domingo, 22 de março de 2015





O que eu quero e sobrequero


Viver amanhecendo é aprendizado que não posso perder de vista.
Pe. Fábio de Melo


O que eu quero e sobrequero é uma expressão de Guimarães Rosa e que tomo emprestada para  falar do meu maior desejo .
Se uma fada madrinha aparecesse com sua varinha de condão, e me desse a possibilidade de realizar um desejo, não teria a menor dúvida e rapidamente responderia, inspirada na música “Tocando em frente” de Almir Sater e Renato Teixeira:  O que mais quero é tocar em frente a minha vida com valentia e ser feliz sem muitas garantias.
O que mais quero é não ser o meu maior obstáculo, frente às lições do caminho, e ter coragem - seguir em frente apesar dos medos.
O que mais quero e sobrequero é ser como o velho boiadeiro, que leva sua boiada (todas as experiências boas e ruins) sem pressa, com um sorriso, forte e feliz, aceitando e aprendendo com cada passo e escorregadela que vier dar pelo caminho.
O que eu quero é não recuar frente às manhas da vida, manter-me firme e não permitir que a descrença more dentro de mim.
O que eu quero e sobrequero é não produzir pensamentos catastróficos constantemente, para que a paz possa vir em meu auxílio e ritmar o meu coração.
É encontrar um velho boiadeiro que me ajude quando nada sei e que eu também possa, com minha experiência, ser um velho boiadeiro para quem por mim passar.
O que eu quero e sobrequero é não me afastar de Deus e guiar-me sempre por Sua Palavra.
Tocar em frente e compor a própria história, sei bem que nenhuma fada irá me proporcionar, pois essa estrada é um processo de construção particular, intenso e profundo, que se faz continuamente por meio do autoconhecimento  .
Cumprir a vida é ser estrada; viver intensamente cada passo dado, não se fechar às possibilidades do caminho, ter um olhar mais generoso para com as pessoas e saber lidar com a própria verdade.
O que eu quero é aprender a amar para poder pulsar e que, antes de morrer, eu saiba viver.

...Cada ser em si carrega o dom se ser capaz e ser feliz.


Texto escrito por Eliete T. Cascaldi Sobreiro
Foto: quadro de  pintor  desconhecido


sábado, 21 de março de 2015



Sensações Celestiais



 "Que nosso gesto seja uma criação, o signo de um mundo novo;


que o entusiasmo seja uma missão








e o pensamento, uma ordem".




texto: Cioran/ O livro das Ilusões
local: Tiradentes/M. G.
fotos:Eliete

sexta-feira, 20 de março de 2015


MOZART- beleza etérea



Fonte: http://veja.abril.com.br/multimidia/galeria-fotos/retratos-de-mozart/


"Aconselho a música de Mozart e de Bach como remédio contra o desespero. Em sua pureza aérea, que às vezes chega a alcançar uma sublime gravidade melancólica, te sentes leve, diáfano e angélico.Tens então a impressão de que em ti, ser inconsolável, crescem asas que te lançam em um voo sereno, acompanhado de discretos e velados sorrisos, em uma eternidade de evanescente encanto e de doces e acariciantes transparências".

..."A música nos desperta o pesar de não ser o que teríamos de ser, e sua magia nos cativa por um instante transportando-nos para o nosso mundo ideal, para o mundo onde deveríamos viver".

