quinta-feira, 26 de março de 2015

 
 
 
 
PROMESSA DE VIDA
 
 
É senso comum entre nós, brasileiros , que o ano inicia, de fato, depois do carnaval, quando começamos a colocar em andamento os planos traçados.
Apesar das chuvas, que castigam anualmente muitas cidades, trazendo problemas tão graves para tantas famílias, não são destas águas e sim das águas de  março de Tom Jobim que quero falar.
.... são as águas de março fechando o verão,
é  a promessa de vida no teu coração.
 
Águas que chegam para lavar e arrastar os percalços do caminho, anunciando novos sonhos, novos projetos de vida.
 
Somos cientes de que estamos vivendo momentos difíceis, tempo de transição, com crises irrompendo em todas as dimensões das nossas vidas e, como consequência, um atordoamento constante.
Há muito pau, pedra  ,resto de toco, caco de vidro ,estrepe, prego, lama  no caminho.
Não é possível fecharmos os olhos e negar a realidade impiedosa em que vivemos: desemprego aumentando em todo o mundo, guerras, terrorismos, terremotos financeiros e geográficos, desagregação familiar e muito mais.
No entanto, a capacidade de sonhar, acreditando que é possível mudar essa situação, precisa correr muito forte em nossas veias, pois não podemos propagar o negativismo e desacreditar em nossas forças e no poder do nosso Criador. É preciso lutar com os sentimentos de impotência, apatia, temor e conformismo (doenças da modernidade tardia) que acabam surgindo em todos nós.
Precisamos, frente ao mistério profundo que é a vida, seguir a marcha estradeira e crer que há sol, regato, fonte , peixe ,lenha, um pedaço de pão. Que as condições necessárias existem e estão ao nosso dispor, desde que façamos o projeto da casa juntos, com a firme convicção de que ela deve ser para todos.
Afinal há tijolos chegando; isto é, há recursos intelectuais e humanos sempre disponíveis , se utilizados com criatividade e alojados éticamente para o bem comum . Sempre haverá tijolos chegando, se nossas disposições para o belo, para o bem e para o certo forem orientadas pelos ensinamentos do grande arquiteto, Jesus Cristo.
Um belo horizonte e a “Terra Prometida” serão por todos vislumbrados se não levantarmos trincheiras com nossas  atitudes ,  se não provocarmos exclusões e separações de qualquer ordem.
A promessa de vida em teu coração é o convite para voltar a sonhar, acreditar e lutar pelos ideais que estão sendo abortados e sufocados em nossas vidas.
Esta tarefa de  ” limpar o terreno” não é tarefa para indivíduos  (aqueles que se fecham em si mesmos) e sim, para cidadãos ( os que se abrem para o bem comum).
Quando, verdadeiramente, nos conscientizarmos de que o egoísmo, o individualismo, o consumismo, e todos os “ismos” são o carro enguiçado dos nossos tempos, então conseguiremos alcançar o fim da ladeira, o fim da canseira, a luz do amanhã.
Um mundo melhor é tarefa desafiadora ,  pois exige que fiquemos lado a lado, João, José, Eu e Você.
Todos unidos nos mesmos ideais seremos as águas de março, fechando esses tempos difíceis e trazendo a esperança de um mundo melhor às próximas gerações.
 
Escrito por Eliete T. Cascaldi Sobreiro
Imagem de Internet (autor desconhecido)
 
 
 
 
 

