPAROU

2 comentários:

  1. Eliete gosto muito do que vc escreve. identifico-me muito com suas ideias. paula

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Apontadora de Idéias

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"A senhora me desculpe, mas no momento não tenho muita certeza. Quer dizer, eu sei quem eu era quando acordei hoje de manhã, mas já mudei uma porção de vezes desde que isso aconteceu. (...) Receio que não possa me explicar, Dona Lagarta, porque é justamente aí que está o problema. Posso explicar uma porção de coisas... Mas não posso explicar a mim mesma." (Lewis Carroll)

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