Livro: Cioran/ O Livro das Ilusões

quinta-feira, 19 de março de 2015


Lições na madrugada


As coisas estão no mundo eu é que preciso aprender.
Paulinho da Viola

Há muito tempo eu não escutava um galo cantar de madrugada, até que uma noite dessas “re-vivi” essa experiência.
Acordei ou fui acordada, não sei bem, com o canto do galo, melhor dizendo, com o canto dos galos, pois um galo não canta sozinho. Há, sempre, um outro  galo que lhe responde de longe. Olhei no relógio, eram quatro horas da manhã.
A primeira impressão, confesso, não foi muito boa . Senti uma discreta nostalgia e uma pequena chateação, pois talvez demorasse em pegar no sono novamente.
Mas lentamente fui embalada pela magia daquele canto longo  e suave, e algumas lembranças rapidamente vieram ao meu encontro. Deixei-as de lado e voltei minha escuta para a característica melódica de suas notas, e, pela relação que se estabelecia entre os dois galos.
Quantas lições há em um canto de galos na madrugada.
A princípio, lembrei-me  de ter lido que  o galo simboliza a fé, pois ele canta na hora mais escura da noite, anunciando o amanhecer.A fé é a certeza que brota do nosso interior nos momentos em que tudo parece indicar o contrário. Mas naquele canto dos galos dei-me  conta  de tantas outras coisas, como a harmonia, candura e cumplicidade que existe nesta comunicação, e fiquei pensando se não é um bom exemplo do que pode ser um diálogo entre duas ou mais pessoas.
Falo do respeito que é escutar o outro até o final da sua comunicação, dar então uma pausa e só depois se manifestar. Não vi pressa nem interrupção de um galo enquanto o outro cantava, e sim o silêncio como um convite ao outro para que ele se manifestasse até o final.
Bem diferente do que geralmente acontece com muitos de nós, que sempre interrompemos o outro colocando a nossa opinião ou mesmo acreditando que já sabemos onde ele irá chegar com suas ideias .
Que bela lição a aprender quando escutei a harmonia existente no canto sem competição, sem necessidade de cantar um tom mais alto do que o outro; pelo contrário, pareceu-me que o desafio era cantar como o outro cantava.
Sei que são sentimentos meus que estou colocando nos galos, mas isso não diminui em nada a lição dessa madrugada que pretendo colocar em prática no meu amanhecer quando estiver junto às pessoas.
Quero viver o diálogo verdadeiro, pois a manifestação das ideias deve ser um belo canto que convide o outro a cantar sua alteridade com total maestria.


texto de Eliete T. Cascaldi Sobreiro

foto:Eliete




quarta-feira, 18 de março de 2015


"Aquilo que seus olhos vêem, mas apenas o seu coração entende".








Local: Campos do Jordão

terça-feira, 17 de março de 2015

MAGIA








Imagem de fundo: internet (autor que desconheço)
Fotos: Eliete
Lugar: Serra Negra/ São Paulo

domingo, 15 de março de 2015



  1. foto:Eliete

DEMOREI MUITO

  1. Demorei muito para entender:

  2. Alguns vêem beleza no desabrochar de um
  3.  
  4. botão de

  5. rosa;

  6. Outros amam contemplar a desinibida maneira da rosa

  7.  se mostrar em seu pleno vigor;

  8. Ainda há quem goste de vê-la murchar lentamente

  9. como um fatídico pôr do sol;
  10. E não posso esquecer que há quem mantém vivo

  11.  muitos sentimentos preservando aquela rosa seca,

  12.  desidratada, sem cor, porém cheia de memórias, pois

  13.  ela acompanhou o primeiro beijo ou pedido de

  14.  namoro ou até mesmo um 'Adeus' com gosto de 'até

  15.  logo'.

  16. Demorei muito para entender, mas hoje sei que é

  17. permitido ver beleza em tudo, do começo ao fim!

  18. Demorei muito para entender que o modo que se vê a

  19. vida tem o poder de transformá-lá em sonho ou

  20. pesadelo.

  21. Lamento entender só agora, mas não perderei tempo

  22. justamente por que demorei muito tempo para

  23. entender.

                  (C.S.Bernardo)

sábado, 14 de março de 2015


Um filme MA-RA-VI-LHO-SO

Um filme Encantador

CEREJEIRAS EM FLOR



Título Original: Kirschbluten – Hanami.
Origem: Alemanha / França, 2008.
Direção: Doris Dorrie.
Roteiro: Doris Dorrie.
Produção: Harald Kugler e Molly Von Furstenberg.
Fotografia: Hanno Lentz.
Edição: Frank C. Muller e Inez Regnier.
Música: Claus Bantzer.