domingo, 22 de março de 2015





O que eu quero e sobrequero


Viver amanhecendo é aprendizado que não posso perder de vista.
Pe. Fábio de Melo


O que eu quero e sobrequero é uma expressão de Guimarães Rosa e que tomo emprestada para  falar do meu maior desejo .
Se uma fada madrinha aparecesse com sua varinha de condão, e me desse a possibilidade de realizar um desejo, não teria a menor dúvida e rapidamente responderia, inspirada na música “Tocando em frente” de Almir Sater e Renato Teixeira:  O que mais quero é tocar em frente a minha vida com valentia e ser feliz sem muitas garantias.
O que mais quero é não ser o meu maior obstáculo, frente às lições do caminho, e ter coragem - seguir em frente apesar dos medos.
O que mais quero e sobrequero é ser como o velho boiadeiro, que leva sua boiada (todas as experiências boas e ruins) sem pressa, com um sorriso, forte e feliz, aceitando e aprendendo com cada passo e escorregadela que vier dar pelo caminho.
O que eu quero é não recuar frente às manhas da vida, manter-me firme e não permitir que a descrença more dentro de mim.
O que eu quero e sobrequero é não produzir pensamentos catastróficos constantemente, para que a paz possa vir em meu auxílio e ritmar o meu coração.
É encontrar um velho boiadeiro que me ajude quando nada sei e que eu também possa, com minha experiência, ser um velho boiadeiro para quem por mim passar.
O que eu quero e sobrequero é não me afastar de Deus e guiar-me sempre por Sua Palavra.
Tocar em frente e compor a própria história, sei bem que nenhuma fada irá me proporcionar, pois essa estrada é um processo de construção particular, intenso e profundo, que se faz continuamente por meio do autoconhecimento  .
Cumprir a vida é ser estrada; viver intensamente cada passo dado, não se fechar às possibilidades do caminho, ter um olhar mais generoso para com as pessoas e saber lidar com a própria verdade.
O que eu quero é aprender a amar para poder pulsar e que, antes de morrer, eu saiba viver.

...Cada ser em si carrega o dom se ser capaz e ser feliz.


Texto escrito por Eliete T. Cascaldi Sobreiro
Foto: quadro de  pintor  desconhecido


sábado, 21 de março de 2015



Sensações Celestiais



 "Que nosso gesto seja uma criação, o signo de um mundo novo;


que o entusiasmo seja uma missão








e o pensamento, uma ordem".




texto: Cioran/ O livro das Ilusões
local: Tiradentes/M. G.
fotos:Eliete

sexta-feira, 20 de março de 2015


MOZART- beleza etérea



Fonte: http://veja.abril.com.br/multimidia/galeria-fotos/retratos-de-mozart/


"Aconselho a música de Mozart e de Bach como remédio contra o desespero. Em sua pureza aérea, que às vezes chega a alcançar uma sublime gravidade melancólica, te sentes leve, diáfano e angélico.Tens então a impressão de que em ti, ser inconsolável, crescem asas que te lançam em um voo sereno, acompanhado de discretos e velados sorrisos, em uma eternidade de evanescente encanto e de doces e acariciantes transparências".

..."A música nos desperta o pesar de não ser o que teríamos de ser, e sua magia nos cativa por um instante transportando-nos para o nosso mundo ideal, para o mundo onde deveríamos viver".

Livro: Cioran/ O Livro das Ilusões

quinta-feira, 19 de março de 2015


Lições na madrugada


As coisas estão no mundo eu é que preciso aprender.
Paulinho da Viola

Há muito tempo eu não escutava um galo cantar de madrugada, até que uma noite dessas “re-vivi” essa experiência.
Acordei ou fui acordada, não sei bem, com o canto do galo, melhor dizendo, com o canto dos galos, pois um galo não canta sozinho. Há, sempre, um outro  galo que lhe responde de longe. Olhei no relógio, eram quatro horas da manhã.
A primeira impressão, confesso, não foi muito boa . Senti uma discreta nostalgia e uma pequena chateação, pois talvez demorasse em pegar no sono novamente.
Mas lentamente fui embalada pela magia daquele canto longo  e suave, e algumas lembranças rapidamente vieram ao meu encontro. Deixei-as de lado e voltei minha escuta para a característica melódica de suas notas, e, pela relação que se estabelecia entre os dois galos.
Quantas lições há em um canto de galos na madrugada.
A princípio, lembrei-me  de ter lido que  o galo simboliza a fé, pois ele canta na hora mais escura da noite, anunciando o amanhecer.A fé é a certeza que brota do nosso interior nos momentos em que tudo parece indicar o contrário. Mas naquele canto dos galos dei-me  conta  de tantas outras coisas, como a harmonia, candura e cumplicidade que existe nesta comunicação, e fiquei pensando se não é um bom exemplo do que pode ser um diálogo entre duas ou mais pessoas.
Falo do respeito que é escutar o outro até o final da sua comunicação, dar então uma pausa e só depois se manifestar. Não vi pressa nem interrupção de um galo enquanto o outro cantava, e sim o silêncio como um convite ao outro para que ele se manifestasse até o final.
Bem diferente do que geralmente acontece com muitos de nós, que sempre interrompemos o outro colocando a nossa opinião ou mesmo acreditando que já sabemos onde ele irá chegar com suas ideias .
Que bela lição a aprender quando escutei a harmonia existente no canto sem competição, sem necessidade de cantar um tom mais alto do que o outro; pelo contrário, pareceu-me que o desafio era cantar como o outro cantava.
Sei que são sentimentos meus que estou colocando nos galos, mas isso não diminui em nada a lição dessa madrugada que pretendo colocar em prática no meu amanhecer quando estiver junto às pessoas.
Quero viver o diálogo verdadeiro, pois a manifestação das ideias deve ser um belo canto que convide o outro a cantar sua alteridade com total maestria.


