sexta-feira, 6 de março de 2009

ARNALDO ANTUNES
EXISTÊNCIA HUMANA:
Estou gostando ultimamente de ler os jornais pois algumas matérias publicadas, tem sido extremamente deliciosas e tem me ensinado muito.
Quero reproduzir "quase totalmente" o que Dulce Critelli, terapeuta existencial e professora de filosofia da PUC.SP escreveu em sua coluna da Folha de São Paulo de 5 de março (Outras Ideias / Folha Equilíbrio).
A matéria tem como título: "O leitor e a vergonha" e é uma reflexão sobre o filme "O Leitor" . O filme tem como pano de fundo o nazismo e conta a história de um garoto de 15 anos, classe média que se apaixona por uma mulher mais velha, pobre e analfabeta.Ela inicia-o no sexo , amor e outros interesses comuns e ele lê para ela.Alguns anos mais tarde os dois se encontram ; ele estudante de direito e ela acusada de um crime. Por vergonha os dois não revelam o que viveram.
Dulce Critelli analisa as razões desse silêncio e suas consequências .
"...se ela silencia sobre o que pode afetar seu próprio destino, ele silencia sobre o que pode mudar no dela".
A vergonha do personagem Michael é mais superficial, pois seu silêncio foi motivado pelo receio de que as pessoas o desqualificasse por ter se relacionado com ela, portanto,seu saber o condena a uma culpa sem perdão e liberdade. Enquanto a personagem Hanna não revela seu analfabetismo pois mostra uma vergonha estrutural, uma vergonha de si. Ser analfabeta era lhe uma grande ferida narcísica, mas não se dá conta do real alcance de sua decisão por não ter o "saber".
Assim a questão central do filme diz respeito a todos nós.
"Tudo o que fazemos (e dizemos) é fruto de uma escolha e tem consequências.Mesmo quando nos calamos ou nos omitimos.Mesmo quando as consequências não foram intencionais".
Dulce Critelli continua..."Não importa o que sentimos ou o que pensamos,mas o que fazemos".
O que se passa dentro de nós, não tem expressão no mundo.Só nossos atos e suas consequências aparecem e, deste modo, existem, porque há um leitor, um expectador que descubra algum sentimento para o que fazemos.Portanto, para quem somos".
O filme nos faz pensar:
Quantas vezes nos omitimos deixando de fazer ou falar diante de algo que poderia interferir favoravelmente no destino de outra pessoa?
Quantas vezes escondemos de nós mesmos fatos e sentimentos que acabam por nos prejudicar na vida?
Quantas vezes nos sentimos envergonhados por atitudes tomadas impulsivamente?
Quantas vezes agimos contra nós mesmos e contra os outros?
Resumindo:È preciso que nos conscientizemos da responsabilidade de nossas ações , pois elas tem consequências,mesmo quando nos calamos ou nos omitimos.




































Um comentário:

  1. Daniel Bento Bejosábado, 07 março, 2009

    Oi Eliete, este blog está muito bom mesmo.....
    Gostei muito...
    Através deste texto do filme, por não ter assisitido, mas só de ter lido o texto percebo que realmente, deixamos de ajudar os outros, por nossas próprias atitudes, precisamos mesmo nos conscientizar e nos responsabilizar por nossas ações....., pois elas sao o pano de fundo de toda uma vida, de toda uma vocação.
    E, portanto, devemos pensar bastante na escolha que fazemos, pois se não me engane, SARTRE, filósofo existencialista, nos remete que não fazemos escolhas para nós, mas sim para um nós, ou seja, para toda uma sociedade, comunidade, pois é através da escolha que se orienta a vida e consequentemente o que fazemos, um exemplo bem interessante é aresponsabilidade ecológica que hoje o homem precisa conquistar para não fazer "burradas" no próprio "habitát".
    Abração Eliete, compartilho esta reflexão com o que li!!!!!
    Daniel Bento Bejo

    ResponderExcluir

Apontadora de Idéias

Minha foto
São Paulo, Brazil
"A senhora me desculpe, mas no momento não tenho muita certeza. Quer dizer, eu sei quem eu era quando acordei hoje de manhã, mas já mudei uma porção de vezes desde que isso aconteceu. (...) Receio que não possa me explicar, Dona Lagarta, porque é justamente aí que está o problema. Posso explicar uma porção de coisas... Mas não posso explicar a mim mesma." (Lewis Carroll)

Arquivo do blog