UMA HISTÓRIA DE AMOR E DA

 TRANSITORIEDADE DA VIDA


HANAMI: ATO DE OBSERVAR AS FLORES DE

CEREJEIRA

BUTO:dança que faz uma ligação com o mundo

 dos vivos e dos mortos


AMEI!





quarta-feira, 11 de março de 2015



GOSTEI MUITO E CONCORDO PLENAMENTE!


"Quando alguém resolve procurar um psicanalista é na maioria das vezes por que seu(s) sintoma(s) perderam a função de preservá-lo da angústia.
No entanto, é com o sintoma que a experiência de uma análise começa".

"Por causa do pior" de Dominique Fingermann/Mauro Mendes Dias

terça-feira, 10 de março de 2015




"Tô me afastando de tudo que me atrasa, me engana, me segura e me retém.
 Tô me aproximando de tudo que me faz completo, me faz feliz e que me quer bem. 
 Tô aproveitando tudo de bom que essa nossa vida tem.
 Tô me dedicando de verdade pra agradar um outro alguém.
 Tô trazendo pra perto de mim quem eu gosto e quem gosta de mim também.
 Ultimamente eu só tô querendo ver o ‘bom’ que todo mundo tem.
 Relaxa, respira, se irritar é bom pra quem? Supera, suporta, entenda: isento de problemas eu não conheço ninguém. Queira viver, viver melhor, viver sorrindo e até os cem.
Tô feliz, to despreocupado, com a vida eu to de bem!"


Caio Fernando Abreu

Caio Fernando Abreu (1948-1996) foi um jornalista, dramaturgo e escritor brasileiro, considerado um dos expoentes de sua geração.
Caio Fernando Loureiro Abreu nasceu em Santiago, Rio Grande do Sul, no dia 12 de setembro de 1948. Iniciou os cursos de Letra e Artes Cênicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mas abandonou ambos para trabalhar como jornalista em revistas, entre elas, Nova, Manchete, Veja e Pop. Também colaborou com jornais Correio do Povo, Zero Hora, Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo.
Em 1968, perseguido pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), refugiou-se em São Paulo, na casa a escritora Hilda Hilst. Exilou-se voluntariamente na Espanha, Suécia, Países Baixos, Inglaterra e França, retornando a Porto Alegre em 1974.
Caio Fernando morou também no Rio de Janeiro. Retornou à França, mas após descobri-se portador do HIV, retornou à casa dos seus pais, em Porto Alegre até a sua morte, no dia 25 de fevereiro de 1996.
Fonte: 
http://pensador.uol.com.br/autor/caio_fernando_abreu/biografia/

sábado, 24 de agosto de 2013

 
 
Minha Missão

Paulo César Pinheiro

Quando eu canto
É para aliviar meu pranto
E o pranto de quem já
Tanto sofreu
Quando eu canto
Estou sentindo a luz de um santo
Estou ajoelhando
Aos pés de Deus
Canto para anunciar o dia
Canto para amenizar a noite
Canto pra denunciar o açoite
Canto também contra a tirania
Canto porque numa melodia
Acendo no coração do povo
A esperança de um mundo novo
E a luta para se viver em paz!

Do poder da criação
Sou continuação
E quero agradecer
Foi ouvida minha súplica
Mensageiro sou da música
O meu canto é uma missão
Tem força de oração
E eu cumpro o meu dever
Aos que vivem a chorar
Eu vivo pra cantar
E canto pra viver

Quando eu canto, a morte me percorre
E eu solto um canto da garganta
Que a cigarra quando canta morre
E a madeira quando morre, canta!