texto de Eliete T. Cascaldi Sobreiro

foto:Eliete




quarta-feira, 18 de março de 2015


"Aquilo que seus olhos vêem, mas apenas o seu coração entende".








Local: Campos do Jordão

terça-feira, 17 de março de 2015

MAGIA








Imagem de fundo: internet (autor que desconheço)
Fotos: Eliete
Lugar: Serra Negra/ São Paulo

domingo, 15 de março de 2015



  1. foto:Eliete

DEMOREI MUITO

  1. Demorei muito para entender:

  2. Alguns vêem beleza no desabrochar de um
  3.  
  4. botão de

  5. rosa;

  6. Outros amam contemplar a desinibida maneira da rosa

  7.  se mostrar em seu pleno vigor;

  8. Ainda há quem goste de vê-la murchar lentamente

  9. como um fatídico pôr do sol;
  10. E não posso esquecer que há quem mantém vivo

  11.  muitos sentimentos preservando aquela rosa seca,

  12.  desidratada, sem cor, porém cheia de memórias, pois

  13.  ela acompanhou o primeiro beijo ou pedido de

  14.  namoro ou até mesmo um 'Adeus' com gosto de 'até

  15.  logo'.

  16. Demorei muito para entender, mas hoje sei que é

  17. permitido ver beleza em tudo, do começo ao fim!

  18. Demorei muito para entender que o modo que se vê a

  19. vida tem o poder de transformá-lá em sonho ou

  20. pesadelo.

  21. Lamento entender só agora, mas não perderei tempo

  22. justamente por que demorei muito tempo para

  23. entender.

                  (C.S.Bernardo)

sábado, 14 de março de 2015


Um filme MA-RA-VI-LHO-SO

Um filme Encantador

CEREJEIRAS EM FLOR



Título Original: Kirschbluten – Hanami.
Origem: Alemanha / França, 2008.
Direção: Doris Dorrie.
Roteiro: Doris Dorrie.
Produção: Harald Kugler e Molly Von Furstenberg.
Fotografia: Hanno Lentz.
Edição: Frank C. Muller e Inez Regnier.
Música: Claus Bantzer.

UMA HISTÓRIA DE AMOR E DA

 TRANSITORIEDADE DA VIDA


HANAMI: ATO DE OBSERVAR AS FLORES DE

CEREJEIRA

BUTO:dança que faz uma ligação com o mundo

 dos vivos e dos mortos


AMEI!





quarta-feira, 11 de março de 2015



GOSTEI MUITO E CONCORDO PLENAMENTE!


"Quando alguém resolve procurar um psicanalista é na maioria das vezes por que seu(s) sintoma(s) perderam a função de preservá-lo da angústia.
No entanto, é com o sintoma que a experiência de uma análise começa".