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Eu penso assim...
 
imagem da internet
 
“Eu, por exemplo, gosto do cheiro dos livros. Gosto de interromper a leitura num trecho especialmente bonito e encostá-lo contra o peito, fechado, enquanto penso no que foi lido. Depois reabro e continuo a viagem. (…) Gosto do barulho das paginas sendo folheadas. Gosto das marcas de velhice que o livro vai ganhando: (…) a lombada descascando, o volume ficando meio ondulado com o manuseio. Tem gente que diz que uma casa sem cortinas é uma casa nua. Eu penso o mesmo de uma casa sem livros.”

terça-feira, 30 de julho de 2013

Férias – “Ócio Criativo”!


foto: Eliete T. Cascaldi Sobreiro
A demora para escrever um novo texto tem uma justificativa: as férias!! Vivemos uma época em que trabalhamos muito e nosso tempo é cada vez mais escasso. Por isto, nossas férias são sagradas, ou deveriam ser... pra mim, férias é época de descansar a mente, relaxar, deixar de lado as preocupações do dia a dia e se possível: viajar!
É revigorante conhecer lugares novos, pessoas diferentes, respirar novos ares. Nossos olhos estão acostumados com as mesmas paisagens, nossa convivência diária limita-se a círculo permanente de pessoas, assim nos habituamos aos mesmos assuntos, mesmas comidas, às mesmices. Não estou desvalorizando as nossas vidas, eu mesma dou valor à minha rotina e meu cotidiano. Escrevi no instagram, quando retornei da minha viagem de férias: “Se o poeta Mário Quintana disse que viajar é trocar a roupa da alma, então estar de volta ao lar é como reencarnar, estar envolto na própria pele, no aconchego e segurança dos nossos órgãos, mesmo que provisórios!”. Só não podemos nos acostumar ao eterno retorno do mesmo, nos acomodar.
Se não puder viajar nas minhas férias por circunstâncias financeiras ou pessoais, ou se preferir ficar em casa, tudo bem. Há outras maneiras de viver o eterno retorno da diferença. Livros, filmes e obras de arte são boas maneiras de viajar sem precisar sair do lugar. É possível mergulhar em novas histórias, personagens, biografias, obras, músicas... o importante é aguçar os sentidos, abrir-se às sensibilidades! Eu viajo jogada no sofá da na minha sala ouvindo Chico Buarque e bebendo uma taça de vinho, sozinha ou acompanhada. Eu viajo deitada na minha cama assistindo DVD. Eu viajo em qualquer lugar lendo meus livros e viajo imersa nos meus pensamentos, sonhos, fantasias... O sociólogo italiano Domenico De Masi criou o conceito de ócio criativo por isso: É preciso tempo para criar, sonhar, viajar, coisa que não temos no nosso cotidiano.
Eu sou uma pessoa que precisa de encantamentos para viver. Adoro me encantar com a florada dos ipês, com o canto dos pássaros, com uma criança brincando numa praça, com uma prosa boa no meio da tarde, um café coado na hora. Curto muito a natureza, o mar, as cachoeiras, a mata, os bichos, curto as pessoas, as cidades históricas, o campo, as diferentes culturas, tradições, culinárias e as histórias orais. Por isso, gosto do tempo das férias, sem compromissos! Desligar o celular, desconectar das tecnologias e conectar comigo mesma e com o universo ao meu redor. Andar a pé, fazer caminhos diferentes, novos trajetos, sem querer chegar rápido ou ficar presa no trânsito.
Com isso volto ao trabalho com mais energia, mais vigor, mais ideias novas. Recarregada. Faz parte do nosso “modus operandi” para produzir e consumir. Mas hoje eu quero um post leve... sem críticas, só devaneios. Afinal, nessas férias não perdi tempo nem arrumando armários, limpando casa, organizando papeis (coisas que também adiamos na correria do dia a dia). Quis faxinar minha alma, rever amigos, curtir meus filhos e dar boas risadas. Até dos estudos, que amo, eu me afastei! Mas agora estou de volta com minhas reflexões para compartilhar com vocês!
A demora para escrever um novo texto tem uma justificativa: as férias!! Vivemos uma época em que trabalhamos muito e nosso tempo é cada vez mais escasso. Por isto, nossas férias são sagradas, ou deveriam ser... pra mim, férias é época de descansar a mente, relaxar, deixar de lado as preocupações do dia a dia e se possível: viajar!

É revigorante conhecer lugares novos, pessoas diferentes, respirar novos ares. Nossos olhos estão acostumados com as mesmas paisagens, nossa convivência diária limita-se a círculo permanente de pessoas, assim nos habituamos aos mesmos assuntos, mesmas comidas, às mesmices. Não estou desvalorizando as nossas vidas, eu mesma dou valor à minha rotina e meu cotidiano. Escrevi no instagram, quando retornei da minha viagem de férias: “Se o poeta Mário Quintana disse que viajar é trocar a roupa da alma, então estar de volta ao lar é como reencarnar, estar envolto na própria pele, no aconchego e segurança dos nossos órgãos, mesmo que provisórios!”. Só não podemos nos acostumar ao eterno retorno do mesmo, nos acomodar.

Se não puder viajar nas minhas férias por circunstâncias financeiras ou pessoais, ou se preferir ficar em casa, tudo bem. Há outras maneiras de viver o eterno retorno da diferença. Livros, filmes e obras de arte são boas maneiras de viajar sem precisar sair do lugar. É possível mergulhar em novas histórias, personagens, biografias, obras, músicas... o importante é aguçar os sentidos, abrir-se às sensibilidades! Eu viajo jogada no sofá da na minha sala ouvindo Chico Buarque e bebendo uma taça de vinho, sozinha ou acompanhada. Eu viajo deitada na minha cama assistindo DVD. Eu viajo em qualquer lugar lendo meus livros e viajo imersa nos meus pensamentos, sonhos, fantasias... O sociólogo italiano Domenico De Masi criou o conceito de ócio criativo por isso: É preciso tempo para criar, sonhar, viajar, coisa que não temos no nosso cotidiano.

Eu sou uma pessoa que precisa de encantamentos para viver. Adoro me encantar com a florada dos ipês, com o canto dos pássaros, com uma criança brincando numa praça, com uma prosa boa no meio da tarde, um café coado na hora. Curto muito a natureza, o mar, as cachoeiras, a mata, os bichos, curto as pessoas, as cidades históricas, o campo, as diferentes culturas, tradições, culinárias e as histórias orais. Por isso, gosto do tempo das férias, sem compromissos! Desligar o celular, desconectar das tecnologias e conectar comigo mesma e com o universo ao meu redor. Andar a pé, fazer caminhos diferentes, novos trajetos, sem querer chegar rápido ou ficar presa no trânsito.

Com isso volto ao trabalho com mais energia, mais vigor, mais ideias novas. Recarregada. Faz parte do nosso “modus operandi” para produzir e consumir. Mas hoje eu quero um post leve... sem críticas, só devaneios. Afinal, nessas férias não perdi tempo nem arrumando armários, limpando casa, organizando papeis (coisas que também adiamos na correria do dia a dia). Quis faxinar minha alma, rever amigos, curtir meus filhos e dar boas risadas. Até dos estudos, que amo, eu me afastei! Mas agora estou de volta com minhas reflexões para compartilhar com vocês!
Patrícia Machado Domingues
Jornal: A Tribuna/Jaboticabal

sexta-feira, 19 de julho de 2013


"Espalhe que o amor não é banal.
E que, embora estejam distorcendo o sentido verdadeiro dele
nos tempos modernos de hoje, ele existe e é o ingrediente
mais importante da vida, a própria porção mágica da Felicidade".