"Por causa do pior" de Dominique Fingermann/Mauro Mendes Dias

terça-feira, 10 de março de 2015




"Tô me afastando de tudo que me atrasa, me engana, me segura e me retém.
 Tô me aproximando de tudo que me faz completo, me faz feliz e que me quer bem. 
 Tô aproveitando tudo de bom que essa nossa vida tem.
 Tô me dedicando de verdade pra agradar um outro alguém.
 Tô trazendo pra perto de mim quem eu gosto e quem gosta de mim também.
 Ultimamente eu só tô querendo ver o ‘bom’ que todo mundo tem.
 Relaxa, respira, se irritar é bom pra quem? Supera, suporta, entenda: isento de problemas eu não conheço ninguém. Queira viver, viver melhor, viver sorrindo e até os cem.
Tô feliz, to despreocupado, com a vida eu to de bem!"


Caio Fernando Abreu

Caio Fernando Abreu (1948-1996) foi um jornalista, dramaturgo e escritor brasileiro, considerado um dos expoentes de sua geração.
Caio Fernando Loureiro Abreu nasceu em Santiago, Rio Grande do Sul, no dia 12 de setembro de 1948. Iniciou os cursos de Letra e Artes Cênicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mas abandonou ambos para trabalhar como jornalista em revistas, entre elas, Nova, Manchete, Veja e Pop. Também colaborou com jornais Correio do Povo, Zero Hora, Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo.
Em 1968, perseguido pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), refugiou-se em São Paulo, na casa a escritora Hilda Hilst. Exilou-se voluntariamente na Espanha, Suécia, Países Baixos, Inglaterra e França, retornando a Porto Alegre em 1974.
Caio Fernando morou também no Rio de Janeiro. Retornou à França, mas após descobri-se portador do HIV, retornou à casa dos seus pais, em Porto Alegre até a sua morte, no dia 25 de fevereiro de 1996.
Fonte: 
http://pensador.uol.com.br/autor/caio_fernando_abreu/biografia/

sábado, 24 de agosto de 2013

 
 
Minha Missão

Paulo César Pinheiro

Quando eu canto
É para aliviar meu pranto
E o pranto de quem já
Tanto sofreu
Quando eu canto
Estou sentindo a luz de um santo
Estou ajoelhando
Aos pés de Deus
Canto para anunciar o dia
Canto para amenizar a noite
Canto pra denunciar o açoite
Canto também contra a tirania
Canto porque numa melodia
Acendo no coração do povo
A esperança de um mundo novo
E a luta para se viver em paz!

Do poder da criação
Sou continuação
E quero agradecer
Foi ouvida minha súplica
Mensageiro sou da música
O meu canto é uma missão
Tem força de oração
E eu cumpro o meu dever
Aos que vivem a chorar
Eu vivo pra cantar
E canto pra viver

Quando eu canto, a morte me percorre
E eu solto um canto da garganta
Que a cigarra quando canta morre
E a madeira quando morre, canta!

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Eu penso assim...
 
imagem da internet
 
“Eu, por exemplo, gosto do cheiro dos livros. Gosto de interromper a leitura num trecho especialmente bonito e encostá-lo contra o peito, fechado, enquanto penso no que foi lido. Depois reabro e continuo a viagem. (…) Gosto do barulho das paginas sendo folheadas. Gosto das marcas de velhice que o livro vai ganhando: (…) a lombada descascando, o volume ficando meio ondulado com o manuseio. Tem gente que diz que uma casa sem cortinas é uma casa nua. Eu penso o mesmo de uma casa sem livros.”

terça-feira, 30 de julho de 2013

Férias – “Ócio Criativo”!