Mario Quintana

sábado, 29 de junho de 2013

Desdobramentos


O homem quando jovem, é só, apesar de suas múltiplas experiências. Ele pretende, nessa época, conformar a realidade com suas mãos, servindo-se dela, pois acredita que, ganhando o mundo, conseguirá ganhar-se a si próprio.
Acontece, entretanto, que nascemos para o encontro com o outro, e não o seu domínio. Encontrá-lo é perdê-lo, é contemplá-lo na sua libérrima existência, é respeitá-lo e amá-lo na sua total e gratuita inutilidade.
O começo da sabedoria consiste em perceber que temos e teremos as mãos vazias, na medida em que tenhamos ganho ou pretendamos ganhar o mundo. Neste momento, a solidão nos atravessa como um dardo. É meio-dia em nossa vida e a face do outro nos contempla como um enigma. Feliz daquele que, ao meio-dia, se percebe em plena treva, pobre e nu. Este é o preço do encontro, do possível encontro com o outro. A construção de tal possibilidade passa a ser, desde então, o trabalho do homem que merece o seu nome.”



Hélio Peregrino
(introdução do livro “O Encontro Marcado” de Fernando Sabino)

sábado, 22 de junho de 2013

Opinião: Nós estamos vivendo o resultado de uma série de paradoxos

HELIO DE LA PEÑA
Especial para a Folha De São Paulo/22 de junho de 2013

 
Não se fala em outra coisa, não se escreve sobre outra coisa. Nunca tantos falaram tanto sem saber o que estão dizendo. Quem afirma algo com convicção hoje é obrigado a desdizer tudo amanhã.
Temos que tomar cuidado com as certezas absolutas. É preciso entender a mensagem das ruas e ninguém sabe onde fica a tecla SAP.
Se tivesse que arriscar uma síntese para o que está rolando, diria "chega de caô!". Estamos vivendo o resultado de uma série de paradoxos.
A coisa é tão complexa que temos que agradecer aos prefeitos por não terem baixado as tarifas de ônibus logo de cara e à truculência da
polícia nos protestos.
Sem essa ajuda, talvez não tivéssemos chegado a esse ponto em que tudo está sendo posto em cheque. Por R$ 0,20, muitos bilhões desviados estão sendo denunciados. Escândalos estão sendo desmascarados pela máscara inspirada em Guy Fawkes, um inglês do século XVII.
Fazia tempo que os estudantes não saíam às ruas. A primeira vez que participei de um movimento desse tipo foi em 1977, quando foi ressuscitado o movimento estudantil.
Queríamos reviver a Passeata dos Cem Mil de 1968. A atmosfera foi parecida, respirávamos democracia no fim da ditadura. Depois voltei às ruas pela anistia, pelas Diretas Já, pelo impeachment do Collor, entre outras vezes menos marcantes.
Participei ativamente do movimento estudantil. Embarquei nesse ambiente político universitário cheio de esperança. Mas testemunhei muita sujeira.
Os estudantes sendo iludidos por raposas velhas de partidos de esquerda que faziam uma mímica de democracia, enquanto decidiam tudo em conchavos na calada da noite.
Era do Partidão e vi bem como era isso. As lideranças se orgulhavam de conduzir a massa pra onde ela não sabia que queria ir, era o que se dizia. Lembro do caso de uma mãe procurando pelo filho na PUC do Rio. Ao encontrar um grupo de estudantes, perguntou: "Vocês conhecem o fulano? Ele é o líder de vocês...".
Até então acreditávamos no estereótipo do bem e do mal. O bem era a esquerda, o mal, a direita. A esquerda podia fazer cagadas, manipular opiniões, até desviar verbas pela causa. "Os fins justificam os meios", diziam as lideranças progressistas.
Conseguimos, enfim, derrubar a direita e colocar a esquerda no poder. E o que se viu? A maior sequência de escândalos e corrupção da nossa história.
Mentiras se repetindo, inimigos chegando a acordos, direita e esquerda fazendo de tudo para se perpetuarem no poder. Lula, Collor, Sarney, Dilma, Maluf, todos na mesma mesa de jantar.
Os absurdos são anteriores à era PT, mas foram se acumulando e continuam. Marco Feliciano na Comissão de Direitos Humanos, Renan na presidência do Senado, Genuíno, condenado, eleito e legislando sobre a ação do Judiciário, estádios bilionários construídos em cidades sem time na primeira divisão, estatísticas maquiando nossa realidade... Até que, por R$ 0,20, tudo vem à tona.
Ninguém sabe onde isso vai dar. Não se sabe como fazer pra mudar a situação. Este "foda-se" que sempre deram pra nós agora estamos devolvendo pra eles.
Vandalismo não é solução, nem violência policial. Qual o próximo passo? A vontade é tirar todos de todos os cargos. Mas, em algum momento, alguém terá que representar essa nova mentalidade.
O voto é nossa arma mais poderosa. Não vamos conseguir botar 170 milhões de pessoas no Palácio do Planalto. E aí vamos ter que confiar que a sinceridade é possível, que as intenções serão de fato as melhores.
Talvez não seja agora. Não sabemos como nem quando. Queremos acreditar que um dia vai ser. Por ora,resgatemos a utopia. Já é um grande passo.
Helio de la Peña, 54, é humorista do Casseta & Planeta, ator e roteirista da TV Globo.