foto: Eliete T. Cascaldi Sobreiro
A demora para escrever um novo texto tem uma justificativa: as férias!! Vivemos uma época em que trabalhamos muito e nosso tempo é cada vez mais escasso. Por isto, nossas férias são sagradas, ou deveriam ser... pra mim, férias é época de descansar a mente, relaxar, deixar de lado as preocupações do dia a dia e se possível: viajar!
É revigorante conhecer lugares novos, pessoas diferentes, respirar novos ares. Nossos olhos estão acostumados com as mesmas paisagens, nossa convivência diária limita-se a círculo permanente de pessoas, assim nos habituamos aos mesmos assuntos, mesmas comidas, às mesmices. Não estou desvalorizando as nossas vidas, eu mesma dou valor à minha rotina e meu cotidiano. Escrevi no instagram, quando retornei da minha viagem de férias: “Se o poeta Mário Quintana disse que viajar é trocar a roupa da alma, então estar de volta ao lar é como reencarnar, estar envolto na própria pele, no aconchego e segurança dos nossos órgãos, mesmo que provisórios!”. Só não podemos nos acostumar ao eterno retorno do mesmo, nos acomodar.
Se não puder viajar nas minhas férias por circunstâncias financeiras ou pessoais, ou se preferir ficar em casa, tudo bem. Há outras maneiras de viver o eterno retorno da diferença. Livros, filmes e obras de arte são boas maneiras de viajar sem precisar sair do lugar. É possível mergulhar em novas histórias, personagens, biografias, obras, músicas... o importante é aguçar os sentidos, abrir-se às sensibilidades! Eu viajo jogada no sofá da na minha sala ouvindo Chico Buarque e bebendo uma taça de vinho, sozinha ou acompanhada. Eu viajo deitada na minha cama assistindo DVD. Eu viajo em qualquer lugar lendo meus livros e viajo imersa nos meus pensamentos, sonhos, fantasias... O sociólogo italiano Domenico De Masi criou o conceito de ócio criativo por isso: É preciso tempo para criar, sonhar, viajar, coisa que não temos no nosso cotidiano.
Eu sou uma pessoa que precisa de encantamentos para viver. Adoro me encantar com a florada dos ipês, com o canto dos pássaros, com uma criança brincando numa praça, com uma prosa boa no meio da tarde, um café coado na hora. Curto muito a natureza, o mar, as cachoeiras, a mata, os bichos, curto as pessoas, as cidades históricas, o campo, as diferentes culturas, tradições, culinárias e as histórias orais. Por isso, gosto do tempo das férias, sem compromissos! Desligar o celular, desconectar das tecnologias e conectar comigo mesma e com o universo ao meu redor. Andar a pé, fazer caminhos diferentes, novos trajetos, sem querer chegar rápido ou ficar presa no trânsito.
Com isso volto ao trabalho com mais energia, mais vigor, mais ideias novas. Recarregada. Faz parte do nosso “modus operandi” para produzir e consumir. Mas hoje eu quero um post leve... sem críticas, só devaneios. Afinal, nessas férias não perdi tempo nem arrumando armários, limpando casa, organizando papeis (coisas que também adiamos na correria do dia a dia). Quis faxinar minha alma, rever amigos, curtir meus filhos e dar boas risadas. Até dos estudos, que amo, eu me afastei! Mas agora estou de volta com minhas reflexões para compartilhar com vocês!
A demora para escrever um novo texto tem uma justificativa: as férias!! Vivemos uma época em que trabalhamos muito e nosso tempo é cada vez mais escasso. Por isto, nossas férias são sagradas, ou deveriam ser... pra mim, férias é época de descansar a mente, relaxar, deixar de lado as preocupações do dia a dia e se possível: viajar!

É revigorante conhecer lugares novos, pessoas diferentes, respirar novos ares. Nossos olhos estão acostumados com as mesmas paisagens, nossa convivência diária limita-se a círculo permanente de pessoas, assim nos habituamos aos mesmos assuntos, mesmas comidas, às mesmices. Não estou desvalorizando as nossas vidas, eu mesma dou valor à minha rotina e meu cotidiano. Escrevi no instagram, quando retornei da minha viagem de férias: “Se o poeta Mário Quintana disse que viajar é trocar a roupa da alma, então estar de volta ao lar é como reencarnar, estar envolto na própria pele, no aconchego e segurança dos nossos órgãos, mesmo que provisórios!”. Só não podemos nos acostumar ao eterno retorno do mesmo, nos acomodar.