segunda-feira, 17 de junho de 2013


Saudade

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.


Pablo Neruda

domingo, 9 de junho de 2013

LEE SIEGEL, - O Estado de S.Paulo/09/06/2013
 
A FACE OCULTA DO NOVO

 
notícia causou frisson na minha cidade suburbana ao lado de Nova York. Um rapaz de 17 anos, a poucas semanas de concluir o ensino secundário, parou diante de um trem de subúrbio em movimento, Teve morte instantânea.
 
Como sempre ocorre quando se noticia um suicídio, a questão de por que ele o fez torturou familiares e amigos do jovem. Atormentou estranhos, também, porque o suicídio é o mais íntimo dos tipos de violência. Ele nos faz perguntar não somente por que determinada pessoa o cometeu, mas por que alguém o faria, confrontando-nos assim com o aspecto mais despojado da existência. Mas desta vez a tentativa de entender o mistério por trás de um suicídio cobriu-se de especial urgência. É que, segundo estudo divulgado algumas semanas atrás, o número de americanos que estão se matando atingiu um nível sem precedentes.
No período de 1999 a 2010, o suicídio de americanos entre 35 e 64 anos de idade cresceu quase 30%. Mais pessoas nos Estados Unidos morrem hoje pelas próprias mãos do que em acidentes de carro. Entre homens na faixa dos 50 anos, a taxa de suicídio cresceu 50%.
Os intelectuais imediatamente se lançaram à tarefa de tentar entender a nova e assustadora estatística. Quando tiverem terminado, o crescimento da "autochacina" nos Estados Unidos terá sido eclipsado por confortadoras explicações racionais:
há mais pessoas solitárias do que nunca; há mais gente armada que nunca; pessoas em áreas rurais são mais propensas a se matar do que em lugares mais densamente povoados; os chamados baby-boomers - pessoas nascidas durante a onda de prosperidade do pós-2ª Guerra entre 1946 e 1964 - têm expectativas impossivelmente altas que simplesmente não podem se realizar no mundo real.
Todos esses fatores são difíceis de provar, e têm importância apenas limitada.
As verdadeiras razões por que o suicídio está em ascensão, em especial entre homens na faixa dos 50, são desconcertantes demais para serem abordadas diretamente. Isso porque são o lado escuro de tendências que estão sendo constantemente comemoradas.
Comecemos pela desintegração familiar. De cada canto da sociedade comercial, ser solteiro é projetado como a existência ideal. O mercado prefere os consumidores apressados, propensos a gastar, a membros de famílias que tendem a poupar para o futuro. E gratificar os sentidos, todos os sentidos, é bem mais fácil quando não se está comprometido com outra pessoa.
Depois, há a internet, a invenção social mais impactante desde o automóvel. A web é direcionada para o indivíduo solitário, não para a família, ou mesmo o casal. As pessoas se conectam na rede por várias razões, é claro, algumas de cunho prático ou mundano, mas quem se conecta quase sempre o faz sozinho, para satisfazer um ou outro impulso. Nesse contexto, não é a solidão que pode levar alguém ao suicídio. É o fato de que ficar solitário se tornou uma condição tão normal que está ficando cada vez mais difícil estar com outras pessoas. Os desafios e complicações decorrentes de se estar envolvido com outros estão se tornando insuportáveis para psiques acostumadas à existência solitária, vivida diante de suas telas.