Se não puder viajar nas minhas férias por circunstâncias financeiras ou pessoais, ou se preferir ficar em casa, tudo bem. Há outras maneiras de viver o eterno retorno da diferença. Livros, filmes e obras de arte são boas maneiras de viajar sem precisar sair do lugar. É possível mergulhar em novas histórias, personagens, biografias, obras, músicas... o importante é aguçar os sentidos, abrir-se às sensibilidades! Eu viajo jogada no sofá da na minha sala ouvindo Chico Buarque e bebendo uma taça de vinho, sozinha ou acompanhada. Eu viajo deitada na minha cama assistindo DVD. Eu viajo em qualquer lugar lendo meus livros e viajo imersa nos meus pensamentos, sonhos, fantasias... O sociólogo italiano Domenico De Masi criou o conceito de ócio criativo por isso: É preciso tempo para criar, sonhar, viajar, coisa que não temos no nosso cotidiano.

Eu sou uma pessoa que precisa de encantamentos para viver. Adoro me encantar com a florada dos ipês, com o canto dos pássaros, com uma criança brincando numa praça, com uma prosa boa no meio da tarde, um café coado na hora. Curto muito a natureza, o mar, as cachoeiras, a mata, os bichos, curto as pessoas, as cidades históricas, o campo, as diferentes culturas, tradições, culinárias e as histórias orais. Por isso, gosto do tempo das férias, sem compromissos! Desligar o celular, desconectar das tecnologias e conectar comigo mesma e com o universo ao meu redor. Andar a pé, fazer caminhos diferentes, novos trajetos, sem querer chegar rápido ou ficar presa no trânsito.

Com isso volto ao trabalho com mais energia, mais vigor, mais ideias novas. Recarregada. Faz parte do nosso “modus operandi” para produzir e consumir. Mas hoje eu quero um post leve... sem críticas, só devaneios. Afinal, nessas férias não perdi tempo nem arrumando armários, limpando casa, organizando papeis (coisas que também adiamos na correria do dia a dia). Quis faxinar minha alma, rever amigos, curtir meus filhos e dar boas risadas. Até dos estudos, que amo, eu me afastei! Mas agora estou de volta com minhas reflexões para compartilhar com vocês!
Patrícia Machado Domingues
Jornal: A Tribuna/Jaboticabal

sexta-feira, 19 de julho de 2013


"Espalhe que o amor não é banal.
E que, embora estejam distorcendo o sentido verdadeiro dele
nos tempos modernos de hoje, ele existe e é o ingrediente
mais importante da vida, a própria porção mágica da Felicidade".

Mario Quintana

sábado, 29 de junho de 2013

Desdobramentos


O homem quando jovem, é só, apesar de suas múltiplas experiências. Ele pretende, nessa época, conformar a realidade com suas mãos, servindo-se dela, pois acredita que, ganhando o mundo, conseguirá ganhar-se a si próprio.
Acontece, entretanto, que nascemos para o encontro com o outro, e não o seu domínio. Encontrá-lo é perdê-lo, é contemplá-lo na sua libérrima existência, é respeitá-lo e amá-lo na sua total e gratuita inutilidade.
O começo da sabedoria consiste em perceber que temos e teremos as mãos vazias, na medida em que tenhamos ganho ou pretendamos ganhar o mundo. Neste momento, a solidão nos atravessa como um dardo. É meio-dia em nossa vida e a face do outro nos contempla como um enigma. Feliz daquele que, ao meio-dia, se percebe em plena treva, pobre e nu. Este é o preço do encontro, do possível encontro com o outro. A construção de tal possibilidade passa a ser, desde então, o trabalho do homem que merece o seu nome.”



Hélio Peregrino
(introdução do livro “O Encontro Marcado” de Fernando Sabino)