Isso não significa que o capitalismo americano, incansavelmente inventivo, seja culpado do crescimento da taxa de suicídios ou algo assim. Países socialistas como os do norte da Europa têm taxas de suicídio notoriamente altas. As pessoas nessas sociedades com frequência têm tantas coisas de suas vidas decididas e administradas em seu favor que sua força de vontade se atrofia e um tédio mortal se instala. Mas o consumismo insanamente acelerado nos Estados Unidos, que de maneiras sutis e explícitas faz do celibato uma condição heroica, isola o indivíduo quando torna mais difícil para ele ou ela lidar com outros indivíduos.
Além das décadas de desintegração familiar, as décadas de erosão de simplesmente todo tipo de autoridade também separaram as pessoas das estruturas sociais que antes as sustentavam em tempos de dificuldade emocional. Tanto na cultura popular como na intelectual elevada, o padre, o ministro, o médico, o policial, o estadista foram todos expostos como fraudes ocultando a luxúria e a ganância por trás da fachada de autoridade enquanto abusavam cruelmente de seu poder.
 Algumas maçãs podres estragaram toda uma colheita da humanidade. Antigamente, uma pessoa angustiada podia recorrer a uma figura consoladora cuja competência fora sancionada pela sociedade. Agora, quando os salva-vidas sociais são todos acusados de não saber nadar, a sensação de não ter a quem recorrer ficou ainda mais aguda.
O preço proibitivo da assistência médica também joga com certeza um papel. Não poder pagar um profissional da saúde tem um efeito extremamente danoso em pessoas deprimidas propensas ao suicídio. Elas nem sequer conseguem obter uma receita de antidepressivo porque, ou não podem pagar a consulta de um médico que o receitaria, ou não podem pagar o próprio remédio.
Mas como a maioria dos suicídios parece ser de homens na faixa dos 50 anos, a principal razão do seu desespero é a rápida obsolescência de seu tipo social. A obsessão americana pela juventude tornou esses homens invisíveis. A rápida sucessão das novas ondas de tecnologias os fez sentir que já não se enquadram em seu ambiente. As mazelas econômicas dos últimos anos os privaram do emprego e da autoestima. E a intensificação da historicamente atrasada ascensão das mulheres - boa, positiva e necessária - tomou-lhes mais um pouco de terreno.
É difícil falar de todos esses desdobramentos como fatores por trás do aumento da incidência de suicídios porque tais fatores - cultura jovem, tecnologia, a mudança para uma economia de informação, a capacitação (de um certo grupo) de mulheres - são tendências de ponta das quais os Estados Unidos se orgulham. E quando as estatísticas de uma sociedade contradizem sua autoimagem, torna-se uma tarefa urgente dessa sociedade manter seu estado de espírito feliz justificando e esquecendo as estatísticas. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK



 

Apontadora de Idéias

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São Paulo, Brazil
"A senhora me desculpe, mas no momento não tenho muita certeza. Quer dizer, eu sei quem eu era quando acordei hoje de manhã, mas já mudei uma porção de vezes desde que isso aconteceu. (...) Receio que não possa me explicar, Dona Lagarta, porque é justamente aí que está o problema. Posso explicar uma porção de coisas... Mas não posso explicar a mim mesma." (Lewis Carroll)

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