sábado, 22 de junho de 2013

Opinião: Nós estamos vivendo o resultado de uma série de paradoxos

HELIO DE LA PEÑA
Especial para a Folha De São Paulo/22 de junho de 2013

 
Não se fala em outra coisa, não se escreve sobre outra coisa. Nunca tantos falaram tanto sem saber o que estão dizendo. Quem afirma algo com convicção hoje é obrigado a desdizer tudo amanhã.
Temos que tomar cuidado com as certezas absolutas. É preciso entender a mensagem das ruas e ninguém sabe onde fica a tecla SAP.
Se tivesse que arriscar uma síntese para o que está rolando, diria "chega de caô!". Estamos vivendo o resultado de uma série de paradoxos.
A coisa é tão complexa que temos que agradecer aos prefeitos por não terem baixado as tarifas de ônibus logo de cara e à truculência da
polícia nos protestos.
Sem essa ajuda, talvez não tivéssemos chegado a esse ponto em que tudo está sendo posto em cheque. Por R$ 0,20, muitos bilhões desviados estão sendo denunciados. Escândalos estão sendo desmascarados pela máscara inspirada em Guy Fawkes, um inglês do século XVII.
Fazia tempo que os estudantes não saíam às ruas. A primeira vez que participei de um movimento desse tipo foi em 1977, quando foi ressuscitado o movimento estudantil.
Queríamos reviver a Passeata dos Cem Mil de 1968. A atmosfera foi parecida, respirávamos democracia no fim da ditadura. Depois voltei às ruas pela anistia, pelas Diretas Já, pelo impeachment do Collor, entre outras vezes menos marcantes.
Participei ativamente do movimento estudantil. Embarquei nesse ambiente político universitário cheio de esperança. Mas testemunhei muita sujeira.
Os estudantes sendo iludidos por raposas velhas de partidos de esquerda que faziam uma mímica de democracia, enquanto decidiam tudo em conchavos na calada da noite.
Era do Partidão e vi bem como era isso. As lideranças se orgulhavam de conduzir a massa pra onde ela não sabia que queria ir, era o que se dizia. Lembro do caso de uma mãe procurando pelo filho na PUC do Rio. Ao encontrar um grupo de estudantes, perguntou: "Vocês conhecem o fulano? Ele é o líder de vocês...".
Até então acreditávamos no estereótipo do bem e do mal. O bem era a esquerda, o mal, a direita. A esquerda podia fazer cagadas, manipular opiniões, até desviar verbas pela causa. "Os fins justificam os meios", diziam as lideranças progressistas.
Conseguimos, enfim, derrubar a direita e colocar a esquerda no poder. E o que se viu? A maior sequência de escândalos e corrupção da nossa história.
Mentiras se repetindo, inimigos chegando a acordos, direita e esquerda fazendo de tudo para se perpetuarem no poder. Lula, Collor, Sarney, Dilma, Maluf, todos na mesma mesa de jantar.
Os absurdos são anteriores à era PT, mas foram se acumulando e continuam. Marco Feliciano na Comissão de Direitos Humanos, Renan na presidência do Senado, Genuíno, condenado, eleito e legislando sobre a ação do Judiciário, estádios bilionários construídos em cidades sem time na primeira divisão, estatísticas maquiando nossa realidade... Até que, por R$ 0,20, tudo vem à tona.
Ninguém sabe onde isso vai dar. Não se sabe como fazer pra mudar a situação. Este "foda-se" que sempre deram pra nós agora estamos devolvendo pra eles.
Vandalismo não é solução, nem violência policial. Qual o próximo passo? A vontade é tirar todos de todos os cargos. Mas, em algum momento, alguém terá que representar essa nova mentalidade.
O voto é nossa arma mais poderosa. Não vamos conseguir botar 170 milhões de pessoas no Palácio do Planalto. E aí vamos ter que confiar que a sinceridade é possível, que as intenções serão de fato as melhores.
Talvez não seja agora. Não sabemos como nem quando. Queremos acreditar que um dia vai ser. Por ora,resgatemos a utopia. Já é um grande passo.
Helio de la Peña, 54, é humorista do Casseta & Planeta, ator e roteirista da TV Globo.

Apontadora de Idéias

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São Paulo, Brazil
"A senhora me desculpe, mas no momento não tenho muita certeza. Quer dizer, eu sei quem eu era quando acordei hoje de manhã, mas já mudei uma porção de vezes desde que isso aconteceu. (...) Receio que não possa me explicar, Dona Lagarta, porque é justamente aí que está o problema. Posso explicar uma porção de coisas... Mas não posso explicar a mim mesma." (Lewis Carroll)

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